A mídia é racista, gordofóbica e misógina. Ah vá!

escrito por Rosa


Oi, vim escrever sobre o óbvio: a mídia é cruel.

Na minha timeline circularam, ontem, duas imagens/ notícias:



E ai começou o Santo Ofício do Facebook: uns julgando a Carol Conka, outros a Guta, outros (ainda bem) criticando a espetacularização midiática da dor - tudo em prol de um padrão.

Mas eu vim falar o óbvio-não-tão-óbvio para alguns: recortes no padrão estético.

É claro que a Carol Conka rompeu milhões de coisas e vem fazendo um serviço excelente - enquanto formadora de opinião de grande alcance - no que diz respeito ao empoderamento de mulheres. Isso, porém, não a impede de, enquanto humana, estar dentro da lógica do padrão estético e ceder a ele para se sentir confortável. Além disso, e talvez mais importante ainda, ela é uma mulher negra e pobre, e a gente sabe muito bem que nunca foi atribuída, à categoria a que ela pertence, a possibilidade de ser o ideal estético.

A Guta é branca, mas - diz o texto - perdeu o contato com a globo, com o fim da grande família, quando estava "gorducha". Em nenhum momento, a fala de Guta dá a entender que a morte do pai ou o fim do contrato foram positivos, a associação é toda feita pelo veículo - absolutamente irresponsável - que compartilhou essas informações. A gordofobia ajudou a demitir Guta, a despeito do fato de ela ser uma humorista excelente.

É o capitalismo que solicita que a gente se adeque ao padrão para poder entrar no sistema e ganhar dinheiro; para, ganhando dinheiro, a gente gaste tentando chegar a um padrão inalcançável.

TER CONSCIÊNCIA DISSO NÃO SIGNIFICA SER PLENAMENTE CAPAZ DE FAZER DIFERENTE.

Especialmente porque ESTAMOS INSERIDOS e AFOGADOS nessa lógica, sem saber distinguir desejos reais de desejos impostos.

O que a gente precisa fazer (eu, pessoalmente, não prevejo mudanças drásticas do sistema político) é tentar sucumbir o mínimo possível para ser feliz (tem gente que consegue muito mais que eu, tem gente que menos, foda-se) e acima de tudo NÃO SE CULPAR E NÃO CULPAR OUTRAS PESSOAS.

Por fim, e mais importante: quem tem algum "poder" de transmitir ideias, relembrar sempre - os mais jovens - que nada, NEM SEQUER O CAPITALISMO, é mais importante que a nossa vida, com todas as belezas, amarguras e dores dela. Viver é prioridade: eu não aguento mais ver adolescente sofrer.

Daí, vamos sim ESCULHAMBAR a mídia reprodutora de violência e ACOLHER essas mulheres, tão parecidas conosco na nossa dor.

Pensando, todo dia: nem vem, padrão estético. Essa paz de espírito você não pode perturbar.


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