Chove lá fora

escrito por Rosa


Tá chovendo, tá vendo? Agora, sim, começou a chover. Agora  - que cê num tá mais aqui - começou a chover. A chuva tem dessas, mesmo. Faz um barulhão por nada, às vezes. E um barulhinho por muito: que não termina, não incomoda, não aprisiona, só aconchega e dá um soninho bom.

Chuva me dá cada ideia.



Chove lá fora  e eu não sei como poder inundar tanto aqui dentro. Eu cobri os telhados todos, eu tirei a roupa do varal, fechei as janelas - uma a uma! - mas molhou tudinho. Eu não reguei as plantas hoje, talvez seja melhor que chova. Flor precisa de chuva.


Tem gente que tem medo de chuva. Reparou?
Eu não.

Tem gente que foge da tempestade. Já viu?
Eu não.

Tem gente que acha que trovão assusta.  Num acha?
Eu não.

Eu tomo chuva.
Eu deixo tudo molhado mesmo.

Eu deixo que venha e que lave; que venha e afogue; que venha e inunde essa poeira toda que eu deixei acumular enquanto me convencia que não mudar era melhor. Deixar tudo como está, além de juntar poeira, faz a gente se convencer que só pode ser assim.

Mas nem é, sabe?

Se chove lá fora é porque tem coisa pra ser regada.
Não deixar chover é matar o que nem nasceu.
Vida precisa de chuva, enfim.

Então que chova, inunde e transborde.

Chove lá fora. E enquanto chove - mas que coisa! Aqui dentro é só sol.



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