Conchinha.
escrito por Rosa
Na casa dos meus pais eu durmo melhor. Sempre é assim. Desde que eu saí da casa dos meus pais, eu durmo melhor lá. Mesmo que agora eu tenha uma casa com quarto melhor, cama maior, lençol macio e cheiroso. Parece que, estando lá, eu capoto. Volto em alguma medida a ser criança e dormir profundamente, como se os meus pais, no quarto ao lado, fossem capaz de impedir que qualquer problema encoste em mim. É de uma capacidade de relaxamento que eu nem sei descrever.
Outra coisa que adoro é dormir no colo da minha mãe, no sofá, enquanto ela e meu irmão assistem futebol. O som do narrador embala, o cafuné e a paz. A paz que só uma criança - que não tem problema nenhum - tem. Uma paz que é difícil experimentar na vida adulta.
Quando comecei a me relacionar com meu namorado, já fui logo me incomodando com os horários dele: eu acordo e durmo cedo, ele acordava e dormia tarde. Como isso já tinha acontecido antes, eu sabia como seria: eu dormindo antes, acordando antes e passando um bocado de raiva.
Eu não sabia como seria, não com ele. De fato, ele dorme depois de mim e acorda depois, mas ajeitou seu horário para, pelo menos - ainda que não durma - deitar comigo. E, ali, deitado, ele me embala o sono, lendo ou assistindo alguma coisa, mas comigo.
Eu tenho dormido tão profundamente. Eu tenho acordado com a sensação boa de quem dormiu no sofá e magicamente acordou na cama. Eu tenho sentido, adulta e na minha própria casa, a paz de espírito do meu sono infantil. É como se no abraço dele não tivesse como alguma coisa me atingir. Nem meus pesadelos. Nem a ansiedade que carrega com ela a insônia. Nada. Eu durmo, capoto: é como se eu pudesse explodir de gratidão por um abraço representar a volta a uma sensação que eu achei impossível reconstruir.
Eu tenho alguns minutos de inveja, é verdade, porque eu saio da minha cama antes do próprio sol resolver que é hora do dia começar. É verdade também que eu queria desligar o despertador e passar mais uns quarenta minutos agarrada naquela bagunça de cabelo que fica jogada no travesseiro. Mas isso não impede que eu levante disposta e sinta que vale à pena acordar, viver o dia, cansar tudo de novo e deixar esse cansaço do lado de fora do quarto, porque de noite eu tenho hora marcada com a paz.
Outra coisa que adoro é dormir no colo da minha mãe, no sofá, enquanto ela e meu irmão assistem futebol. O som do narrador embala, o cafuné e a paz. A paz que só uma criança - que não tem problema nenhum - tem. Uma paz que é difícil experimentar na vida adulta.
Quando comecei a me relacionar com meu namorado, já fui logo me incomodando com os horários dele: eu acordo e durmo cedo, ele acordava e dormia tarde. Como isso já tinha acontecido antes, eu sabia como seria: eu dormindo antes, acordando antes e passando um bocado de raiva.
Eu não sabia como seria, não com ele. De fato, ele dorme depois de mim e acorda depois, mas ajeitou seu horário para, pelo menos - ainda que não durma - deitar comigo. E, ali, deitado, ele me embala o sono, lendo ou assistindo alguma coisa, mas comigo.
Eu tenho dormido tão profundamente. Eu tenho acordado com a sensação boa de quem dormiu no sofá e magicamente acordou na cama. Eu tenho sentido, adulta e na minha própria casa, a paz de espírito do meu sono infantil. É como se no abraço dele não tivesse como alguma coisa me atingir. Nem meus pesadelos. Nem a ansiedade que carrega com ela a insônia. Nada. Eu durmo, capoto: é como se eu pudesse explodir de gratidão por um abraço representar a volta a uma sensação que eu achei impossível reconstruir.
Eu tenho alguns minutos de inveja, é verdade, porque eu saio da minha cama antes do próprio sol resolver que é hora do dia começar. É verdade também que eu queria desligar o despertador e passar mais uns quarenta minutos agarrada naquela bagunça de cabelo que fica jogada no travesseiro. Mas isso não impede que eu levante disposta e sinta que vale à pena acordar, viver o dia, cansar tudo de novo e deixar esse cansaço do lado de fora do quarto, porque de noite eu tenho hora marcada com a paz.
ele quem desenhou
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Somos Marcella Rosa e Marina Sena, parceiras no blog, na luta e na vontade de mudar - nem que seja um pouquinho - o mundo. O Maggníficas é um pouco de nós, porque aqui tem moda democrática, empoderamento feminino e amor próprio. Nosso foco é a sororidade e a vivência plena de todos os corpos, porque acreditamos que somos todas maggníficas e que todo mundo pode tudo!
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O aconchego é o melhor sonífero... em qualquer lugar... mas nada substitui o dos pais e colo de mãe cura tudo!
ResponderExcluirAmei seu texto!
xoxo