Desabafar importa!

escrito por Marina Sena


Ontem compartilhei no meu instagram pessoal uma foto de uma viagem que fiz recentemente - e na legenda, um desabafo e tanto:

Quem me vê plena assim não imagina o caminho que foi chegar até aí. Demorei pra querer escrever, viu? Precisava entender o que aconteceu, viver os sentimentos que senti e lidar com o fato de me expor sem querer parecer fraca/frágil - a gente nunca quer parecer assim, né? Essa trilha foi a mais dura da minha vida. Não foi a mais extensa, não foi a mais complexa, mas foi a mais difícil: do meio para o final me assustei, meus batimentos ficaram muito mais intensos do que o comum numa trilha, e me senti muito mais cansada do que de costume. Perto do final, eu ficava cada vez mais cansada e a cada 5 passos eu precisava parar. Ficou realmente complicado: minha pressão caiu, tive vontade de voltar, de chorar, de sentar ali e não sair mais... Importante dizer que pude contar com o incentivo de quem amo. Mesmo assim não consegui mais curtir o caminho, queria chegar no topo mas não sabia mais se conseguiria; então comecei a me sentir derrotada, fracassada e com medo, mas de 5 em 5 passos eu seguia - parando, cansada e com a cabeça cheia de pensamentos. Essa trilha mexeu demais comigo, externa e internamente. Precisei desconstruir tudo para recomeçar e seguir, para pensar que era normal eu me sentir assim naquele momento - mas que eu podia ficar em paz comigo assim mesmo - toda força e respostas que eu precisava estavam dentro de mim. Não precisava me culpar ou julgar, porque sei que sou capaz do que eu quiser. De 5 em 5 passos eu cheguei. E deitei. Não vi a vista lá de cima, coloquei a mão no rosto e chorei. Como boa virginiana que sou, fiquei feliz em fazer o que havia me proposto. Nossa, eu estava feliz demais por ter conseguido, mesmo nessas condições; tanta coisa passou pela minha cabeça! Precisei ficar uns minutos quieta, até ir me acalmando e então começar a apreciar a beleza que me rodeava. O inesperado muda nossa vida mesmo com desespero e não sabendo lidar na hora; ele abre nossos olhos para o que não estávamos enxergando. Aprendi que a dor sempre serve pra alguma coisa, respirar fundo também. Consegui aproveitar a magia que era estar ali em cima, ainda mais grata por estar ali naquele momento.


Eu sou dessas que precisa de um tempo para processar as coisas, seja de tristeza ou afobação. Penso e funciono melhor depois que reflito por um tempo, e até mesmo por isso que evito de tomar decisões precipitadas. Na maioria das vezes, esperar funciona pra mim.

Mas ultimamente tenho percebido ainda mais a coisa boa que é também compartilhar nossos sentimentos de medo, fracasso, fragilidade. Histórias e pensamentos que não saímos por aí contando para todo mundo, seja por vergonha ou por qualquer outro motivo.

Tenho um pouco de dificuldade para falar, mas tenho certeza absoluta do bem que me faz quando divido o que estou pensando. Nem sempre penso nesse bem no auge do sentimento, mas me expor para alguém que amo sempre ajuda demais.

Ajuda demais porque a gente na maioria das vezes se surpreende: a pessoa não tá te vendo como alguém derrotado como você se vê nesse momento. Você recebe amor, doses de reflexão e de quebra, ainda pode se surpreender com a história parecida que aquela pessoa tem. E você percebe que a ligação de vocês é muito mais forte, porque ela é sustentada em todos os momentos, e não somente nos bons. Você descobre mais afinidade, cria mais identificação, conexões e laços.

Escrevo para me lembrar de tentar fazer isso sempre. De falar, de compartilhar, não me calar, não me esconder. No máximo, o pior que pode acontecer, é a gente colocar pra fora e ninguém nos ouvir, mas até aí você já desengasgou um monte e - tô aprendendo - "só" desabafar já importa!


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