O amor próprio

escrito por Rosa


A gente fica se perguntando todo dia o que é essa tal de felicidade e como é que ela chega. A gente, tem vez, fica se perguntando tanto e tão despercebido da vida, que ela vem, passa toda toda, traz as melhores coisas que a gente pode imaginar e a gente nem nota.

Dos males da vida adulta, a mais bizarra é a nossa capacidade de adaptação às coisas ruins. Quando a gente é criança e tá ruim, a gente reclama, reclama, reclama e muda. A gente não fica nas coisas ruins, sabe? Isso coisa de adulto, coisa de quem não sabe o que não tá fazendo, porque tem todo um sistema dizendo que, afinal, é assim que é.

Os biólogos me desmentiriam, mas acho que a gente perde ou esquece, quando cresce, uma válvula do coração responsável por apitar pra gente que tem gente fazendo coisa errada com ele. Essa válvula, absolutamente necessária para a sobrevivência das crianças, fica desativada ou esquecida e a gente precisa de muito autoconhecimento (no meu caso, de muita terapia) para reconhecer que o que parece bom não é tão bom assim e que a minha válvula - que antes gritava - fica dizendo baixinho que é que eu deveria fazer.

Hoje eu escuto. Às vezes, finjo que entendi errado o que ela me diz, pra que eu possa fazer o que eu quero - eita pessoa que gosta de errar!. E, fazendo o que eu não devia, escuto de longe meu corpo todo pedindo pra fazer diferente, minhas coisas saindo dos eixos.

Acho que eu aprendi a ouvir a minha válvula. Acho que eu aprendi que a felicidade, tem dias, não tem a cara que a gente acha que tem. Eu aprendi a não ficar com quem não me faz bem, mesmo que os olhos mais lindos tentem me convencer do contrário. 

Isso porque, aos trancos e barrancos, vem a maturidade. 

Maturidade é só ir pro lugar onde a nossa válvula do amor próprio canta uma suave cantiga de ninar e repousa em paz, sabendo que ali a dor não chega.




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