Então fez-se o Natal

escrito por Rosa


Novembro foi cruelzinho comigo, deixou aquele gostinho ruim de que tinha alguma coisa muito errada na ordem das coisas. Foi tão amargo amarguinho que eu mal pude sentir o gosto bom da uva passa que invade a minha vida (ainda mais em dezembro). Chegou o dia primeiro e eu ainda não tinha montado árvore alguma, tava sem gosto de pintar de verde e vermelho (minha combinação de cor favorita) essa casa que já é ela toda um vermelhão só. Eu tava cinza, igual que nem andava o céu.

Um dia a Carla tirou do fundo do armário minha toalha de mesa do Natal. Eu, que por essa não esperava, senti que tinha um aviso dela e do mundo: dezembro sempre foi um mês de felicidade, Marcella.  Sempre virão os presentes, as surpresas e as boas notícias.

Assim, com a toalha de Natal incentivando ao fundo, criei coragem e busquei as caixas de coisas natalinas no maleiro.  Abri uma, peguei o enfeite de porta e um outro que eu adoro. Coloquei sobre a mesa. Já havia mais Natal que antes, mas nada que se comparasse ao que usualmente acontece.

Minha família leva Natal muito a sério e tudo bem se você acha espírito natalino uma merda. Pra mim, é uma coisa bem mágica, sabe? Eu moro longe de casa há dez anos, mas eu sei que em dezembro vai ter colo de mãe - e não é só de fim de semana - que meu pai vai abrir nozes pra mim depois do almoço, com as próprias mãos, porque ele é todo meu herói. Meu irmão, todo ano, diz que não vai dar presente e me dá um super legal. Vai ter jantar na casa do padrinho, e a minha tia tomando vinho comigo.

Hoje acordei mais tarde.  Fazia dias que eu não dormia tão bem. Acho que semanas. Talvez meses. É como se o próprio espírito natalino me jogasse pra fora da cama e me fizesse ter aquela velha gana de viver de antes. A Marcella, que acha graça até mesmo em clichê, montou uma árvore torta, com luzes desembaraçadas de pisca pisca, que estão agora iluminando essa noite linda de segunda-feira.
As ruas tem menos luz que antes - é a crise.
Ainda não comprei panetone.
Ainda não encontrei meus pais - tá chegando!

Mas é Natal aqui dentro.
com presépio
com vontade de dizer tudo aquilo que, por medo, a gente cala o ano todo.

É natal aqui dentro, minha gente.
E a vontade é de sair abraçando todo mundo.

É natal aqui dentro.

Eu não sei como tá la fora, mas aqui o pisca-pisca não para.

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