"Meu peso é minha força"

escrito por Marina Sena


Ei, gente. Eu já tinha uma ideia de texto para escrever hoje, mas li uma publicação de manhãzinha que me deixou tão feliz e animada em começar o dia, que nada mais justo do que dividir aqui com vocês, porque todo O MUNDO devia ler esse depoimento!


Eu não ia fazer isso. Sério. Não ia mesmo. Mas hoje, hoje eu acordei tão na merda. Mas tão, tão na merda. NÃO queria sair de casa. Mas aí fui assistir MM pela segunda vez e reparei em coisas que não tinha reparado que me causaram uma alegria tão grande e uma percepção de mim mesma tão gigante moço que, olha. Cresci.
Eu me odiava. Serião. Ódio mesmo. De rasgar a carne. Tem dias que ainda não sou muito fã de mim, mas antes, antes era ódio puro. Não sabia o significado de amor próprio, pensava que era o nome pra festa de gente magra. Tinha medo de mim. De caber, de servir, de sonhar. Era tanta coisa que uma caixa era pequena pra saber e contar as coisas ruins que fiz a mim mesma. Inclusive confiar e continuar em um relacionamento só porque pensei que era o que podia conseguir.
Mas aí, em um dia de aula uma menina me liga, com uma voz tão ansiosa, nervosa, me pedindo pra participar de um filme, de uma entrevista sobre "oq era ser gorda";.... Respirei fundo. Liguei pra minha mãe e fui. Não sabia que GORDA era filme. Só cheguei lá, falei, chorei, chorei mais e sorri, gargalhei, abracei, vivi em um dia tudo oq não cabia dentro de mim. E fui. Na fé.
O meu relacionamento acabou. Perdi o chão. Minha vida parou no sofá. O curta saiu. Minas me dizendo "você mudou minha vida" "Obrigada". QUE? Quem? Não sou eu. Oq? Vi o curta. Chorei. Não queria mais ser aquela pessoa, queria mais, queria sorrir. Queria viver. Queria levantar e produzir. Criar. Sorrir.
Então, oq aconteceu? Depois de cinco anos sem ir, depois de vinte anos usando maiô: Euzinha, na arrogância de achar que o mundo é meu, taquei um biquíni nas bunda e fui me embora pra praia. Paquerar. Tomar sol, nadar, saudar Iemanjá, a Mãe, sair com a bunda cheia de areia. Me amar. E o poder que senti foi tão grande, foi tão intenso.
E depois do filme de hoje percebi. Eu sou a minha Deusa. Eu sou a minha Mulher Maravilha e todo o meu amor é só meu. Só pra mim. E não tem nada que me tire isso, e meu peso? Ah querida, meu peso é minha força ♥

"Sou Dandara, tenho 25 anos, artista plástica e escritora."


Demais, não é?! Amei mil vezes!!! Super emocionante e verdadeiro: todos esses sentimentos conflituosos, que caminham para emoções de calmaria - e de força ao mesmo tempo. Todas nós temos essa força. Todas nós podemos. Todo mundo pode tudo e juntas somos MUITO mais fortes!

Ah, o curta é esse aqui:

           

**reproduzido com autorização da Dandara, essa maravilhosa**


2 comentários:

  1. Fiquei tão emocionada com esse texto.Eu vivi essa libertação uns 6 meses atrás.Sou mulher com deficiência física,vivi anos me escondendo,com vergonha dos olhares das pessoas.Essa sensação que ela descreve é a mesma que eu senti.Impressionante como essa força feminina nos liga como se fôssemos uma.A opressão é tão visceral que quando nos amamos esse sentimento libertador une todas nós.Parabéns Dandara,por ter soltado suas correntes e de outras minas também.Sinta-se abraçada!

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  2. É tão maravilhoso ler isso, esse conteúdo, essa força descrita tão lindamente em palavras. Me conforta. Me dá forças. É tão bom ver o quanto podemos crescer, e nos enxergar como realmente somos. Lindas! Você é linda!

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Somos Marcella Rosa e Marina Sena, parceiras no blog, na luta e na vontade de mudar - nem que seja um pouquinho - o mundo. O Maggníficas é um pouco de nós, porque aqui tem moda democrática, empoderamento feminino e amor próprio. Nosso foco é a sororidade e a vivência plena de todos os corpos, porque acreditamos que somos todas maggníficas e que todo mundo pode tudo!

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