Aos meus pais

escrito por Rosa


Não é dia das mães ainda, nem aniversário de ninguém - apesar de que o do papai taurino tá chegando - e eu não os vejo faz algumas semanas. A despeito disso, não é só saudade, não. É um agradecimento público, sob a forma de um texto que há muito tempo vem sendo escrito dentro de mim e agora chega até vocês.



Eu sempre fui muito grata aos meus pais e a nossa relação sempre foi de muito carinho. Nem mesmo na época da adolescência eu tive aqueles clássicos problemas de adolescentes com pais. Pelo contrário, meus pais adoravam receber meus amigos e não houve nada que eu tenha vivido que eu não tenha querido compartilhar com eles.


Depois eu cresci, fiquei velha, e comecei a trabalhar e a vida vai exigindo mais de mim do que sempre.  E eu enverguei mais que o normal. E morar longe e sentir falta.
Toda vez que fico muito mal (seja de saúde, seja o coração), eu corro para eles. Há um tempo, uma pessoa que me conhece muito bem os conheceu e disse que entendia o processo de cura que havia em reencontrar os meus pais. Deles, provem a fonte de um carinho inesgotável, construtivo, reparador, doador, que me consola, mas não me deixa ali deitada, e sim me levanta, me relembra detalhadamente quem eu sou, porque sou, a que vim pra essa vida e porque quero agir do jeito que eu ajo.

Nenhuma estrutura se constrói sozinha. Alguém foi ali e colocou, tijolo por tijolo, para  que fosse possível que dali se levantasse algo.


Todas as vezes que eu conheço uma pessoa e essa pessoa passa a ser importante pra mim, costumo gostar de conhecer sua família - não significa que só pai e mãe, pois são diferentes figuras que criam as pessoas - porque isso me explica muito melhor quem é a pessoa, como ela age, porque ela age como age, com que olhos ela vê o mundo.


Uma grande prova de carinho que eu posso oferecer às pessoas é apresentar os meus pais a elas. Eu não gosto de que qualquer pessoa conheça as pessoas mais importantes pra mim. Além disso, quem os conhece, pode ler a minha alma. Lê e entende meus gestos, lê e entende meu modo de conduzir as coisas, meus temperos, meu gosto musical, minhas roupas e meu batom vermelho. Meus pais - e meu irmão - estão embrenhados em mim como se fossem parte das minhas células, dos meus cabelos, do que há de meu em mim.


Assim, a resposta para a pergunta - "como é que cê guenta?" - que tanto tenho ouvido nos últimos dias, sempre vai ser a mesma:
eu nunca estou só, eu tenho eles.



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