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Não existe autodidata no amor
escrito por Rosa
Sonhei com o amor. No sonho eu dizia para alguém mais novo do que eu - e que, agora, desperta, não sei quem é - "não te ensinaram como amar". O amor, ele próprio, é nosso, humano, pulsante, ali, presente. Amar, no entanto, é um processo de ensino e de aprendizagem. É longo, leva uma vida toda; múltiplo, porque se desenvolve como resposta a estímulos diverso que recebemos de diferentes lugares; difícil, porque a gente erra muito até acertar.
Disposição para amar todo mundo tem. Competência são poucos.
Quem vem acompanhando o diálogo que tenho feito com "O feminismo é para todo mundo", da bell hooks, sabe que eu tenho pensado muito em repensar o amor. Para ela e para mim, também, o amor é revolucionário. A potência transformadora do amor é assustadora. Tão grande quanto a do ódio. Amor e ódio são igualmente importantes para que a vida não seja um ser eternamente levado por ela.
Mas como é possível que alguém não saiba amar?
A infância é crucial. Tratar crianças como seres que não sabem muito bem o que fazem e que, portanto, nos apresentam um suposto cartão de livre passagem ao descaso e a violência talvez seja - certamente é, na verdade - a maior catástrofe. Crianças precisam ser amadas, celebradas e queridas. Não existe nada mais potente como possibilidade de mudança social do que uma criança que foi amada e SOUBE que foi amada.
Não basta amar, é preciso escancarar o amor.
Uma criança amada é um adulto que sabe do seu valor. Que não se rebaixa, nem se subestima. Será uma pessoa que sabe que não merece, de maneira alguma, o sofrimento.
Eu conheço tanta gente que não foi amada. Ou foi, e nunca soube. Ou foi, por pessoas tão machucadas pela própria história que perpetuou um ciclo de associação entre amor e sofrimento. Educar é dolorido, amar não é. Educar só não será traumático se vier acompanhado pelo amor.
E essas pessoas não aprenderão jamais a amar?
Aprendem, e muito. Mas precisam querer. E mais que querer: precisam trombar na vida com pessoas dispostas a ensinar.
Antes disso, porém, vão espalhar muita dor por aí. Muito sofrimento.
Quem nunca foi amado e protegido como deveria demorará muito a aprender - ou sequer aprenda - como é sério o cuidado que devemos ter com aquele que nos oferece amor.
Não há quem seja autodidata no amor. A vida é mais rápida em ensinar, por conta própria, a solidão e o medo. Daí a importância de sermos todos professores.
O subtítulo do livro da bell hooks é: políticas arrebatadoras. Nada mais arrebatador que amar. Tampouco mais político.
Esse e outros textos da Marcella você encontra AQUI
Disposição para amar todo mundo tem. Competência são poucos.
Quem vem acompanhando o diálogo que tenho feito com "O feminismo é para todo mundo", da bell hooks, sabe que eu tenho pensado muito em repensar o amor. Para ela e para mim, também, o amor é revolucionário. A potência transformadora do amor é assustadora. Tão grande quanto a do ódio. Amor e ódio são igualmente importantes para que a vida não seja um ser eternamente levado por ela.
Mas como é possível que alguém não saiba amar?
A infância é crucial. Tratar crianças como seres que não sabem muito bem o que fazem e que, portanto, nos apresentam um suposto cartão de livre passagem ao descaso e a violência talvez seja - certamente é, na verdade - a maior catástrofe. Crianças precisam ser amadas, celebradas e queridas. Não existe nada mais potente como possibilidade de mudança social do que uma criança que foi amada e SOUBE que foi amada.
Não basta amar, é preciso escancarar o amor.
Uma criança amada é um adulto que sabe do seu valor. Que não se rebaixa, nem se subestima. Será uma pessoa que sabe que não merece, de maneira alguma, o sofrimento.
Eu conheço tanta gente que não foi amada. Ou foi, e nunca soube. Ou foi, por pessoas tão machucadas pela própria história que perpetuou um ciclo de associação entre amor e sofrimento. Educar é dolorido, amar não é. Educar só não será traumático se vier acompanhado pelo amor.
E essas pessoas não aprenderão jamais a amar?
Aprendem, e muito. Mas precisam querer. E mais que querer: precisam trombar na vida com pessoas dispostas a ensinar.
Antes disso, porém, vão espalhar muita dor por aí. Muito sofrimento.
Quem nunca foi amado e protegido como deveria demorará muito a aprender - ou sequer aprenda - como é sério o cuidado que devemos ter com aquele que nos oferece amor.
Não há quem seja autodidata no amor. A vida é mais rápida em ensinar, por conta própria, a solidão e o medo. Daí a importância de sermos todos professores.
O subtítulo do livro da bell hooks é: políticas arrebatadoras. Nada mais arrebatador que amar. Tampouco mais político.
Esse e outros textos da Marcella você encontra AQUI
Você é o que você posta?
escrito por Rosa
Faz tempo que eu não sento para escrever um texto que não
seja para meu livro ou que não seja um texto rápido, para redes sociais. O que
me põe sentada em frente a esse computador é uma conversa séria que eu comecei
a ter com várias amigas e que eu quero expandir com vocês.
É um processo muito novo pra mim e eu não tô aqui, em
hipótese alguma, querendo cagar regra na sua vida. No fim do dia, sentado no seu sofá, faça
aquilo que lhe convier. Vou dividir com vocês toda a trajetória do meu
pensamento até o momento em que eu decidi falar publicamente disso.
Eu não sou uma digital
influencer no sentido estrito da palavra. Não me sustento dessa forma, não
passo o dia fazendo isso. Eu sou professora e escritora. Não tenho um número
surreal de seguidores, mas é algo considerável (hoje o @maggnificas está com
pouco mais de 31 mil, o meu pessoal 3 e alguma coisa). Ou seja, eu atinjo uma
certa quantidade de pessoas. Mas esse texto vale se você tem 5 seguidores
também.
A razão pela qual eu comecei, lá atrás, a me envolver com
internet é a mesma que me põe aqui hoje. Eu gosto de escrever, gosto de ser
lida e quero debater ideias. Eu sempre achei (e com razão, suponho) que poucas
pessoas me liam. De fato, pouquíssimas
leem o conteúdo de forma integral e menos ainda são as que reagem, debatem,
fomentam o discurso.
Concomitante a isso, existe a exposição da imagem. Eu sei,
você sabe, qualquer pessoa que tenha rede social sabe, que a quantidade de
pessoas que se engajam num post de imagem – corpo ou rosto – é infinitamente
maior do que o engajamento gerado por um texto. E eu cedi diversas vezes – e
acho que cederei outras mais – ao ego, à vontade de ser enxergada.
Se você acha que é um ser iluminado e divino porque não tem
esse desejo, talvez falte autoconhecimento da sua parte. O processo de ser
enxergado é absolutamente natural entre nós, é um dos mecanismos mais intrinsecamente
humanos, que nos constitui como ser social. O processo de reconhecimento pelo
olhar do outro é base fundante da psiquê de todo e qualquer humano. “Mas eu não
me exponho em rede social”, você vai dizer, e eu acredito. O que você talvez
não enxergue é que existem outros meios de compor esse olhar social, as redes
sociais só tem sido um catalisador – eficaz e preocupante.
Além disso, algumas coisas curiosas começaram a acontecer.
Positivas: li o livro porque vi que você indicou; vi tal série porque você indicou;
amei o seu texto, ajudou a me amar mais; obrigada por me ensinar esse conceito.
Negativas: queria ser feliz na carreira como você; queria um namorado igual ao
seu; queria me aceitar e ser feliz como você se aceita.
Não adianta, em resposta a esses comentários, dizer que eu
não sou feliz plenamente na minha carreira, e que eu seleciono expor a melhor
parte que são meus alunos; não adianta eu dizer que meu namorado já deu e dará
muita mancada na vida, mas eu não preciso reclamar disso publicamente; não
adianta, enfim, eu dizer que eu me odeio na frente do espelho dias a fio e que
eu não amo tanto assim meus olhos que vivem inchados.
Porque outra coisa já disse por mim: a imagem.
Porque dizer é pouco perto do universo encantador da imagem.
E bem, eu já venho conversado sobre a importância da #curadoriadetimeline.
Não só eu.
A Xanda do @alexandrismos subiu esse vídeo no canal dela que fala
super bem de como usar o insta e pensar na saúde mental. A Carol Bataier escreveu aqui um texto incrível sobre perfis que seriam saudáveis de seguir para ela e como ela precisou
entender o elemento nocivo que há em se expor a imagens que pressionam e
deturpam o autoconhecimento. Ela e a Marina, minha parceira no @maggnificas é
que fazem essa discussão encontrar eco. Uma das poucas pessoas "famosas", magras e da moda que eu ainda sigo é a Thais Farage, porque ela sempre questiona o conteúdo postado. SEMPRE. Ser feminista ativista depende disso, no meu ponto de vista. Os dados são assustadores, especialmente para mulheres: a saúde
mental está em jogo na internet e não é pouco.
Mas hoje, eu quero sair desse ponto de cuidar da timeline e jogar
um dilema ético:
Por que postar o que você posta?
Coloquei essa pergunta no meu stories e achei as respostas
incríveis. Tem gente preocupada, tem gente que não sabe, tem gente que assume
que é tédio, tem gente que diz que quer causar, tem de tudo.
Que bom que tem de tudo no mundo.
Quero fazer uma brincadeira – despretensiosa em seu rigor científico
– com o imperativo categórico de Kant. Para quem foge de filosofia moral ou não
teve a sorte de ter um bom professor de filosofia, vou resumir de maneira mais simplificada
e até leviana: Kant criou um crivo ético para ações morais. Ele se inicia com
dois pressupostos: a possibilidade de universalização a ação e a impossibilidade
de usar o ser humano como MEIO. A ação, para ser moral, deve ter finalidade em
si mesma. Ser moral porque é, sem alçar em ninguém isso.
Que Kant me perdoe, mas eu proponho uma versão popular para instagram
nessa pretensa conversa filosófica de bar:
E se o que você posta, alguém de grande alcance postasse, universalizando
a ação: você faria mais bem que mal?
A sua postagem usa de um ser humano para atingir um fim?
É claro que não dá para fazer uma abordagem mega ética para
cada Stories do seu gato (aliás, gatos sempre são bem vindos na timeline). Mas
dá para tomar a decisão para si, e pensar:
Que tipo de incentivo, energia, ideias eu jogo para o mundo?
Não abra mão disso. Não finja que você não é responsável
pelo que causa nos outros.
Ou abra. Porque cada um sabe o que faz da vida.
O que é sentir paz de espírito?
escrito por Rosa
Sempre achei essa coisa de paz meio brega, meio inútil. Eu sempre dizia que era demais da treta para achar que paz era algo positivo. Nunca fui do morno, por isso achava que paz me encheria de um tédio irremediável.
Até que esses tempos comecei a sentir um negócio louco, que nunca tinha sentido em plenitude: de que eu estava, finalmente, certa. Não que a minha opinião sobre algo estivesse correta - mesmo porque, sempre acho que está - mas certa como se estivesse exatamente ocupando os espaços certos, convivendo com as pessoas certas, fazendo o que deveria fazer, ao lado de quem deveria estar.
A despeito de qualquer cansaço de levantar as 5h15 todo dia, eu sinto que tô acertando em vencer o sono. Eu acho propósito na minha caminhada e eu tenho um lugar para chegar. Estou certa no meu apê e como parece que ele me abraça quando eu chego. Estou certa dentro do meu corpo, amando-o e vivenciando-o do jeito que ele é e com as possibilidades que ele tem para me oferecer.
Eu estou certa naquele ombro, quando recosto no banco de espera de uma espera qualquer. Eu estou certa naquele abraço que segura a tristeza que, não é raro, parece insustentável. Tô certa nos clichês que agora eu repito sempre e incansavelmente.
Foi comendo num restaurante específico hoje, sentada no mesmo lugar que havia me sentado meses antes, que eu entendi, por comparação, o que eu finalmente sentia. Há meses, eu sentia que tudo estava um pouco fora do lugar: eu, uma pesquisa despropositada, um corpo que não gostava, um cansaço que horas de sono não curavam. Pior: a mão que estava do lado da minha, comendo ali, não a entrelaçava. E eu desejava tanto e fortemente que eu pudesse segurar naquela mão de novo.
E cá estou eu: de mãos dadas, com quem eu queria e com a vida. Finalmente achando que estou exatamente deveria estar,com quem gostaria e fazendo o que me dá propósito. Acho que existe paz. E eu te desejo a sensação maravilhosa que ela pode trazer, sussurrando no seu ouvido que finalmente veio para ficar.
Até que esses tempos comecei a sentir um negócio louco, que nunca tinha sentido em plenitude: de que eu estava, finalmente, certa. Não que a minha opinião sobre algo estivesse correta - mesmo porque, sempre acho que está - mas certa como se estivesse exatamente ocupando os espaços certos, convivendo com as pessoas certas, fazendo o que deveria fazer, ao lado de quem deveria estar.
A despeito de qualquer cansaço de levantar as 5h15 todo dia, eu sinto que tô acertando em vencer o sono. Eu acho propósito na minha caminhada e eu tenho um lugar para chegar. Estou certa no meu apê e como parece que ele me abraça quando eu chego. Estou certa dentro do meu corpo, amando-o e vivenciando-o do jeito que ele é e com as possibilidades que ele tem para me oferecer.
Eu estou certa naquele ombro, quando recosto no banco de espera de uma espera qualquer. Eu estou certa naquele abraço que segura a tristeza que, não é raro, parece insustentável. Tô certa nos clichês que agora eu repito sempre e incansavelmente.
Foi comendo num restaurante específico hoje, sentada no mesmo lugar que havia me sentado meses antes, que eu entendi, por comparação, o que eu finalmente sentia. Há meses, eu sentia que tudo estava um pouco fora do lugar: eu, uma pesquisa despropositada, um corpo que não gostava, um cansaço que horas de sono não curavam. Pior: a mão que estava do lado da minha, comendo ali, não a entrelaçava. E eu desejava tanto e fortemente que eu pudesse segurar naquela mão de novo.
E cá estou eu: de mãos dadas, com quem eu queria e com a vida. Finalmente achando que estou exatamente deveria estar,com quem gostaria e fazendo o que me dá propósito. Acho que existe paz. E eu te desejo a sensação maravilhosa que ela pode trazer, sussurrando no seu ouvido que finalmente veio para ficar.
14 de fevereiro de 2018
escrito por Rosa
Acordei apaixonada. Lembrei que a manhã ainda cinza dessa quarta-feira de cinzas é manhã de São Valentim. Ontem, conversando com minha mãe ao telefone, ela me lembrou que no Líbano (ela é de lá) comemora-se o dia dos namorados. Qualquer googlada e você lê versões mil do porquê comemorar o dia dos namorados e todas elas, se olhadas sob a ótica do filtro problematizador resultam em: datas criadas para gastar dinheiro. Inclusive, eu não sabia, mas fiquei sabendo que 12 de junho foi uma data instituída por um publicitário, que é o pai do Dória, atual prefeito de Sp.
Enfim, informações comerciais à parte, lembrei que há um ano eu escrevia aqui nesse blog sobre o amor e a questão da reciprocidade. Mais especificamente, como amor não carece de reciprocidade, o amor existe e ele nos pertence, e, porque ele é nosso, fazemos com ele o que quisermos: expomos ou não, vivemos ou reprimimos, experenciamos ou desistimos. Se o texto interessar, ele está AQUI.
Acontece que, um ano depois, mesmo continuando a acreditar firmemente nisso, eu queria acrescentar algo muito importante que tenho aprendido ultimamente sobre o amor: a pulsão imensa que ele nos dá para ser bom/boa.
Há tempos tenho sentido isso em sala de aula: quanto mais carinho eu tenho pelo meus alunos e pela profissão, tanto mais eu quero ser a melhor pessoa possível para que o mundo seja um pouco menos ruim pra eles.
Falando assim, parece que eu sou um poço de candura. Não sou. Dentro de mim, moram muitas Marcellas. Aquela que é egoísta, invejosa, mal educada, cruel, preconceituosa. E eu luto, na medida do possível, contra elas. Nessa guerra, o amor tem sido meu maior aliado. O amor tem me feito silenciá-las com um poder raro: não é que eu tenho medo que ele conheça essas versões de mim (eu não tenho. Na verdade, ele já as conhece), mas é porque o amor habita esse mundo que eu quero deixá-lo o melhor mundo possível...
É porque o amor é bom, que eu não posso ser ruim. É porque o amor acorda sorrindo, que não faz sentido não estar bem humorada. É porque amor cuida de mim, que eu não posso descuidar de mim mesma. É porque o amor chega, que a espera não pode ser vazia. É porque o amor sempre esteve dentro de mim, que eu não precisei só recebê-lo: mas trocá-lo. Concedendo meu melhor lado e recebendo de volta: o amor não cria as condições para que eu seja feliz - isso sou eu quem faço -, mas as escancara para mim.
Comemoremos o amor.

Enfim, informações comerciais à parte, lembrei que há um ano eu escrevia aqui nesse blog sobre o amor e a questão da reciprocidade. Mais especificamente, como amor não carece de reciprocidade, o amor existe e ele nos pertence, e, porque ele é nosso, fazemos com ele o que quisermos: expomos ou não, vivemos ou reprimimos, experenciamos ou desistimos. Se o texto interessar, ele está AQUI.
Acontece que, um ano depois, mesmo continuando a acreditar firmemente nisso, eu queria acrescentar algo muito importante que tenho aprendido ultimamente sobre o amor: a pulsão imensa que ele nos dá para ser bom/boa.
Há tempos tenho sentido isso em sala de aula: quanto mais carinho eu tenho pelo meus alunos e pela profissão, tanto mais eu quero ser a melhor pessoa possível para que o mundo seja um pouco menos ruim pra eles.
Falando assim, parece que eu sou um poço de candura. Não sou. Dentro de mim, moram muitas Marcellas. Aquela que é egoísta, invejosa, mal educada, cruel, preconceituosa. E eu luto, na medida do possível, contra elas. Nessa guerra, o amor tem sido meu maior aliado. O amor tem me feito silenciá-las com um poder raro: não é que eu tenho medo que ele conheça essas versões de mim (eu não tenho. Na verdade, ele já as conhece), mas é porque o amor habita esse mundo que eu quero deixá-lo o melhor mundo possível...
É porque o amor é bom, que eu não posso ser ruim. É porque o amor acorda sorrindo, que não faz sentido não estar bem humorada. É porque amor cuida de mim, que eu não posso descuidar de mim mesma. É porque o amor chega, que a espera não pode ser vazia. É porque o amor sempre esteve dentro de mim, que eu não precisei só recebê-lo: mas trocá-lo. Concedendo meu melhor lado e recebendo de volta: o amor não cria as condições para que eu seja feliz - isso sou eu quem faço -, mas as escancara para mim.
Comemoremos o amor.

O que eu digo quando eu digo que amo?
escrito por Rosa
Eu sempre digo para os meus alunos que nem 7 mil anos de filosofia ocidental documentada resolveu essa treta que é o amor, que dirá nós, pobres mortais, filhos da nossa era, impressionáveis com seriados criados por algoritmos falhos?
A gente não sabe o que é o amor.
A despeito de não saber, alguma coisa borbulha dentro da gente entre milhões de outras coisas que borbulham. Eu não sei, sinceramente, uma definição clara do que é amar, mas eu sei o que não é. E isso já me adianta bem a vida.
Ter a clara compreensão de que o amor se dá em modalidades diversas é algo fundamental para desobstruir uma sensação errada que muitas pessoas têm de 'falta de amor' ou de 'não estar amando'. Eu não me lembro de alguma passagem da minha vida em que eu não estivesse amando. Eu sei que tendemos a chamar de amor o amor romântico, mas é incrivelmente parecido o amor que temos por outras relações, a gente só não percebe.
Amor de amigo também deixa a gente com coração partido. A gente também cria expectativas com amor de mãe e de pai. Toda forma de amor gera as mesmas consequências. O que difere é o quanto o mundo nos prepara para elas. O que eu quero dizer é que é absolutamente aceitável que o amor erra quando esse amor não é o de um parceiro romântico.
Se, por um lado, somos mais generosos em perdoar os erros dos amores não românticos, por outro, somos menos capazes de expressá-los e vivê-los como tal. A gente, às vezes, mecaniza o amar que a gente deve amar "porque sim".
Mas isso é uma ilusão. O amor acaba em todas as esferas, porque ele é um construto e não é inato. Não tem nada a ver com sangue, não. A vida adulta ensina isso. Quando eu falo com minha mãe e digo que a amo é porque eu e ela construímos esse amor todos os dias. Igualmente quando digo que amo a Marina aqui do Magg, quem eu vejo pessoalmente poucas vezes no ano, mas que nunca sai de perto de mim e se envolve na minha vida e sente comigo.Eu não a amo porque um dia amei e fim. Eu a amo porque todos os dias é construído por nós o amar.
Apesar disso...
Acho que cada um diz uma coisa quando diz que ama. Nunca será a mesma coisa. Porque nunca seremos os mesmos. Precisamos e sabemos amar com o instrumental que temos em nossas mãos. E a verdade que tem gente que não ama como a gente. E confundimos isso com desamor.
A gente não sabe o que é o amor. DO OUTRO.
A gente só pode amar como a gente sabe amar e fim.
Por isso, o eu amo você, vindo do outro lado, deve ser recebido com todo carinho do mundo, mas consciente de que nunca será plenamente acessível seu real significado. E que bom que não.
Porque se tem poesia nessa vida ela está em saber que alguém nos ama - sabe-se lá como e por que - a despeito de não saber de forma alguma que cara tem esse amor. Mas - é essa a magia - senti-lo, forte, presente,preenchendo todas as partes lacunares do seu corpo e da sua vida, formando um todo inteiro, capaz de começar a segunda-feira dizendo:
como é bom estar aqui.
A gente não sabe o que é o amor.
A despeito de não saber, alguma coisa borbulha dentro da gente entre milhões de outras coisas que borbulham. Eu não sei, sinceramente, uma definição clara do que é amar, mas eu sei o que não é. E isso já me adianta bem a vida.
Ter a clara compreensão de que o amor se dá em modalidades diversas é algo fundamental para desobstruir uma sensação errada que muitas pessoas têm de 'falta de amor' ou de 'não estar amando'. Eu não me lembro de alguma passagem da minha vida em que eu não estivesse amando. Eu sei que tendemos a chamar de amor o amor romântico, mas é incrivelmente parecido o amor que temos por outras relações, a gente só não percebe.
Amor de amigo também deixa a gente com coração partido. A gente também cria expectativas com amor de mãe e de pai. Toda forma de amor gera as mesmas consequências. O que difere é o quanto o mundo nos prepara para elas. O que eu quero dizer é que é absolutamente aceitável que o amor erra quando esse amor não é o de um parceiro romântico.
Se, por um lado, somos mais generosos em perdoar os erros dos amores não românticos, por outro, somos menos capazes de expressá-los e vivê-los como tal. A gente, às vezes, mecaniza o amar que a gente deve amar "porque sim".
Mas isso é uma ilusão. O amor acaba em todas as esferas, porque ele é um construto e não é inato. Não tem nada a ver com sangue, não. A vida adulta ensina isso. Quando eu falo com minha mãe e digo que a amo é porque eu e ela construímos esse amor todos os dias. Igualmente quando digo que amo a Marina aqui do Magg, quem eu vejo pessoalmente poucas vezes no ano, mas que nunca sai de perto de mim e se envolve na minha vida e sente comigo.Eu não a amo porque um dia amei e fim. Eu a amo porque todos os dias é construído por nós o amar.
Apesar disso...
Acho que cada um diz uma coisa quando diz que ama. Nunca será a mesma coisa. Porque nunca seremos os mesmos. Precisamos e sabemos amar com o instrumental que temos em nossas mãos. E a verdade que tem gente que não ama como a gente. E confundimos isso com desamor.
A gente não sabe o que é o amor. DO OUTRO.
A gente só pode amar como a gente sabe amar e fim.
Por isso, o eu amo você, vindo do outro lado, deve ser recebido com todo carinho do mundo, mas consciente de que nunca será plenamente acessível seu real significado. E que bom que não.
Porque se tem poesia nessa vida ela está em saber que alguém nos ama - sabe-se lá como e por que - a despeito de não saber de forma alguma que cara tem esse amor. Mas - é essa a magia - senti-lo, forte, presente,preenchendo todas as partes lacunares do seu corpo e da sua vida, formando um todo inteiro, capaz de começar a segunda-feira dizendo:
como é bom estar aqui.
Boa semana para a gente.

como me sinto hoje em um gif
Os lixos e as desculpas que eles inventam
escrito por Rosa
Ontem, conversando com uma amiga muito querida, ele me contou que ela e o boy lixo tinham terminado, e que ela tinha dado um fora nele porque ele meio que não se movimentava na vida. A desculpa dada por ele foi que - SÉRIO ATENÇÃO - ele estava direcionando energia para outros campos.
sério. o cara acha que é uma bomba atômica, só pode. Ainda bem que ela saiu dessa.
sério. o cara acha que é uma bomba atômica, só pode. Ainda bem que ela saiu dessa.

Achei a desculpa muito bosta e me lembrei das muitas desculpas bostas que já ouvi. Por exemplo, de que "eu preciso me focar na minha carreira e namoro atrapalha". Curiosamente, ouvi isso de uma pessoa que tava na graduação, enquanto eu concluía - tendo namorado 4 anos - meu doutorado e trabalhava 8 horas por dia. Depois, eu descobri que lixo tava com outra moça e a carreira era uma desculpa para não admitir que não me queria mais.
É claro que não é a coisa mais confortável do mundo ouvir de alguém que não te ama ou não te quer (já ouvi, falo por experiência própria), mas eu prefiro UM MILHÃO DE VEZES a honestidade do que as desculpas lixo. Afinal, todo mundo tem o direito de não amar, ou não amar/querer mais. Mas inventar desculpa pega mal demais...
Não se engane se você pensa que a desculpa lixo é criada para nosso bem estar. Quem inventa essas desculpas faz para se safar da dor de dizer a verdade. Não tem nada de altruísmo.
Pensando nisso, lancei no meu stories um pedido de histórias de pessoas lixo - porque não é só boy que inventa - para contar pra vocês. MEU, EU RECEBI MAIS DE 20 HISTÓRIAS BIZARRAS. Precisei selecionar algumas, senão eu não daria conta.
1. "Precisei transar com outra pra saber o que eu sentia de verdade".

A pessoa acha MESMO que isso é plausível? Sommelier de gente, por acaso?
2. "Não posso namorar com você, ou o bar desanda!" disse o moço, dono de bar, que acreditava que o o sucesso do empreendimento tinha relação direta com o seu status de relacionamento. Ou seja, se ele namorasse o lucro diminuía. Ele devia achar que era o Hugh Jackman versão barman, só pode. Que autoestima.

O moço começou a namorar outra em dois meses. Não tivemos notícia da receita do bar.
3."Você é pra casar, não pra namorar"

OI?
Aqui é assim, começa noivando.
(posso não comentar, porque sequer consigo)
4. O moço disse pra uma moça: "Eu sei que é aniversário de namoro, mas eu quero ir no cinema com o NOME DE UM MOÇO e a família dele"

Tá tudo bem, contudo que você esteja sendo feliz assumindo de quem você gosta, migo.
5. "Acho melhor a gente se afastar, porque eu não vou gostar muito de você"
eu não vou
NO FUTURO, é o boy nostradamus.

ô gente, tão mais bonito falar a verdade.
Tão mais bonito: não quero, não rola.
Honestamente? Não existe essa de você não quer namorar. Você não quer namorar AQUELA PESSOA. Porque quando a paixão bate, a gente caga para as promessas que fizemos pra nós mesmos e pros nosso supostos compromissos.
E outra
que relacionamentos cês vivem que não dá pra estudar, viver E namorar ao mesmo tempo?
Ou tem algo doentio nisso, ou, sinto dizer: é outra desculpa lixo.
usem os comentários pra dividir mais histórias, vamos nos mostrar que a criatividade e escrotice humana NÃO TEM LIMITES.
Então fez-se o Natal
escrito por Rosa
Novembro foi cruelzinho comigo, deixou aquele gostinho ruim de que tinha alguma coisa muito errada na ordem das coisas. Foi tão amargo amarguinho que eu mal pude sentir o gosto bom da uva passa que invade a minha vida (ainda mais em dezembro). Chegou o dia primeiro e eu ainda não tinha montado árvore alguma, tava sem gosto de pintar de verde e vermelho (minha combinação de cor favorita) essa casa que já é ela toda um vermelhão só. Eu tava cinza, igual que nem andava o céu.
Um dia a Carla tirou do fundo do armário minha toalha de mesa do Natal. Eu, que por essa não esperava, senti que tinha um aviso dela e do mundo: dezembro sempre foi um mês de felicidade, Marcella. Sempre virão os presentes, as surpresas e as boas notícias.
Assim, com a toalha de Natal incentivando ao fundo, criei coragem e busquei as caixas de coisas natalinas no maleiro. Abri uma, peguei o enfeite de porta e um outro que eu adoro. Coloquei sobre a mesa. Já havia mais Natal que antes, mas nada que se comparasse ao que usualmente acontece.
Minha família leva Natal muito a sério e tudo bem se você acha espírito natalino uma merda. Pra mim, é uma coisa bem mágica, sabe? Eu moro longe de casa há dez anos, mas eu sei que em dezembro vai ter colo de mãe - e não é só de fim de semana - que meu pai vai abrir nozes pra mim depois do almoço, com as próprias mãos, porque ele é todo meu herói. Meu irmão, todo ano, diz que não vai dar presente e me dá um super legal. Vai ter jantar na casa do padrinho, e a minha tia tomando vinho comigo.
Hoje acordei mais tarde. Fazia dias que eu não dormia tão bem. Acho que semanas. Talvez meses. É como se o próprio espírito natalino me jogasse pra fora da cama e me fizesse ter aquela velha gana de viver de antes. A Marcella, que acha graça até mesmo em clichê, montou uma árvore torta, com luzes desembaraçadas de pisca pisca, que estão agora iluminando essa noite linda de segunda-feira.
As ruas tem menos luz que antes - é a crise.
Ainda não comprei panetone.
Ainda não encontrei meus pais - tá chegando!
Mas é Natal aqui dentro.
com presépio
com vontade de dizer tudo aquilo que, por medo, a gente cala o ano todo.
É natal aqui dentro, minha gente.
E a vontade é de sair abraçando todo mundo.
É natal aqui dentro.
Eu não sei como tá la fora, mas aqui o pisca-pisca não para.

Um dia a Carla tirou do fundo do armário minha toalha de mesa do Natal. Eu, que por essa não esperava, senti que tinha um aviso dela e do mundo: dezembro sempre foi um mês de felicidade, Marcella. Sempre virão os presentes, as surpresas e as boas notícias.
Assim, com a toalha de Natal incentivando ao fundo, criei coragem e busquei as caixas de coisas natalinas no maleiro. Abri uma, peguei o enfeite de porta e um outro que eu adoro. Coloquei sobre a mesa. Já havia mais Natal que antes, mas nada que se comparasse ao que usualmente acontece.
Minha família leva Natal muito a sério e tudo bem se você acha espírito natalino uma merda. Pra mim, é uma coisa bem mágica, sabe? Eu moro longe de casa há dez anos, mas eu sei que em dezembro vai ter colo de mãe - e não é só de fim de semana - que meu pai vai abrir nozes pra mim depois do almoço, com as próprias mãos, porque ele é todo meu herói. Meu irmão, todo ano, diz que não vai dar presente e me dá um super legal. Vai ter jantar na casa do padrinho, e a minha tia tomando vinho comigo.
Hoje acordei mais tarde. Fazia dias que eu não dormia tão bem. Acho que semanas. Talvez meses. É como se o próprio espírito natalino me jogasse pra fora da cama e me fizesse ter aquela velha gana de viver de antes. A Marcella, que acha graça até mesmo em clichê, montou uma árvore torta, com luzes desembaraçadas de pisca pisca, que estão agora iluminando essa noite linda de segunda-feira.
As ruas tem menos luz que antes - é a crise.
Ainda não comprei panetone.
Ainda não encontrei meus pais - tá chegando!
Mas é Natal aqui dentro.
com presépio
com vontade de dizer tudo aquilo que, por medo, a gente cala o ano todo.
É natal aqui dentro, minha gente.
E a vontade é de sair abraçando todo mundo.
É natal aqui dentro.
Eu não sei como tá la fora, mas aqui o pisca-pisca não para.

Quase.
escrito por Rosa
Hoje poderia ter sido um dia difícil: as más notícias têm corrido pela minha vida como maratonistas nos 50 metros finais, competindo inclusive para ver qual me baqueia mais. Eu tenho dormido muito pouco, o que significa que a minha resiliência está em queda constante. O fim de semestre é cansativo e a estrada hoje - pra quê tanto quilômetro, meu deus? - quase me entendiava.
Quase.
Eu sei que, da janela que miro o céu agora, a cor que predomina é cinza. Abandonei meu manjericão sem água e voltei e me deparei com ele murchinho. Os cactos denunciam que tem feito pouco sol aqui em casa, tem feito quase nenhum sol dentro de mim.
Quase.
Se você olhar com cuidado pra minha mão direita, o tendão está inchado. Os cotovelos meio arroxeados de ficarem apoiados demais. A lombar nem se diga, que ora tô em pé por 12 horas, ora sentada escrevendo. Meu corpo forte de sempre está quase fraco.
Quase.
Se você consultar o meu diário, vai ler coisas doloridas e uma autoimagem que precisa se construir. Vai ver mais partidas que chegadas e um coração cansado de amar por todos. Folheando as últimas páginas, entre meus poemas errados e uns carimbos perdidos, você vai encontrar uma silhueta que foi apagada com custo. Ela quase não se identifica.
Quase.
Quase.
Quase porque a estrada longa foi para receber colo de mãe e o abraço dos amigos. Quase porque o cinza do tempo traz um ventinho gostoso pela janela, que brinca do meu cabelo, cada dia mais bagunçado. Quase porque o manjericão e os cactos sabem que o sol que traz o verde de volta se esconde uns dias, mas volta brilhando forte na manhã seguinte.
Porque eu sou da manhã, da alegria, da disposição, da vontade de mudar as coisas.
Há dias em que eu quase esqueço disso. Mas é só quase.

Quase.
Eu sei que, da janela que miro o céu agora, a cor que predomina é cinza. Abandonei meu manjericão sem água e voltei e me deparei com ele murchinho. Os cactos denunciam que tem feito pouco sol aqui em casa, tem feito quase nenhum sol dentro de mim.
Quase.
Se você olhar com cuidado pra minha mão direita, o tendão está inchado. Os cotovelos meio arroxeados de ficarem apoiados demais. A lombar nem se diga, que ora tô em pé por 12 horas, ora sentada escrevendo. Meu corpo forte de sempre está quase fraco.
Quase.
Se você consultar o meu diário, vai ler coisas doloridas e uma autoimagem que precisa se construir. Vai ver mais partidas que chegadas e um coração cansado de amar por todos. Folheando as últimas páginas, entre meus poemas errados e uns carimbos perdidos, você vai encontrar uma silhueta que foi apagada com custo. Ela quase não se identifica.
Quase.
Quase.
Quase porque a estrada longa foi para receber colo de mãe e o abraço dos amigos. Quase porque o cinza do tempo traz um ventinho gostoso pela janela, que brinca do meu cabelo, cada dia mais bagunçado. Quase porque o manjericão e os cactos sabem que o sol que traz o verde de volta se esconde uns dias, mas volta brilhando forte na manhã seguinte.
Porque eu sou da manhã, da alegria, da disposição, da vontade de mudar as coisas.
Há dias em que eu quase esqueço disso. Mas é só quase.

Mulher inteligente é sexy...até a página dois.
escrito por Rosa
São 9 da manhã de um feriado e faz pelo menos uma hora que estou estudando para terminar a minha tese de doutorado, que tem tirado meu sono, minha diversão e minha capacidade de seguir a vida. Mas isso é assunto para outro dia.
Enquanto estudo, uma amiga e um amigo me ajudam com algumas coisas da tese. Ambos muito inteligentes, professores e caros ao meu coraçãozinho. Enquanto ela faz apontamentos incríveis sobre o resumo, com ele falo sobre o tema, que inclui violência contra a mulher. Ao que chegamos à violência sutil e naturalizada sofrida por mulheres classe-média branca letradas, como eu.
Eu sei que no cômputo geral, essa violência é quase miúda, mas é inegável que ela reproduza estereótipos violentos que carecem urgentemente de desconstrução. O estereótipo da mulher inteligente... Mas não muito.

Eu sou privilegiada: estudei nas melhores escolas possíveis da minha cidade, tenho pais muito bem formados que sempre me ofereceram conhecimento cultural, tenho um irmão 6 anos mais velhos que foi um verdadeiro mentor intelectual para mim, apresentando filme, arte visual e literatura desde que eu era muito pequena. Em resumo, eu sou uma mulher inteligente - como qualquer uma -, mas com privilégios culturais.
Mas homem odeia isso.
E você, OMI, via me dizer NEM TODO HOMEM...

Vem cá, estamos falando estruturalmente, sobre ESTEREÓTIPO, ok?
Continuando: HOMEM ODEIA ISSO.
Homem odeia se a gente sabe mais sobre qualquer coisa e, citando meu amigo: isso desempodera a gente de uma forma...
E tudo bem que vocês foram treinados para sofrer com isso, mas o que me incomoda é saber que euzinha já me banquei de menos sabida ou mais tonta ou bem ingênua ou menos capaz para dar espaço para o caro poder me salvar com seu imenso conhecimento intelectual.
E ouvi, de vários, que inteligência é sexy e afrodisíaco...mas só até a página 2, mores, que é aquela página em que ele percebe que a gente manja muito mais que eles em determinado assunto.
E tô escrevendo esse texto nesse feriado lindo de estudos para lembrar minhas alunas que:
sendo mulher, não basta ser boa, tem que ser ÓTIMA. Estudem nesse feriado, mesmo. E se um dia isso impedir - e vai - um homem de se aproximar de você, faça a gentileza de agradecer ao universo que livrou você do embuste.

A subestimação do beijo
escrito por Rosa
[eu sempre aviso que esse texto não que cagar regra na sua vida, porque né, isso é um blog, não é receita de médico, nem dieta. Só estou divagando e tal, não sofra se você não se reconhece]
Eu gosto de beijar. MUITO. Gosto mesmo. PRA CARAIO. tipo muito MESMO. E não sou só eu, posso garantir. Andei jogando essa pergunta em grupos de mulheres na internet e, apesar de existirem exceções, a maioria gosta muito de beijar, especialmente na boca.
Sinto saudades dos tempos de adolescentes em que a gente ficava até com dor no pescoço de tanto beijar a mesma pessoa. Vish, se ela tivesse aparelho fixo então, a boca saía até dormente. E beijo bom era beijo longo, não essas mixarias que os adultos dão achando que tão arrasando.
E veja, por que eu tô falando disso?
Eu tô falando disso porque já me foi relatado, por mais de uma pessoa diferente, que estamos sofrendo, próximos aos 30 anos, uma queda vertiginosa de beijos na boca. Casais que dão o famoso selinho de oi e tchau e só dão AQUELE beijo na boca quando vão transar.
E eu vim, em defesa dos beijoqueires desse meu braseeeeel reivindicar por mais beijo. Gente, beijo é universalmente a melhor coisa. Eu arrisco a dizer que, se eu tivesse duramente que escolher, prefiro beijo a sexo.
Além de ser, de longe, a melhor preliminar que existe, beijo é bom, carinho, conexão, forma de mostrar que se importa. Eu sei que quanto menos meu beijo, menos eu gosto da pessoa. E a maior certeza que a vida me trouxe foi que os meus relacionamentos podiam ser compreendidos pela quantidade/qualidade dos beijos: sempre que o beijo diminuía, tava perto do fim. Pode ser coincidência? Pode. Mas eu desconfio seriamente que não. Beijo é minha forma favorita de receber amor.
Eu era dessas que nem beijava com bafo de sono ou durante o almoço até conhecer uma pessoa que dizia que não se importava e gostava de beijar mais que eu - se é que era possível. Desde então, sou dessas que beija de qualquer jeito, por qualquer motivo. Sou dessas que acha que beijo conecta mais que qualquer coisa e comunica o indizível. Acho que beijo é bom quando não significa nada além do prazer de beijar;mas é absolutamente incrível quando é o caminho mais curto para explicar o que a gente sente.
ps: rolou em todos os tópicos uma CRÍTICA FERRENHA aos homens que tem "nojinho" de beijar depois de sexo oral (afffffffffff) . MAS ISSO É TRETA PRA OUTRO POST.
Eu gosto de beijar. MUITO. Gosto mesmo. PRA CARAIO. tipo muito MESMO. E não sou só eu, posso garantir. Andei jogando essa pergunta em grupos de mulheres na internet e, apesar de existirem exceções, a maioria gosta muito de beijar, especialmente na boca.
Sinto saudades dos tempos de adolescentes em que a gente ficava até com dor no pescoço de tanto beijar a mesma pessoa. Vish, se ela tivesse aparelho fixo então, a boca saía até dormente. E beijo bom era beijo longo, não essas mixarias que os adultos dão achando que tão arrasando.

E veja, por que eu tô falando disso?
Eu tô falando disso porque já me foi relatado, por mais de uma pessoa diferente, que estamos sofrendo, próximos aos 30 anos, uma queda vertiginosa de beijos na boca. Casais que dão o famoso selinho de oi e tchau e só dão AQUELE beijo na boca quando vão transar.
E eu vim, em defesa dos beijoqueires desse meu braseeeeel reivindicar por mais beijo. Gente, beijo é universalmente a melhor coisa. Eu arrisco a dizer que, se eu tivesse duramente que escolher, prefiro beijo a sexo.


Eu era dessas que nem beijava com bafo de sono ou durante o almoço até conhecer uma pessoa que dizia que não se importava e gostava de beijar mais que eu - se é que era possível. Desde então, sou dessas que beija de qualquer jeito, por qualquer motivo. Sou dessas que acha que beijo conecta mais que qualquer coisa e comunica o indizível. Acho que beijo é bom quando não significa nada além do prazer de beijar;mas é absolutamente incrível quando é o caminho mais curto para explicar o que a gente sente.
fiquem com o clipe da minha vida, que me faz salivar cada minutinho:
Eu não aguento mais competir
escrito por Rosa
Esse não é um texto para cagar regra na sua vida, é um desabafo sobre a minha vida que pensei em compartilhar porque pode fazer sentido para mais pessoas...
Eu sou uma pessoa muito competitiva. Não sei bem como isso começou, mas as histórias da minha mãe sempre foram sobre como eu arrumava briga com as pessoas que não faziam do meu jeito a brincadeira. Eu lembro de competir desde muito novinha e juro que a pobre da mamãe tentou me fazer não ser tão 'sangue-no-zoio', mas não dava certo: eu me esforçava loucamente para vencer qualquer coisa. Queimada, jogo de handball, stop, jogo de baralho, nota de prova. E aí que comecei um ciclo do qual tento me livrar até hoje:competir comigo mesma.
Isso porque chega em determinado momento que as pessoas em volta já não importam. Eu competia com minha última nota alta, sempre alcançando a próxima. Dentro de mim, sempre me impus metas que me frustravam de maneira absurda quando eu não atingia. Sempre ambiciosa demais - não por dinheiro, mas por desafios - me obrigada o tempo todo a ser bem melhor do que eu tinha sido até então. Sempre vivi no limite da minha superação intelectual. No limite tênue da completa exaustão.
Uma vez, um namorado que eu amei muito me escreveu em um post-it quadrado - que eu guardo até hoje - uma das coisas mais importantes da minha vida (que ficou gravado bem fundo em todas as feridas que fiz até hoje): gente grande também sorri.
Eu tinha acabado de conseguir meu primeiro emprego formal, e estava absolutamente exausta, cansada, no limite da minha força física: tentando me formar, ficar firme no trampo e passar no mestrado. E sofrendo horrores porque não conseguia ser excelente em nada, e fazia tudo "do jeito que era possível".
Hoje, eu sei que "o jeito que é possível" não é o que eu queria. Mas não se enganem: ainda tem muito chão e terapia pra isso não me deixar desolada. Hoje eu sei que eu não posso me deixar cair na lógica da competitividade, especialmente em relacionamentos interpessoais. Tenho fugido muito e me isolado cada vez mais para não me relacionar com quem precisa se reafirmar muito, ou é muito inseguro, ou frágil ou com o ego que precisa ser alimentado. Nada contra que essas pessoas existam,mas longe de mim.
Menos amigos, mais qualidade na relação. Fujo de tudo que possa cobrar de mim mais do que eu já me cobro. Eu sou a pior carrasca que poderia ter me imposto. Todos os dias - todos os dias - eu preciso dizer a mim mesma que eu não preciso ser melhor do que fui, mas mais saudável.
E vida que segue.
Eu sou uma pessoa muito competitiva. Não sei bem como isso começou, mas as histórias da minha mãe sempre foram sobre como eu arrumava briga com as pessoas que não faziam do meu jeito a brincadeira. Eu lembro de competir desde muito novinha e juro que a pobre da mamãe tentou me fazer não ser tão 'sangue-no-zoio', mas não dava certo: eu me esforçava loucamente para vencer qualquer coisa. Queimada, jogo de handball, stop, jogo de baralho, nota de prova. E aí que comecei um ciclo do qual tento me livrar até hoje:competir comigo mesma.
Isso porque chega em determinado momento que as pessoas em volta já não importam. Eu competia com minha última nota alta, sempre alcançando a próxima. Dentro de mim, sempre me impus metas que me frustravam de maneira absurda quando eu não atingia. Sempre ambiciosa demais - não por dinheiro, mas por desafios - me obrigada o tempo todo a ser bem melhor do que eu tinha sido até então. Sempre vivi no limite da minha superação intelectual. No limite tênue da completa exaustão.

Uma vez, um namorado que eu amei muito me escreveu em um post-it quadrado - que eu guardo até hoje - uma das coisas mais importantes da minha vida (que ficou gravado bem fundo em todas as feridas que fiz até hoje): gente grande também sorri.
Eu tinha acabado de conseguir meu primeiro emprego formal, e estava absolutamente exausta, cansada, no limite da minha força física: tentando me formar, ficar firme no trampo e passar no mestrado. E sofrendo horrores porque não conseguia ser excelente em nada, e fazia tudo "do jeito que era possível".

Hoje, eu sei que "o jeito que é possível" não é o que eu queria. Mas não se enganem: ainda tem muito chão e terapia pra isso não me deixar desolada. Hoje eu sei que eu não posso me deixar cair na lógica da competitividade, especialmente em relacionamentos interpessoais. Tenho fugido muito e me isolado cada vez mais para não me relacionar com quem precisa se reafirmar muito, ou é muito inseguro, ou frágil ou com o ego que precisa ser alimentado. Nada contra que essas pessoas existam,mas longe de mim.
Menos amigos, mais qualidade na relação. Fujo de tudo que possa cobrar de mim mais do que eu já me cobro. Eu sou a pior carrasca que poderia ter me imposto. Todos os dias - todos os dias - eu preciso dizer a mim mesma que eu não preciso ser melhor do que fui, mas mais saudável.
E vida que segue.
Andar com fé eu vou..
escrito por Rosa
Como vive quem não tem fé alguma? Ecoando na cabeça a música do Gil, fiquei me perguntando se realmente existe gente no mundo que não tem fé em absolutamente nada, nadinha: nem religião, nem santos, nem pulinhos, nem fitas ou pedras, nem incenso, nem tarô, nem nos astros ou sequer nas pessoas.

Não acho que fé seja algo necessariamente vinculado com religião. E quando digo que não sei se as pessoas sem nenhuma fé existem é porque realmente tenho dúvidas se o ser humano dá conta de viver seus dias e lidar com a própria vida sem acreditar que existe algum propósito no rolê: nem que seja o único propósito de existir, e só. Ter fé não é necessariamente ter uma esperança positiva nas coisas, mas talvez dispor de uma energia em acreditar que vai, sim, fazer sentido - veja que fazer sentido, para mim, não significa necessariamente dar certo.
Puta esforço diário que é entender que as pessoas são mais do que elas nos proporcionam enquanto sentimento. A gente quer - muito, mas muito mesmo - sentir determinadas coisas e fica achando que uma pessoa é absolutamente responsável por nos propiciar isso. Mas as pessoas não são e se a gente se relacionar com elas esperando sentir o que a gente desejaria sentir, bem... você já deve ter percebido que dá errado.
A mágica acontece quando o que a pessoa deseja fazer e viver coincide com o aquilo que você pretendia/gosta de sentir. Sorte de alguns, mas uma sorte eventual e efêmera. O amor não é isso mesmo, Carlos?

É porque o amor é isso, hoje ama e amanhã não se sabe, que eu preciso de fé. Fé de que as pessoas surgem na nossa vida para ensinar alguma coisa. Fé de que acordar todos os dias de manhã pode nos fazer encontrar o inesperado e sentir o que a gente nem sabia que gostaria de sentir. Fé de que a gente faz diferença hoje na vida de alguém. Fé em deus, para quem é de deus. Fé em você mesmx. Fé de que o melhor propósito que a vida pode ter é não ter nenhuma ideia do que virá amanhã.
E amanhã pode ser absolutamente incrível. E você sequer acreditaria se eu tivesse contado isso ontem, então.
Eu escolho ficar com a fé, que a fé não costuma faia.
A sua autoestima não é só sua
escrito por Rosa
É possível construir uma autoestima SOZINHA sem que isso NÃO PASSE pelo outro?
Eu acredito sinceramente que não. Claro que podem existir exceções que venham negar meu ponto de vista, mas, pensando em filosofia e o pouco de psicologia que aprendo com a Iasmini, eu tendo a achar que não, mesmo mesmo. O outro importa, muito. Por isso que eleger quem será o nosso outro é tão, mas tão importante. Vamos falar um pouco de autoestima?

1. Escolha um outro que CONHEÇA e AME você
Uma das nossas ações mais frequentes é dar ouvidos a alguém de fora e, assim, emprestar os olhos dos outros para nos enxergar. Nada mais natural, eu acho. O problema é que andamos frequentemente escolhendo as pessoas erradas para isso: pessoas que ou não nos conhecem, ou não nos amam, ou, pior: podem até nos amar, mas estão imersas em uma estrutura de competição tão grande que nos valorizar significa, na cabeça delas, a auto diminuição.
2. A competição é ensinada
Aliás: vamos tentar não julgar essas pessoas? Nada mais parte desse mundo do que aprender que o brilho alheio NECESSARIAMENTE ofusca o nosso, portanto, às vezes a pessoa não é má, só não está instrumentalizada para conseguir olhar para o outro sem deixar de olhar para si.
3. Não existe amor "porque sim"
Sabe aquela coisa: "toda mãe acha o filho lindo?". Então, nem toda mãe; inclusive, algumas podem ser as que mais mutilam a autoestima de algumas pessoas. O pai, idem. Namorado, idem. "Ah, mas você namora...": alô, namorar pode significar se sentir pior consigo mesma que melhor. Namoro não garante cuidado. Então, não se iluda achando que por ser um relacionamento TEORICAMENTE embasado em amor ele é de amor. Alguns relacionamentos supostamente de amor podem ser abusivos. E aí fica tudo difícil.
4. Não acredite em tudo que está nas redes sociais
Olha, a gente fala muito de amor próprio e amar a si mesma em primeiro lugar. Mas, calma aí: a gente também sabe que não é da noite para o dia e que, geralmente, essa não é uma tarefa solitária. Inclusive, muitas pessoas relatam que melhoraram a autoestima começam a publicar fotos de si mesma. É isso, sabe? A gente adora julgar mulheres empoderadas que mostram o próprio corpo e esquece que isso é mega revolucionário em um mundo feito para gente se odiar. Além de revolucionário, é um lembrete que o amor pode nos chegar. O ônus é que esse amor pode vir acompanhado de ódio, daí é a hora de saber filtrar o que levar ou não para a nossa vida. Não é uma tarefa fácil. O excesso, até de good vibes, faz mal.

5. A gente não se ama todos os dias loucamente
Eu sei bem que olhando por fora, todos os dias, a gente na rede social e tal, faz com que você acredite que a gente se acha GATA DEMAIS 24 horas/7 dias por semana.
Vem cá
NÃO É VERDADE.
Tem dia que eu peço elogio para o boy, porque tô me sentindo horrorosa, que abraço a melhor amiga dizendo tô um lixo. Tem dia que eu optaria sequer ser vista.
A diferença entre a gente é que eu já entendi que
1. tudo bem não se achar linda sempre
2. me sentir mal com meu corpo tem mais a ver com o mundo do que comigo
3. não quero passar nenhuma vontade por estar habitando nele
4. a beleza tem formas, cores e caras infinitas: inclusive a minha
5. Minha autoestima depende do outro
MAS NUNCA
JAMAIS
JAMÉ

de qualquer outro: é preciso escolher com muito carinhos as retinas que vamos pegar emprestadas!
Eu acredito sinceramente que não. Claro que podem existir exceções que venham negar meu ponto de vista, mas, pensando em filosofia e o pouco de psicologia que aprendo com a Iasmini, eu tendo a achar que não, mesmo mesmo. O outro importa, muito. Por isso que eleger quem será o nosso outro é tão, mas tão importante. Vamos falar um pouco de autoestima?

1. Escolha um outro que CONHEÇA e AME você
Uma das nossas ações mais frequentes é dar ouvidos a alguém de fora e, assim, emprestar os olhos dos outros para nos enxergar. Nada mais natural, eu acho. O problema é que andamos frequentemente escolhendo as pessoas erradas para isso: pessoas que ou não nos conhecem, ou não nos amam, ou, pior: podem até nos amar, mas estão imersas em uma estrutura de competição tão grande que nos valorizar significa, na cabeça delas, a auto diminuição.
2. A competição é ensinada
Aliás: vamos tentar não julgar essas pessoas? Nada mais parte desse mundo do que aprender que o brilho alheio NECESSARIAMENTE ofusca o nosso, portanto, às vezes a pessoa não é má, só não está instrumentalizada para conseguir olhar para o outro sem deixar de olhar para si.
3. Não existe amor "porque sim"
Sabe aquela coisa: "toda mãe acha o filho lindo?". Então, nem toda mãe; inclusive, algumas podem ser as que mais mutilam a autoestima de algumas pessoas. O pai, idem. Namorado, idem. "Ah, mas você namora...": alô, namorar pode significar se sentir pior consigo mesma que melhor. Namoro não garante cuidado. Então, não se iluda achando que por ser um relacionamento TEORICAMENTE embasado em amor ele é de amor. Alguns relacionamentos supostamente de amor podem ser abusivos. E aí fica tudo difícil.
4. Não acredite em tudo que está nas redes sociais
Olha, a gente fala muito de amor próprio e amar a si mesma em primeiro lugar. Mas, calma aí: a gente também sabe que não é da noite para o dia e que, geralmente, essa não é uma tarefa solitária. Inclusive, muitas pessoas relatam que melhoraram a autoestima começam a publicar fotos de si mesma. É isso, sabe? A gente adora julgar mulheres empoderadas que mostram o próprio corpo e esquece que isso é mega revolucionário em um mundo feito para gente se odiar. Além de revolucionário, é um lembrete que o amor pode nos chegar. O ônus é que esse amor pode vir acompanhado de ódio, daí é a hora de saber filtrar o que levar ou não para a nossa vida. Não é uma tarefa fácil. O excesso, até de good vibes, faz mal.

5. A gente não se ama todos os dias loucamente
Eu sei bem que olhando por fora, todos os dias, a gente na rede social e tal, faz com que você acredite que a gente se acha GATA DEMAIS 24 horas/7 dias por semana.
Vem cá
NÃO É VERDADE.
Tem dia que eu peço elogio para o boy, porque tô me sentindo horrorosa, que abraço a melhor amiga dizendo tô um lixo. Tem dia que eu optaria sequer ser vista.
A diferença entre a gente é que eu já entendi que
1. tudo bem não se achar linda sempre
2. me sentir mal com meu corpo tem mais a ver com o mundo do que comigo
3. não quero passar nenhuma vontade por estar habitando nele
4. a beleza tem formas, cores e caras infinitas: inclusive a minha
5. Minha autoestima depende do outro
MAS NUNCA
JAMAIS
JAMÉ

de qualquer outro: é preciso escolher com muito carinhos as retinas que vamos pegar emprestadas!
Independência ou morte
escrito por Rosa
Acordei assustada porque não tinha posto despertador. MEU DEUS, AS AULAS. É feriado, professora, calma. Fiquei feliz, fiz um xixi e pensei: "vou dormir até cansar". Antes disso, ainda pensei: "feriado do que mesmo?". Feriado de independência. Ri sozinha da polissemia da coisa e igualmente sozinha me estiquei na minha cama imensa e pensei: que delícia essa tal de independência.

Sabia que hoje era dia de texto meu no blog, mas deixei para escrever a hora que desse a vontade. Bateu agora, uma vontade imensa de perguntar pra você: do que você não está livre?
Tem muita coisa me prendendo ainda nessa vida, mas fico satisfeita de saber que eu tô afrouxando esses laços dia a dia. Quando a gente deixa de precisar do outro e passa a fazer de tudo uma escolha, a vida fica mais fácil, e os amores mais verdadeiros. Eu não falo só de amor romântico, não. Vejo algumas pessoas que precisam visitar os pais, do contrário os pais arrumam briga etc. Minha família me convida a vir e os convido a vir me ver porque eu quero e eles querem, nunca houve obrigação. Nem em dia das mães, nem em dia dos pais. Sempre achei lindo isso neles. É tipo a minha melhor professora de literatura, que nunca precisou cobrar chamada para ter a sala cheia. Que bonitas são as coisas escolhidas e não impostas.
Não tem anarquismo nisso. Eu adoro regras, mas eu odeio ordens. Em sala de aula regra faz sentido, ordem não faz. Em namoro escolhas fazem sentido, obrigações não.
Ouvi esses dias uma metáfora linda num podcast sobre divórcio: eu passei um tempo da minha vida tentando encaixar um quadrado em um círculo. Eu entendo bem disso: sou dessas pseudo-mártires-do-amor-e-outras-drogas que tento encaixar quadrado em círculo: não dá. O seu namorado não vai mudar, seu chefe não vai mudar, seu corpo não vai mudar (drasticamente), E MAIS IMPORTANTE
Você não vai mudar

Na verdade, não sei vocês. Eu não vou mudar.
Que eu tenho um prazer imenso de ter ESCOLHIDO continuar ser eu mesma, independentemente.
Esse é meu grito de liberdade, qual é o seu?
5 formas de me ofender com sucesso
escrito por Rosa
Esses dias, contestei uma postagem que achei machista, de uma pessoa que gosto/admiro. Recebi, como comentário do meu comentário, assim: “que chata”. Não sei se a pessoa tentou me ofender, mas ela não conseguiu. Aí, eu que sou generosa, fiquei me perguntando se eu não podia fazer algo por essa pessoa que queria tanto me machucar. Daí resolvi elaborar essa lista de 5 formas bem sucedidas de me ofender:
1. Não me chame de gorda, diga que eu nunca terminei de ler “Os Sertões”.
É recorrente que as pessoas, quando querem me ofender, me chamem de gorda. Fico me perguntando, mas peraí: eu escrevo para o Maggníficas, JUSTAMENTE um blog que fala sobre ser gorda. Eu uso gorda como modo de me definir, eu peso mais de 90 quilos, eu uso manequim 46/48, OU SEJA, sou gorda. Como também sou branca, como também tenho pés grandes: são várias características físicas. Como é que a pessoa acha que me chamando de gorda ela poderia estar me ofendendo?

migo, não está ofendendo
Em contrapartida, eu me sinto a professora de literatura mais fajuta quando falo da treta jornalismo X literatura sendo que NUNCA, nunquinha, nenhuma vezinha, eu terminei de ler o clássico do Euclides da Cunha. Aí, é meu ponto fraco.
2. Não me chame de feminista, diga que eu não sei – nem nunca saberei – falar alemão.
Na mesma lógica da “gorda”, tentam me ofender me chamando de uma bandeira que eu carrego comigo, a do feminismo. Não entendo como eu posso ter escrito um LIVRO sobre o assunto e alguém achar que isso me ofende de alguma forma. Ah é, tem a vertente vaca feminista. Meu deus, vacas são tão fofas, por que eu me ofenderia?
isso é exatamente no que acreditopor você, eu dançaria tango no teto
x
Que me ofender? Não diga que eu sou feminista, porque isso eu sou mesmo, diga assim: você já tentou, mas é incapaz de aprender alemão. Sou mesmo, que língua difícil, meu deus!
3. Não me chame de chata, diga que eu erro sempre o ponto dos doces
Vamos lá, primeiro. Uma definição sobre “chato(a)”:
adjetivo substantivo masculino
fig. que ou o que é maçante, enfadonho ou insistente; que ou o que aborrece, perturba ou preocupa.
Maçante, enfadonho, para uma pessoa que fala bosta, eu quero ser. Insistente, perturbadora e preocupante para alguém que acredita o oposto do que eu acredito: É MEU MAIOR OBJETIVO.
Eu amo ser chata. Eu tento aperfeiçoar todos os dias minha chatice, sabe?

Hermione me representa
Agora se tem um negócio foda é ponto de doce. Cozinho qualquer salgado, mas doce: desanda, fica mole ou duro demais, fica com ou sem açúcar. UM SACO. Nunca haverá um doce meu que as pessoas vão comer e dizer: arrasou!
4. Não me chame de “sapatão”, diga que eu já tive crush no Maurício Mattar
Eu não sei em que mundo a orientação sexual de alguém é ofensiva. Mentira, sei sim, no mesmo em que Bolsonaro é bem aceito: um mundo burro, violento, lesbofóbico, escroto. A orientação sexual nunca deve envergonhar alguém. “AH, MAS EU NEM SOU GAY/LÉSBICA”, mas mesmo assim: se te ofende que imaginem que você seja, é porque talvez o lgbtfóbico seja vocezinho.

O gênero de quem nos apaixonamos é irrelevante para o nosso caráter, já ter crush no Maurício Mattar…

RUN, FORREST, RUN
5. Não me chame de grossa, diga que eu tenho lua em câncer
É bem comum as pessoas – GERALMENTE HOMENS – dizendo que eu sou grossa, ‘bossy’, mandona. Acho curioso que eu digo exatamente a mesma coisa que eles, mas quando eu digo, de repente, fico GROSSA.
Fico pensando que se grosseria é imposição de ideia, não submissão, não me rebaixar às coisas que supostamente eu fui treinada a me submeter, pois bem: QUE BOM QUE EU SOU GROSSA!

Aliás, certeza que eu tava falando com você?
Agora, algo que é foda nessa minha personalidade é a lua em câncer: porrã, como eu choro à toa. É vendo bebê cantando, é lendo poema, com homenagem de aluno. Sabe, era pra eu ser uma taurina com ascendente em escorpião toda poderosa e vem ESSA PORRA DE LUA EM CÂNCER E FODE TUDO.
ASSIM NÃO DÁ.

Aqui, bebê, dei todas as dicas de como me ofender com jeitinho, acrescente aí que: eu canto mal, não tenho ritmo, não consigo gostar de whisky e não decorei a ordem do sonho intenso/amor eterno no hino nacional, e pronto: já pode me xingar.
Beijas.
texto originalmente publicado em Marcella Rosa
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