Os perigos de shippar um casal

escrito por Rosa


Esse texto não é uma cagação de regra. É construção de conhecimento coletivo, dividam as opiniões junto comigo. Me digam se eu tô exagerando. É a minha experiência e um pouco do que eu vi acontecer em 2016.

Foi nesse ano que eu aprendi o verbo 'shippar'. Eu não fazia ideia do que era até alguém dizer que me 'shippava'. No início, confesso, achei que tinha uma conotação até sexual - quero pegar os dois - mas não, é só 'curtir o casal junto', 'querer que dê certo'. Preferia a primeira conotação.

É bonito o conceito. É fofo. Mas eu conheci o outro lado da coisa: quando a gente é um casal shippado, a separação é muito difícil, porque não basta lidar com o seu luto, a sua perda, os sofrimentos de tirar a pessoa, progressivamente, do seu cotidiano, é preciso - também - lidar com as inúmeras expectativas que os shippadores criaram em cima de você.



É lindo o vídeo que a Jout Jout fez sobre o fim do relacionamento dela. E, mesmo ela reafirmando que tá tudo bem, para a maioria das pessoas, não está tudo bem. (link AQUI) A dificuldade em lidar com o fim dos relacionamentos dos OUTROS diz muito sobre a dificuldade que temos com fins, de um modo geral.

A Ana e a Tati, do "O mundo segundo Ana Roxo" soltaram um vídeo mega bacana sobre a construção literária do conceito de amor (link AQUI). Acontece que a vida já suficientemente complicada e cheia de vidas e egos para a gente lidar, é responsabilidade demais ter que pensar - além do parceiro e da família de ambos - em como as pessoas que 'shippam' o relacionamento vão ficar.

Eu sei que o amor é lindo, tá? Eu sei que a felicidade do outro é uma espécie de promessa da nossa, e eu não tô aqui dizendo que a gente tem que ficar indiferente, não pode gostar das pessoas juntas ou incentivar relacionamentos. Eu vim aqui pedir um meio do caminho, uma nova tomada de consciência.


Perdemos grandes nomes da música esse ano. Estamos em meio a um caos político, com um presidente não eleito (que eu não sei vocês, mas euzinha não reconheço), tivemos catástrofes ambientais, guerras, genocídios e vocês vêm me dizer que os términos de relacionamento é que marcaram esse ano?

Pior, querem dizer que, agora sim, não acreditam mais no amor.
Gente, vamos lá.

As pessoas são mais que siglas criadas com as primeiras sílabas do nome. Elas têm família, profissão, sonhos, desejos, histórias e ATENÇÃO: podem, inclusive, estar se livrando de relacionamentos abusivos, tóxicos, infelizes. Ou apenas queriam ficar sozinhas.

Respeitar isso é bacana. Se a pessoa for famosa, vai arrumar o que fazer da vida, né?
Se for próxima, que tal lembrá-la o quanto ela é, individualmente, incrível?

E tem mais: não esquece de que o amor existe em milhões de novas formas, também. <3


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