Nadei pelada

escrito por Marina Sena


Já nadei numa cachoeira sem a parte de cima do biquíni, e foi maravilhoso: água de cachoeira é energizante demais! Mas eu tenho uma coisa com o mar que merece ser levada em consideração.



Mas eu hesitei. Tirei o biquíni já dentro do mar e o coloquei antes de sair. 

Eu ainda estava me escondendo. Quis tirar novamente, mas hesitei de novo, e uma sensação estranha tomou conta de mim. Não exatamente por ter vergonha de tirar a roupa... Mas com uma sensação de estar fazendo algo que não é natural. 

Parei em frente ao mar, de biquíni, e fiquei ali por uns minutos.
E passou TANTO pela minha cabeça.

Sempre pensei na ideia de nadar pelada como algo libertador. Nunca fui numa praia de nudismo, por falta de oportunidade mesmo, e também não sou a maior fã de sutiãs - a não ser que eles estejam como símbolo de expressão, e não de opressão - porque gosto de conforto, gosto de naturalidade, gosto da sensação de liberdade de andar sem eles por aí. 

Mas na hora do ~vamo vê~ eu tive que parar por uns minutos.

Concluí os pensamentos dizendo em voz alta: "são corpos, né?". Tirei o biquíni e entrei no mar. Era eu quem estava ali, comigo mesma e com o mar, de corpo e alma. 

Depois, foi tão natural. Como se fosse pra ser assim. E a sensação de estar fazendo algo estranho deu lugar a sensação imensa de estar no meu lugar, de estar bem comigo mesma, também porque fiz o que queria fazer. E por ter sido tranquilo, calmo, sem pressão. Aquela insegurança inicial não fazia mais nenhum sentido! 

Meu corpo é o melhor e mais bonito que eu poderia ter. Ele me proporciona essas sensações e experiências, e um grande aprendizado. Não me preocupei com as gordurinhas, em ver como estava a depilação ou outras coisas ruins que poderiam ser relacionadas ao meu corpo. Fiquei muito grata a ele, por estarmos ali. 



É claro que toda essa sensação inicial tem fundamento nos vários padrões a que somos submetidas desde sempre, da hipersexualização do corpo feminino e da pressão pelo corpo perfeito; mas quem disse que o meu não é? Ele estava lá bem quando eu quis, bem quando ele só precisou ser ele mesmo: um corpo saudável que carrega toda minha história. É um corpo, o meu corpo, e eu não posso fazer menos do que amá-lo ainda mais e lutar para que seja cada vez mais livre! 

O que eu aprendi nisso tudo é que tudo bem hesitar. O que importa é o que a gente faz depois: como lidamos com o que sentimos, com nosso corpo, com nossas vontades. Vou guardar essa lembrança por toda vida, e espero que muitas de vocês possam também experienciar essa coisa toda que é se sentir interligada com tudo, se encontrando, se aceitando, olhando com mais respeito e carinho para você mesma. 

Atrevam-se!


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Somos Marcella Rosa e Marina Sena, parceiras no blog, na luta e na vontade de mudar - nem que seja um pouquinho - o mundo. O Maggníficas é um pouco de nós, porque aqui tem moda democrática, empoderamento feminino e amor próprio. Nosso foco é a sororidade e a vivência plena de todos os corpos, porque acreditamos que somos todas maggníficas e que todo mundo pode tudo!

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