Não fez mais que a obrigação, mas eu agradeci

escrito por Rosa


Às vezes, o mundo é tão bosta e a gente tromba com gente tão ruim e cruel, que, só porque outra pessoa faz o que deveria se esperar para um bom convívio, a gente fica com um perigoso sentimento de gratidão. 

Sim, gratidão é um belo sentimento, então se digo que pode ser perigoso é porque fico pensando o quanto a gente pode se anular com gratidão. A gente faz isso - e digo por experiência própria - por achar que não merecia TUDO AQUILO, que era, talvez, o mínimo para um relacionamento saudável.

Então, listei algumas coisas que a gente deveria lembrar que são partes do que se pensa sobre amor/companheirismo e não uma ação que impossível, desmesurada, ou que a gente não mereça.

1. Cuidar:

Cuidar uns dos outros é o que a gente deveria fazer enquanto humanidade; se a gente incapaz, tem muito mais a ver com o fato de que entramos numa lógica competitiva do que não fazer parte da nossa natureza. Cuidar um do outro, da saúde psicológica e física, é o mínimo que as pessoas deveriam fazer, especialmente se elas se amam.

2. Dar segurança (e não se achar fraco por isso):

O que a gente mais quer nessa vida é se sentir seguro, porque o mundo já traz insegurança até nós por diferentes meios. Às vezes, a gente acha que é normal - porque nos é normalizado isso - que relacionamentos incluam insegurança, medo de perder o tempo todo, ciúme obsessivo, ausências longas, distanciamento, solidão. Não: a gente devia se relacionar com portos seguros, fontes de calma e alegria, algo que nos permita ir além da dor do cotidiano. Ficar longe do seu companheiro e saber que ta tudo bem assim não deveria ser um luxo.

3. Valorizar (não só criticar)

É claro que críticas são importantes e ajudam as pessoas a crescerem, mas, de novo, o mundo já nos impõe um padrão estético-comportamental inatingível e nos violenta por não o atingir; os chefes criticam, os professores criticam, e, vamo combina, não tá fácil pra ninguém: o abraço que aninha tinha sempre que nos mostrar que há algo de muito positivo naquele ser, afinal, a gente escolheu estar perto dele.


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4. Não competir entre si

A consequência nefasta do item 3 é que, não raro, amigos e amores caem numa competição sem fim: quem trabalha mais, quem está mais cansado, quem ajuda mais ao outro, quem está com mais dor, quem precisa de mais isso ou aquilo. Ao invés de acolhimento, passamos a ser a pior pessoa para se conviver, aquela que nos lembra o que não conseguimos ainda.

5. Não expor

É claro que você vai falar do seu namorado para sua melhor amiga, terapeuta, vai falar para sua mãe. Mas o que me incomoda muito é ver casais, ou mesmo amigos, que criticam publicamente o outro e dão os pormenores de suas atitudes, especialmente porque, na maioria massacrante das vezes, não fizeram essa crítica para a própria pessoa. A ideia é expor, não melhor. A piada do 'a fera lá em casa me esperando', feita por homens héteros, os mesmos que dizem que 'casar é um erro' é uma das coisas mais execráveis que se pode imaginar. Daí que é tão comum, que quando conhecemos alguém que não nos expõe a gente fica achando que é sortuda: isso é o mínimo.

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6. Não comparar

Seres humanos são universos inteiros. Não dá para ficar achando que a sua amiga devia ser igualzinha a outra, ou que seu namorado deveria agir igual ao seu ex, ou que sua sogra poderia fazer como sua mãe. Vivemos sempre comparando, mas isso deteriora relacionamentos. É tão maravilhoso se sentir querida por ser quem você e não por não ser x ou y. Não é?

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7. Não ter medo de dizer que gosta

Não faltam textos que elenquem o quanto vivemos uma geração que se valoriza pelo não demonstrar sentimentos. Empiricamente, já constatei que as pessoas menos confortáveis e acomodadas são aquelas para as quais não demonstramos tanto assim que gostamos. Várias pessoas já me disseram que eu deixo os meus relacionamentos seguros demais e por isso eles erram comigo. Não, não, eu me recuso. Eu não vou nunca parar de dizer que gosto, que acho lindo, que acho incrível enquanto eu achar tudo isso. Já experimentou ouvir da pessoa que você curte o quanto ela gosta de você? Pois é...é incrível, e raro. E deveria ser normal. O campo da expressão verbal também é uma forma de existir.

8. Ter empatia com a dor

Na lógica dos relacionamentos competitivos, não há espaço para a empatia. Mas devia haver. Se você, sendo homem cis, nunca vai sentir cólica menstrual, isso não justifica que não possa acolher uma mulher que sinta. E aí, quando trombamos com alguém que não faz ideia do que é ser quem a gente é, mas se esforça loucamente para dividir a nossa dor, estamos diante de alguém que entendeu que qualquer relacionamento - de amizade ou amor - precisa de empatia. E isso é o mínimo.

9.  Ser leal e ético

Isso não é uma ode a relacionamentos monogâmicos, como algumas pessoas podem imaginar. Se tá combinado diferente, tá combinado. Ética e lealdade tem a ver com trair, mas trair não é só pegar outra pessoa: o combinado do casal deve ser respeitado, o combinado da amizade também. Não traia, não espalhe segredos, não faça diferente. E se você encontra alguém ético, não estranhe. Deveria ser a regra.

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10. Fazer do que é de um ser dos dois
A luta de um deveria ser a luta de ambos. Demorei a entender que não são gostos iguais que unem pessoas, mas valores. Não é possível amar uma pessoa e não acreditar no que ela acredita, porque senão, como é a gente vive uma coisa junto? Dividir é importante, pizza, vida, seriados: mas dividir ideologias, sonhos, tentativas de mudar o mundo, isso é incrível, incomparável, maravilhoso. Já me peguei esses dias me sentindo tão sortuda por estar com alguém que compra as minha tretas. Mas, pera lá, é isso mesmo: a gente tem que estar aqui é pra dividir. Se não for, ficamos pelo quê?

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Amar não é fácil, seja amigos ou companheiros românticos. Amar exige doação, carinho, remodelar uma parte da vida e abrir mão do egoísmo. Nem todo mundo está pronto pra abrir mão, a gente tinha que se lembrar disso e não insistir no que não pode dar frutos.

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