Não foi isso que eu quis dizer.

escrito por Rosa


Quando a gente ensina línguas, uma das coisas mais desafiadoras é ensinar a pessoa a se expressar da forma como ela queria. Não é nada raro um aluno vir pra mim e dizer que eu dei uma nota injusta. Eu sei o que aconteceu: ele não quis ter escrito aquilo. Mas eu sempre pergunto: não quis, tudo bem, mas escreveu, não foi?

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Geralmente, para um aluno perceber que escreveu algo oposto ao que pretendia, eu só peço que ele leia pausadamente em voz alta - ou mesma leio, facilitando a percepção. A questão é: a pessoa precisa se escutar para perceber que o que ela disse - mesmo livro de toda má intenção - não foi legal.

Mas quando falamos de produção de texto, falamos de um interlocutor esvaziado de vivência. Mesmo nas propostas de redação mais realistas, a figura ali não vai ler, de fato, o seu texto - isso se ela existir e não for uma criação da prova.

Agora transporte isso para o dia a dia. A gente sabe que só se a gente considerasse a polissemia, isto é, o quanto de significados uma mesma palavra pode ter, a gente ficaria mais quieto na hora de dizer algo para alguém: "você é estranho"; "eu não gosto disso em você"; "você me envergonha"; etc
podem ser as coisas mais leves do mundo ou motivo de um trauma gigantesco.

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Vamos piorar AINDA MAIS: transporte esses adjetivos para o ouvido de um adolescente em fase de construção da própria identidade e faça com que um autoridade profira isso: mãe, pai, professor... Tcharã: a receita perfeita para construir ou destruir a autoestima de quem não faz ideia de quem é ou do que pretende ser.

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Ser adolescente é um negócio sério demais, não é mimimi. É ali, especialmente ali, que a autoestima se constrói e dá vazão (ou não) para relacionamentos abusivos, comportamentos destrutivos, dificuldade de confiança no outro.

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Escrevo como professora, como adolescente que fui, mas principalmente como alguém que tá ligada que ou é isso ou a gente segue condenando a nossa juventude ao sofrimento, diário e calado, da não-aceitação.


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