A quem você pertence?

escrito por Rosa


Esse texto não tem qualquer pretensão científica, eu quero - mas ainda não fui - um dia pesquisar sobre isso no campo da psicopedagogia. Como eu não tenho tempo e isso ainda é um blog livre de quaisquer avaliações capes, vim partilhar com vocês - e receber de volta as impressões - sobre o poder do sentimento de pertencimento.

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Tenho percebido cada vez mais, especialmente em sala de aula, o tamanho do problema que a falta de uma conexão mais profunda com alguém ou algo pode gerar, especialmente com adolescentes (mas não se enganem, conosco é igualzinho, já que somos, basicamente, adolescentes que disfarçam a crise existencial cotidiana). Quando falo nesse pertencimento, quero retratar esse desejo humano de porto-seguro, confiança plena, afago, cuidado. Imagino que o primeiro pertencimento deveria ser aquele vindo da nossa família. Tem coisa mais reconfortante que saber que tudo pode dar errado, mas aquela pessoa - mãe, pai, tio, padrinho, vó etc, etc - vai receber você de braços abertos e dizer que, a despeito de todo o resto, vai ficar tudo bem? Imagino que não. Eu que associo afeto à comida, acrescentaria ainda uma comida quentinha a esse abraço. Um bom chá ou café. Um vinho ou uma cerveja. Enfim...

Além desse abraço, tem aquela coisa boa do reconhecimento. Nós, os "Silva" somos assim: e naquele bando de gente cheia de defeito encontrar os seus próprios e sentir uma empatia imensa e curiosa por aqueles com quem você aprendeu a reproduzir o mundo.

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Depois a escola: é gostoso pertencer a sua escola. Odiar a própria escola deve ser a coisa mais perturbadora que pode existir para o aprendizado de um aluno: não se sentir parte, acolhido, cuidado. Que tristeza. Afinal, é lá que nasce a base do que entenderemos o resto da vida sobre coletivo e vida em sociedade...

Por fim, os amigos e os amores. A idade nos mostra que amigo para bater um papo há vários - e que bom que eles existem - mas aqueles que são redutos, são poucos. Únicos, talvez. Olho pra minha amiga e penso: "essa é a minha garota". Sabe, não é no possessivo do minha e de mais ninguém, mas eu sei que eu pertenço a ela - faço parte dela - e ela pertence a mim.

Almejo isso em relacionamentos amorosos, também. Por vezes tive, por outras não. Claro que esse tipo de relacionamento não vem do dia pra noite, é uma construção diária e cotidiana. Mas vejo pouco sentido - talvez nenhum - em estar em um relacionamento estável se eu não tiver a sensação de que aquela pessoa está para mim. Está, mesmo. Ali, do lado: dividindo de verdade a vida.

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Diante de tudo isso, diante de um mundo todo fragmentado nas suas relações, confuso, rápido, efêmero, que pensa no imediatismo: a quem a gente pertence? Famílias passando noções de sucesso, mas não de parceria. Escolas ensinando conteúdo específico, mas não ética; amigos para a cerveja de comemoração, mas não para aquela do dia merda; namoros que existem no hoje, mas não podem cogitar o depois.

Resultado: a gente totalmente desesperado tentando encontrar algo a que pertencer. Do time do crossfit, da academia, da galera da firma, dos fãs de The Walking Dead, da galera que vai toda sexta naquela bar. E não faz mal, sabe? O mal é que isso passa. E se a gente não cultiva o pertencimento verdadeiro, com amor, cuidado, responsabilidade afetiva e disponibilidade, a gente acaba parado no bloco do eu sozinho.


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