As minhas datas

escrito por Rosa


Eu já falei em outros textos de como me divirto vendo Modern Family, né? Apesar de alguns estereótipos, no cômputo geral das coisas, é a minha série favorita atualmente - talvez perca para OITNB, mas ela só tem uma vez ao ano..,

Enfim, no seriado tem a deusa Sofia Vergara, no papel de Gloria:


E a Gloria é maravilhosa, por mil motivos, mas o motivo de hoje que me fez ter vontade de falar dela é um episódio em que ela marca uma comemoração com o marido, mas ele não lembra exatamente que data eles estão comemorando. Afinal, ela comemora o primeiro beijo, a primeira janta, a primeira noite, a primeira viagem, etc.



O que eu queria ao falar disso? 1: ter várias fotos da Sofia Vergara no meu post; 2: falar do quanto eu gosto de datas e coisinhas e lembranças e memórias. Não tô falando só de relacionamentos românticos, não. Eu gosto de lembrar datas como: dia que dirigi sozinha primeira vez, minhas formaturas todas, meu primeiro beijo (9 de dezembro, inesquecível), meu primeiro carnaval. Eu amo contabilizar anos, sabe? Faz 10 anos que estou na UNICAMP. Acho símbolos em tudo. Quando tem 9, vai dar certo; se tiver 13, não vai. Se for 2+7, perfeito; mas 2+3, credo.

Por quê?


Porque sim seria uma ótima resposta. Porque sou louca, também.

Mas eu tentei achar uma explicação, baseada num texto incrível que li em aula com meus alunos, do Gilbert Durand, sobre imaginação simbólica. 
O texto falava sobre o poder reconciliador da imaginação, do quanto ela é capaz de equilibrar experiências dolorosas, lacunas, etc.

Olha, eu realmente não sei bem o que o Gilbert Durand fala, porque não li a obra dele afundo, só um pequeno texto numa aula, mas de repente aquilo bateu bem fundo e me explicou meu apego imaginário aos dias, às datas, às pequenas comemorações.

A vida tem passado rápido demais e eu percebo claramente isso: sua velocidade me incomoda, porque eu não tenho dado conta de aproveitar a cada segundo do modo como eu acho que deveria.
Por outro lado, gosto muito da minha vida, gosto muito de ser quem eu sou.

Por isso, e porque o tempo vai passando se a gente não segura com os dedos, e porque escorre e porque ele nem existe senão como uma lógica de calendário, eu quero comemorar os dias. É como se, comemorando as datas, eu, imaginativamente, acabasse me reconciliando com tempo que voa.

Eu te entendo, Gloria. Se eu pudesse, eu comemoraria o jantar que eu fui e que me fez enxergar o que eu já tinha visto. Eu comemoraria a troca de mensagens madrugada adentro, eu comemoraria a primeira vez que o sorriso pareceu diferente pra mim. Eu comemoraria a primeira viagem, a primeira surpresa, eu comemoraria a primeira vez que senti saudade. Eu comemoraria a data de término de alguns relacionamentos e o dia exato em que me senti feliz sozinha de novo. Eu comemoraria o dia que os alunos me disseram algo bonito e cada convite para ser paraninfa. Eu comemoraria o dia que mais vezes minha mãe me ligou e o dia que meu pai me deu copos novos. Eu comemoraria o lançamento de todos os livros do meu irmão, e quando tomei coragem de pintar pela primeira vez o cabelo. Eu faria festas de aniversário de idas ao pilates e de bodas feitas com meu urso de pelúcia tão antigo. Até as brigas eu comemoraria. Até as noites sem dormir. Até a ansiedade que não sinto mais. Até o medo teria seu dia de comemoraão.

Você que me lê acha que eu tô louca e que, somando isso tudo que eu quero comemorar aos aniversários e festas juninas, eu comemoraria absolutamente todos os dias do ano.

comemorar quer dizer lembrar junto

Você me lembra, despretensiosamente: mas se você comemorar tudo isso, não haveria dia algum sem comemoração.

E eu digo...

É exatamente isso que eu quero.

(O dia 5 de abri não é um belo dia para gente comemorar uma tentativa?)


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