A quem pertence o amor

escrito por Rosa


Hoje é dia de São Valentim. As redes sociais se dividem entre os que comemoram com o entusiasmo de quem viveu essa tradição a vida toda (?) e os que se indignam com o que chamam de "pagação de pau para os EUA".

Eu não comemoro o dia de São Valentim porque não ecoa dentro de mim como data comemorativa, mas acho bonito que exista um dia em que se comemora o amor, sem que necessariamente se autodenomine 'dia dos namorados'. E só por causa disso eu acabei com vontade de falar de amor de uma maneira geral, do que tem feito sentido pra mim (alô você, do que faz sentido pra mim, tá? Isso é só um textão, não um tratado científico e universal do amor)

A questão é: amor não é recíproco

(CONTA A NOVIDADE)

Lá vai: e tudo bem não ser.

QUE?

Quando minha mãe ler isso vai pensar - mesmo que não diga - que ela me avisou isso desde sempre. Avisou mesmo, mamãe, mas eu precisei viver umas coisas doidas e doídas para materializar a informação que você sempre me deu.

Amor não é recíproco: o amor é de quem sente. Não tô falando exclusivamente de amor romântico, não. Mas de amor geral: mãe e pai, filhos e filhas, amigos e amigas. O amor é uma construção nossa sobre algo: expectativas, admirações, frustrações, eventos que nos fazem  desejar um bem irrestrito ao outro.

E é verdade que amor não dói. O que dói é a frustração da reciprocidade.
Pera: então, a gente não vai sofrer de amor?

Vai, sim. E muito! Porque tudo que o ser humano quer nessa vida é um pouco de segurança e a reciprocidade simula bem isso. Por isso que compromissos são firmados em reciprocidade: existe um acordo, ainda que tácito, que não é mais preciso ter medo, há um porto seguro ali.

Mas ela é ilusão. Eu já escrevi, em outra oportunidade, que todo mundo merecia ter relacionamentos - seja quais forem os tipos - em que você se permite ser você em todos os seus lados e, mesmo assim, saber que vai ser amado. É a maior paz de espírito que eu já senti: sei dos meus pais, meu irmão e a minha melhor amiga. Eles me amam irrestritamente. Durmo melhor por saber disso.

Agora o resto do mundo ta aí, para ser amado - e eu não desisto de amar - mas nem sempre pronto para corresponder.


Temos duas opções: sofrer ou se divertir.
Eu tenho me divertido muito com o amor: ele me visita, me conta histórias que não vão acontecer, me faz rever todas as músicas que já ouvi a vida toda, me faz sonhar com o futuro que nem vou ter.
Ocasionalmente, ele vai embora.
Depois ele volta para me fazer um cafuné.

Às vezes dói, verdadinha: mas o amor é meu, sabe? Faço com ele o que eu quiser. Se o outro lado quiser participar, vai ser muito, mas muito bem vindo.
Do contrário, vamos eu e o amor fazer poesia juntos, até o fim dos dias. Mesmo que ninguém as leia.

Promete que lê escutando isso?





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