Fala sim!

escrito por Rosa


Na internet, é muito recorrente encontrar posts e imagens pedindo que as pessoas manifestem seu carinho/amor sem medo de estragar o joguinho - as imagens que ilustram esse post são exatamente de lá.

Eu não ficava solteira há anos - muitos! - e eu tinha esquecido como as pessoas levam, de fato, a sério essa ideia de que menos é mais. Não dizer o que sente é uma espécie de garantia do sucesso. Aparentemente, a indiferença é uma moeda de troca muito valorizada.

Mas meu coração não é mercado financeiro. E eu - e pelas imagens que circulam por aí, sei que não tô sozinha - funciono na lógica oposta à pregada pelos militantes da frieza: se a pessoa não estiver aqui comigo - aqui não é físico, é aqui dentro, dialogando com o que eu tô sentindo - em breve, ela não estará lá do meu lado no sofá, no bar, no cinema.

A indiferença não me atrai em nada. Não me seduz. Não me faz desafiada e disposta a conquistar. Aliás, acho que tem muito de autodestrutivo em se empenhar em conseguir uma migalha de atenção de alguém que, supostamente, está jogando com você. Eu lá tenho cara de peça de xadrez?



Afora isso, nada mais broxante que pessoa com medo. Pessoa com medo de se envolver, pessoa com medo de gostar, pessoa com medo até de te elogiar com medo de que você, de repente, passe a querer casar e ter oito filhos com ela. Eu tenho uma pena imensa dessas pessoas. Do quanto elas devem perder por aí. A realidade é boa, mas sonhar é ótimo também. Sem garantia de realização, mesmo. Só porque a alma da gente também precisa desse respiro no cotidiano. Porque lidar com a realidade é uma merda imensa. É tão bonito se permitir explorar uma pessoa como se explora uma caixinha cheia de coisas que a gente que descobrir se gosta ou se não gosta. É como mergulhar num livro novo e passar a viver aquela realidade, mesmo que ficcionalmente, por algum momento. Não importa com quem eu esteja - namoradx, ficantx, amigxs - eu sempre tô inteira ali...

Se não for pra estar inteira, eu não vou. Não gosto de me partir.


Dito isso tudo, bom lembrar que eu não acho que as pessoas devam mentir, não. A questão é NÃO FINGIR. Se gosta, diz; mas se não gosta, não precisa inventar. 

Mas, minha gente, a vida é uma só pra gente dormir e acordar gastando poesia com quem não gosta da gente, né não?

As pessoas andam com um medo tão grande de se responsabilizar umas pelas outras que esquecem que é incrível sentir. O medo da responsabilidade tem o ônus do medo da entrega e a consequência nefasta desse medo todo é não se permitir nada...Nem o bom, nem o ruim. 

Pera lá: faz quanto tempo que uma música não conversa com você e te faz pensar em uma pessoa?
Faz quanto tempo que você não conta os dias pra algo?
Faz quanto tempo que você não sente aquela ansiedade maluca?

Eu não sei vocês, mas eu vivo disso. Minhas palavras se alimentam disso. 
(em relacionamentos longos, isso também - eu acho - não deveria se perder completamente)

Pra finalizar: por experiência própria, eu conto procês. Quem não dá conta de falar do que sente, muitas vezes - sempre? - não da conta de sentir. Não plenamente. Então é bom saber logo de cara se nesse jardim nasce flor ou não.  Não dá pra cair de cabeça em terreno seco, né não? A gente precisa de água pra dar tudo certo. 

Que semear amor é com a gente mesmo <3


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