Outra pessoa

escrito por Marina Sena


Dia desses me ocorreu um pensamento que me fez realmente entender algo que eu já acreditava (na teoria, mas nunca pensei muito na prática): a outra pessoa é outra pessoa.

Calma. Vou explicar.

Muito das nossas relações com as pessoas - sejam da família, amigos ou parcerias românticas - vêm do quanto nos identificamos com o outro. Geralmente, nossos relacionamentos se dão por afinidades, mais do que a ideia de que os opostos se atraem.

E quando uma pessoa que a gente gosta concorda com a gente, tá beleza, né? Mas quando ela discorda avidamente ou age de uma maneira que não esperaríamos, as vezes o nosso mundo fica prestes a cair.

Nunca enxergamos a outra pessoa como ela realmente é. A gente enxerga o que ela significa para nós, a gente enxerga o que esperamos dela. Nós esperamos das pessoas coisas baseadas no que vivemos, o que significa que também esperam de nós coisas que nem passam pela nossa cabeça.

Passei pela experiência de enxergar a outra pessoa como ela é: é um exercício e tanto, mas com o tempo vai ficando mais fácil (ou menos difícil). Percebi com isso, principalmente, que a gente idealiza demais, nossa. Muito, mesmo. Quando a gente se dá conta de que, realmente, não temos controle de nada e nem de ninguém, passamos a ver ao invés de só olhar: uma pessoa com suas imperfeições, histórias, vivências, pensamentos e vontades, que também decidiu ficar conosco, o que faz disso muito mais do que almas gêmeas: é muito mais bonito escolher ficar!

Tudo fica mais leve e sabemos que a outra pessoa é mais uma pessoa no mundo (assim como todos nós) (o que não a torna menos especial), sem a romantização do idealismo, aceitando ideias com mais facilidade e compreendendo as escolhas do outro quando a gente não concorda, criando menos expectativas.


Tudo fica mais simples e passamos também a ver mais parceria e companheirismo nessas relações. Escutamos mais abertamente, com menos cobrança e julgamentos, com mais interesse e empatia. Sem exigências, sem achar que podemos mudar o outro, porque não podemos mesmo.


Exigir é talvez a ação que mais destrói uma relação. Exigir é um tipo de violência. Exigimos com o olhar, exigimos com atitudes indiretas, exigimos incessantemente até ao pensar nos outros. Quem somos nós para interromper uma pessoa no meio da rua e forçá-la em alguma direção? E o que muda quando essa pessoa vive conosco há 10 anos?
Quando me dei conta do que estou contando aqui, lembrei desse questionamento dO Lugar


A chave de tudo aqui é o respeito. Enxergar que todos temos nossas vidas independente de outras pessoas, de outras circunstâncias. Isso tudo é muito óbvio, mas como disse lá no começo, era óbvio na teoria. Na prática, ver dessa maneira teve um impacto tão grande na minha vida que eu me sinto muito mais feliz agora, comigo mesma, com os outros, com o mundo. A outra pessoa é outra pessoa, ela é livre, e que maravilhoso é poder viver isso 



(sobre o tema, indico a leitura do texto "Só conhecemos uma pessoa quando ela morre", do Gustavo Gitti, coordenador dO Lugar)


Nenhum comentário:

Postar um comentário


Somos Marcella Rosa e Marina Sena, parceiras no blog, na luta e na vontade de mudar - nem que seja um pouquinho - o mundo. O Maggníficas é um pouco de nós, porque aqui tem moda democrática, empoderamento feminino e amor próprio. Nosso foco é a sororidade e a vivência plena de todos os corpos, porque acreditamos que somos todas maggníficas e que todo mundo pode tudo!

maggnificas@gmail.com