Eu não aguento mais competir

escrito por Rosa


Esse não é um texto para cagar regra na sua vida, é um desabafo sobre a minha vida que pensei em compartilhar porque pode fazer sentido para mais pessoas...

Eu sou uma pessoa muito competitiva. Não sei bem como isso começou, mas as histórias da minha mãe sempre foram sobre como eu arrumava briga com as pessoas que não faziam do meu jeito a brincadeira. Eu lembro de competir desde muito novinha e juro que a pobre da mamãe tentou me fazer não ser tão 'sangue-no-zoio', mas não dava certo: eu me esforçava loucamente para vencer qualquer coisa. Queimada, jogo de handball, stop, jogo de baralho, nota de prova. E aí que comecei um ciclo do qual tento me livrar até hoje:competir comigo mesma. 

Isso porque chega em determinado momento que as pessoas em volta já não importam. Eu competia com minha última nota alta, sempre alcançando a próxima. Dentro de mim, sempre me impus metas que me frustravam de maneira absurda quando eu não atingia.  Sempre ambiciosa demais - não por dinheiro, mas por desafios - me obrigada o tempo todo a ser bem melhor do que eu tinha sido até então. Sempre vivi no limite da minha superação intelectual. No limite tênue da completa exaustão.

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Uma vez, um namorado que eu amei muito me escreveu em um post-it quadrado - que eu guardo até hoje - uma das coisas mais importantes da minha vida (que ficou gravado bem fundo em todas as feridas que fiz até hoje): gente grande também sorri. 

Eu tinha acabado de conseguir meu primeiro emprego formal, e estava absolutamente exausta, cansada, no limite da minha força física: tentando me formar, ficar firme no trampo e passar no mestrado. E sofrendo horrores porque não conseguia ser excelente em nada, e fazia tudo "do jeito que era possível".

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Hoje, eu sei que "o jeito que é possível" não é o que eu queria. Mas não se enganem: ainda tem muito chão e terapia pra isso não me deixar desolada. Hoje eu sei que eu não posso me deixar cair na lógica da competitividade, especialmente em relacionamentos interpessoais. Tenho fugido muito e me isolado cada vez mais para não me relacionar com quem precisa se reafirmar muito, ou é muito inseguro, ou frágil ou com o ego que precisa ser alimentado. Nada contra que essas pessoas existam,mas longe de mim.

Menos amigos, mais qualidade na relação. Fujo de tudo que possa cobrar de mim mais do que eu já me cobro. Eu sou a pior carrasca que poderia ter me imposto. Todos os dias - todos os dias - eu preciso dizer a mim mesma que eu não preciso ser melhor do que fui, mas mais saudável.

E vida que segue.


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