Do meu corpo que eu amo

escrito por Rosa


(alerta para um nível máximo de clichês por texto)

Eu tô mega doente. Mesmo ler e escrever tá sendo difícil, o corpo tá mole, a febre vem e vai, dá uns calafrios bizarros. É uma amigdalite que - por azar - se complicou. Tô sendo medicada, em breve, estarei ótima.

Eu tenho uma saúde de ferro, nunca tenho minidoenças. Quando elas vêm, é pra internar, mesmo: hepatite medicamentosa para baixo, dor no rim, etc etc.

A lógica da doença é aquela lógica do "perder para dar valor": não adianta a gente falar, né? Uma galera - me inclua nessa galera - tem que se foder para aprender a valorizar. Tem que ficar sem pra perceber que juntinho era melhor.

Ah lá: eu sem saúde, fico me lembrando das encanações que tenho com meu corpo. Sim, euzinha, a escritora que sempre fala sobre libertar o próprio corpo dos padrões estéticos, euzinha mello, logo eu: SOU CHEIA DE NEURAS.

Muito menos do que eu já tive? Sim! Mas ainda são muitas: e nessas horas de doença a gente se pergunta: pra quê, né?

Para que eu quero ter o braço mais durinho e sarado se o que eu queria, hoje, era abraçar minhas alunas que foram aprovadas na UEL e não posso? Foda-se o braço molinho, durinho, o abraço ia ser bom de qualquer jeito.

Tantas vezes eu deixei de comer isso ou aquilo e agora, com a garganta fechada, só queria conseguir comer qualquer coisinha feita pela minha mãe. Vivo falando mal da minha voz horrível, mas olha só: ela não impediu nunca de eu dar boas aulas. E agora, sem voz nenhuma, nem posso ligar pra quem eu gosto. Eu, que sempre quis fazer de um tudo para diminuir o bumbum, tô com ele todo roxo de injeção. E a gordurinha da barriga? Deixa que fique e alguém aperte e vai ser gostosinho.

Meu corpo não impede meu trabalho.
Não me impede de sentir e dar prazer.
Não me impede de sorrir e fazer sorrir.
Não me impede de ajudar e ser ajudada.
Meu corpo não me impede de fazer poesia
(e de arrepiar com aquela música
e chorar com aquele filme)

É tanta coisa que o mundo criou pra distrair a gente do que realmente importa que precisa vir uma doença chata dessa para me lembrar como eu amo o meu corpo, que me permite trabalhar, abraçar, correr, dançar, ir para praia, dar carinho, receber carinho, beijar e dar colo pra quem eu gosto.

Desculpa, corpinho. Vou reler esse texto toda vez que eu reclamar de você. Obrigada por ser assim paciente.



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