Quem define o que você é?

escrito por Marina Sena


Almocei com uma amiga e elogiei sua blusinha com listras horizontais. Ela então começou a contar, feliz da vida, que sempre amou listras, mas não as usava por achar que ficaria "maior do que é"; até que um dia ouviu algum personal stylist (não lembro quem) dizer que listras horizontais são permitidas, desde que sejam finas. E assim ela passou a usar. Passou a usar blusas com listras finas. 

Ela passou a usar algo que já amava porque alguém disse que ela agora poderia usar. Mas ainda não usa todas as listras, só as horizontais finas são "permitidas". Ao mesmo tempo em que, de início, comemorei por ela usar as listrinhas horizontais, me deu uma tristeza enorme ao saber que esse gosto dela é, de certa forma, moldado por outra pessoa.


Batom azul, colar rosa, cabelo bagunçado. Tudo junto. Pode? Claro que pode!

Isso até pode parecer nada quando pensamos no quanto fazemos (ou fizemos) de forma automática,  e aí paro pra pensar no que realmente significa a grandeza da tristeza que senti: como é que a gente deixa alguém (ainda mais uma pessoa desconhecida!) dizer o que podemos ou não podemos usar? E indo mais fundo: como é que a gente não faz algo que A GENTE QUER porque alguém disse que não podemos simplesmente por não podermos?

E isso aqui ainda é além das listrinhas azuis na blusa branca: nós somos nossas próprias escolhas. Se eu quero usar algo, não tem ninguém que possa impedir, se isso diz respeito somente a mim e ao meu corpo! Nós já estamos cansadas de ouvir o que não podemos fazer, já passou da hora de nos livrarmos dessas amarras e sermos livres, e essa liberdade começa em eu poder escolher o que quero usar: a moda também é libertadora!

Nós podemos sim usar listras verticais e horizontais, de todos os tamanhos e cores, podemos usar cropped, roupas justas, largas, curtas, com brilho e transparência. Eu posso sim ter o cabelo curto, enrolado ou ser careca se eu quiser, não usar maquiagem se eu não quiser. Eu posso sim usar biquíni no meu corpo de verão, aproveitar o sol, o mar e tudo o que eu quiser ♥

A cara de preocupação

Até onde vale diminuir o próprio desejo a favor de uma regra que só serve para nos diminuir, nos limitar? Eu prefiro muito mais estar bem comigo mesma e usar o que eu quiser, do que seguir regras impostas sei lá por quem, com a finalidade que de bom não tem nada, só porque alguém acha que eu não deveria usar...

Espero que todas nós, especialmente essa minha amiga, consiga enxergar a beleza que existe nela, que não se resume a um corpo magro e sim a uma pessoa que é feliz, inteira em suas escolhas! Que ela consiga acreditar que ela pode sim usar o que quiser, que #todomundopodetudo, porque é essa alegria e liberdade que nos deixa ainda mais vivas! 

(falei sobre nossas escolhas sobres as roupas que usamos, mas esse post serve também para todas as escolhas da vida: quem define o que escolhemos? quem define o que somos?)



As fotos são do nosso Editorial Somos as netas das bruxas


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