Serás o meu amor, serás a minha paz.

escrito por Rosa


Leio e releio os manuais da internet e concluo, incansavelmente, que não é nada fácil se relacionar, mas eu quero, porque é você. Andei perdendo a conta dos números que apostei nessa nossa história mal contada e me confundo a inventar (re)começos que nunca existiram, ou que seriam incríveis ainda que você me jurasse juradinho que foi tal qual eu contei. Reconto histórias ficcionais todos os dias para os 813 seres que vivem dentro de mim e com quem você dialoga tão bem - melhor que eu, talvez? - e me lembro da voz calma do Deleuze (você viu esse vídeo? Eu te mandei, entre mensagens honestas e saudades doloridas, mas acho que você perdeu) dizendo que, enfim, amar é entender o quê de loucura que habita o outro. Ou trazer paz. Eu não sei se eu classificaria como paz, porque para poder assim dizer que é, eu precisaria conhecer a paz. Ninguém reconhece o que nunca viu e eu te digo, honestamente, eu não faço a mínima ideia do que seja se sentir em paz. Eu não nasci na paz, ou eu não sei o que é paz. Fico achando que é budismo com yoga e veganismo, talvez uns chacras e uma canga com Shiva. Mas isso não é paz.  Tô brincando, mas é sério. Tem, eu sei, eu desconfio, na velocidade das aquarelas e de pedir as contas assim correndo; há uma centelha de paz que se transforma bem rápido em fogo dentro de mim, mas é paz, talvez seja, eu não faço a mínima ideia das cores que constroem um espectro de paz. Paz me lembra marasmo e amor, pra mim, é essa loucura que você loucamente renega. Como é que eu posso falar em paz quando vivo na intensidade da guerra interna, entende? É lógico que quando eu me afogo em seu abraço eu sinto a proteção de uma fortaleza. Quando você me abraça, e vem o clichê, eu fico inatingível. Absolutamente inatingível. Mas... Acontece que. A verdade é que eu sinto uma inveja danada do seu desprezo maluco por momentos que viraram memórias, mas é porque eu acho que aprendi que a gente só pode se envolver com quem deixa marcas reais de loucura na gente. É você é tão íntegro, mesmo. Você é todo ali, respirando e vivendo a segurança em forma de abraço que eu dou pra você cegamente. O que você não vê - mas sabe, sente - é que nesse abraço vai escorrendo também um monte de outras coisas inomináveis, porque se eu pudesse dar o nome, se eu soubesse como dar nome, talvez fosse a palavra que mudaria o meu modo de viver. Na exaustão que mescla o meu abraço com o seu, transborda o incalculável perímetro do medo que eu sei, vai, talvez, quem sabe, levar você de mim

(enquanto eu grito baixinho pra você ficar porque, afinal, em paz, eu te amo)

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estica a mãozinha, dá aqui...


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