Reflexões sobre 'De repente 30'

escrito por Rosa


Tem uns filmes que a gente ama e que, depois que aprende um monte de coisas, não consegue mais amar. Quando o radar do machismo, da homofobia, da gordofobia são ligados na nossa cabeça, fica difícil dizer que alguns clássicos da sessão da tarde, que marcaram nossa infância, são BONS filmes.

Ontem, assiste "Logan" no cinema. Gostei muito. Ele me lembrou um pouco a sensação que eu tive quando reassisti nas férias o "De repente 30", filme que eu amava quando era mais nova.
Claro que eu percebi a questão romântica como central, o machismo na competição entre mulheres, o estereótipo da futilidade, entre outras coisas. Mas acabei entrando naquele filme de novo e me colocando no lugar daquela mulher sendo julgada por si mesma aos 13 anos.



Dias atrás, fiz um curso de iniciação ao palhaço em são paulo e um dos exercícios era, justamente, um diálogo com a gente mesma criança. O que a nossa criança nos diria? Levamos inclusive uma foto para materializar esse diálogo.
levei essa. Eu era fofa!

Essas situações todas me fizeram pensar muito, ainda mais depois do ano de 2016 em que tanta coisa mudou na minha vida - pra melhor, muito melhor.
Será que eu me decepcionaria?
Será que eu esperava mais de mim mesma, se eu pudesse me encontrar com aquela que eu mesma projetei que seria?


Depois do filme, mas especialmente no exercício do curso, eu senti uma sensação surreal de alívio. E chorei de tranquilidade. Como é bom olhar pra própria história, que, ok, não é perfeita (acho que, aos 27 anos, eu esperava ser 'escritora profissional', mas não sei bem o que é isso hoje em dia), mas é honesta. Boa. Divertida. Rodeada de gente incrível.


Sou feliz demais onde vivo, com quem vivo. Tenho uma família que me apoia sempre. Amo meu trabalho, seja como professora, seja escrevendo. Eu não tenho a mágoa de ter passado em cima de ninguém pra chegar até aqui. O conceito de sucesso - que a gente espera é ser bem sucedida quando criança - hoje, é ser feliz e viver honestamente.
Eu sou feliz demais e vivo honestamente.
E ser feliz demais significa ter noção que tem dia que é bosta, mas que eles passam... Quando eles demoram a passar, eu tenho as pessoas certas ao meu lado, para amenizá-lo.

Aos - quase - 30, posso olhar pra Marcellinha e dizer: deu certo. E eu sabia que meu lado violento não era de todo mal. Eu aprendi a canalizar esse ímpeto e usá-lo pra lutar.

Termino essa reflexão meio piegas prometendo a mim mesma do passado: que toda minha energia de violência se volte pra lutar, sem violência, pelo lugar das mulheres nesse mundo. Amanhã é um dia importante: olha pra sua menina e faça-a morrer de orgulho.



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