Mostrando postagens com marcador saúde mental. Mostrar todas as postagens
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Você é o que você posta?

escrito por Rosa



Faz tempo que eu não sento para escrever um texto que não seja para meu livro ou que não seja um texto rápido, para redes sociais. O que me põe sentada em frente a esse computador é uma conversa séria que eu comecei a ter com várias amigas e que eu quero expandir com vocês.

É um processo muito novo pra mim e eu não tô aqui, em hipótese alguma, querendo cagar regra na sua vida.  No fim do dia, sentado no seu sofá, faça aquilo que lhe convier. Vou dividir com vocês toda a trajetória do meu pensamento até o momento em que eu decidi falar publicamente disso.
Eu não sou uma digital influencer no sentido estrito da palavra. Não me sustento dessa forma, não passo o dia fazendo isso. Eu sou professora e escritora. Não tenho um número surreal de seguidores, mas é algo considerável (hoje o @maggnificas está com pouco mais de 31 mil, o meu pessoal 3 e alguma coisa). Ou seja, eu atinjo uma certa quantidade de pessoas. Mas esse texto vale se você tem 5 seguidores também.

A razão pela qual eu comecei, lá atrás, a me envolver com internet é a mesma que me põe aqui hoje. Eu gosto de escrever, gosto de ser lida e quero debater ideias. Eu sempre achei (e com razão, suponho) que poucas pessoas me liam.  De fato, pouquíssimas leem o conteúdo de forma integral e menos ainda são as que reagem, debatem, fomentam o discurso.
Concomitante a isso, existe a exposição da imagem. Eu sei, você sabe, qualquer pessoa que tenha rede social sabe, que a quantidade de pessoas que se engajam num post de imagem – corpo ou rosto – é infinitamente maior do que o engajamento gerado por um texto. E eu cedi diversas vezes – e acho que cederei outras mais – ao ego, à vontade de ser enxergada.

Se você acha que é um ser iluminado e divino porque não tem esse desejo, talvez falte autoconhecimento da sua parte. O processo de ser enxergado é absolutamente natural entre nós, é um dos mecanismos mais intrinsecamente humanos, que nos constitui como ser social. O processo de reconhecimento pelo olhar do outro é base fundante da psiquê de todo e qualquer humano. “Mas eu não me exponho em rede social”, você vai dizer, e eu acredito. O que você talvez não enxergue é que existem outros meios de compor esse olhar social, as redes sociais só tem sido um catalisador – eficaz e preocupante.
Além disso, algumas coisas curiosas começaram a acontecer. Positivas: li o livro porque vi que você indicou; vi tal série porque você indicou; amei o seu texto, ajudou a me amar mais; obrigada por me ensinar esse conceito. Negativas: queria ser feliz na carreira como você; queria um namorado igual ao seu; queria me aceitar e ser feliz como você se aceita.
Não adianta, em resposta a esses comentários, dizer que eu não sou feliz plenamente na minha carreira, e que eu seleciono expor a melhor parte que são meus alunos; não adianta eu dizer que meu namorado já deu e dará muita mancada na vida, mas eu não preciso reclamar disso publicamente; não adianta, enfim, eu dizer que eu me odeio na frente do espelho dias a fio e que eu não amo tanto assim meus olhos que vivem inchados.
Porque outra coisa já disse por mim: a imagem.
Porque dizer é pouco perto do universo encantador da imagem.

E bem, eu já venho conversado sobre a importância da #curadoriadetimeline. Não só eu. 

A Xanda do @alexandrismos subiu esse vídeo no canal dela que fala super bem de como usar o insta e pensar na saúde mental. A Carol Bataier escreveu aqui um texto incrível sobre perfis que seriam saudáveis de seguir para ela e como ela precisou entender o elemento nocivo que há em se expor a imagens que pressionam e deturpam o autoconhecimento. Ela e a Marina, minha parceira no @maggnificas é que fazem essa discussão encontrar eco. Uma das poucas pessoas "famosas", magras e da moda que eu ainda sigo é a Thais Farage, porque ela sempre questiona o conteúdo postado. SEMPRE. Ser feminista ativista depende disso, no meu ponto de vista. Os dados são assustadores, especialmente para mulheres: a saúde mental está em jogo na internet e não é pouco.

Mas hoje, eu quero sair desse ponto de cuidar da timeline e jogar um dilema ético:
Por que postar o que você posta?

Coloquei essa pergunta no meu stories e achei as respostas incríveis. Tem gente preocupada, tem gente que não sabe, tem gente que assume que é tédio, tem gente que diz que quer causar, tem de tudo.
Que bom que tem de tudo no mundo.

Quero fazer uma brincadeira – despretensiosa em seu rigor científico – com o imperativo categórico de Kant. Para quem foge de filosofia moral ou não teve a sorte de ter um bom professor de filosofia, vou resumir de maneira mais simplificada e até leviana: Kant criou um crivo ético para ações morais. Ele se inicia com dois pressupostos: a possibilidade de universalização a ação e a impossibilidade de usar o ser humano como MEIO. A ação, para ser moral, deve ter finalidade em si mesma. Ser moral porque é, sem alçar em ninguém isso.
Que Kant me perdoe, mas eu proponho uma versão popular para instagram nessa pretensa conversa filosófica de bar:
E se o que você posta, alguém de grande alcance postasse, universalizando a ação: você faria mais bem que mal?

A sua postagem usa de um ser humano para atingir um fim?
É claro que não dá para fazer uma abordagem mega ética para cada Stories do seu gato (aliás, gatos sempre são bem vindos na timeline). Mas dá para tomar a decisão para si, e pensar:
Que tipo de incentivo, energia, ideias eu jogo para o mundo?
Não abra mão disso. Não finja que você não é responsável pelo que causa nos outros. 

Ou abra. Porque cada um sabe o que faz da vida.



Dá cá os meus boletos e vamos falar sobre suicídio.

escrito por Rosa


Quem me acompanha nas redes sociais sabe que eu tenho falado bastante sobre o Setembro Amarelo e sobre a importância de falarmos sobre suicídio. Os números são alarmantes: 

Estima-se que um milhão de pessoas morram desta forma anualmente, uma a cada 40 segundos, o que equivale a 1,4% dos óbitos totais. Cerca de 75% ocorrem em países de renda média e baixa. Segundo a OMS, apenas 28 países possuem estratégia nacional de combate à morte voluntária. A média global é de 11,4 por 100 mil habitantes, sendo 15/100 mil entre homens e 8 entre as mulheres.

É óbvio que qualquer suicídio me mobila e comove, mas por questões pessoais e pela própria natureza do meu trabalho, aqueles que acometem adolescentes me deixam especialmente preocupada. 


Os jovens merecem cuidado redobrado, pois é na faixa etária entre 15 e 29 que encontramos os maiores índices de crescimento globais de suicídios. Em 2012, a morte voluntária foi a segunda causa de morte de jovens no mundo, e no Brasil o cenário é similar. 

Quando falo sobre adolescentes, é comum uma reação negativa dos meus interlocutores e eu honestamente já me acostumei a tentar explicar que, não, adolescentes não são naturalmente chatos, especialmente irritantes ou algo do tipo. E quando a pessoa não vale à pena meu esforço, eu faço alok e saio andando, porque ando meio sem saco para quem não sabe ouvir - e fica só esperando a vez de vomitar absurdos infundados. A frase favorita dessa parcela da população é "eles não sabe o que é ter conta para pagar". Eu sempre digo isso: eu prefiro meus boletos a qualquer crise de identidade parecida com aquelas sofridas pelos adolescentes.

Resultado de imagem para setembro amarelo

Adolescentes são uma bomba hormonal, bombardeados por todos os lados por gatilhos que aumentam todas as características inerentes à fase: autoestima abalada, sensação de incompreensão, culpa, medo, angústia, excesso de preocupação com o pensamento dos outros. Então, de todas as preocupações imensas desse #setembroamarelo, que é um mês de prevenção ao suicídio, a maior é essa: que tal a gente não massacrar a cabeça de quem já tem dúvidas o suficiente?

Para quem tem dúvida ainda: Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização a prevenção do suicídio, com o objetivo de alertar a população a respeito da realidade do suicídio.

se você é professor,ou uma pessoa interessada em jovens e adolescentes, uma dica: leia ISSO AQUI





Somos Marcella Rosa e Marina Sena, parceiras no blog, na luta e na vontade de mudar - nem que seja um pouquinho - o mundo. O Maggníficas é um pouco de nós, porque aqui tem moda democrática, empoderamento feminino e amor próprio. Nosso foco é a sororidade e a vivência plena de todos os corpos, porque acreditamos que somos todas maggníficas e que todo mundo pode tudo!

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