A falácia do não lugar da moda

escrito por Rosa


Ontem, estivemos no SPFW para assistir o desfile do Laboratório Fantasma, marca encabeçada pelo rapper Emicida. E foi tudo isso que está rolando nas redes sociais, sites, blogues e portais: indescritivelmente maravilhoso. Teve representatividade sim, as roupas passavam uma mensagem incrível e é, como disse o próprio Emicida, história sendo feita.

Mas é claro que as pessoas não iam se conformar. É claro que as pessoas - certas pessoas - não veem nisso algo fabuloso. É claro que a representatividade é o primeiro passo de uma luta longa, cansativa e necessária.

Eu poderia começar dizendo que, no desfile que teve gorda, o banheiro da plateia não me cabia. Poderia comentar que as faxineiras que o limpavam eram negras e não estavam sendo bem tratadas - POR PESSOAS BRANCAS - como as modelos do Emicida. 

Sabe o que eu poderia contar pra vocês também? Que, após o desfile, teve um show do Emicida. Todo mundo colou nele, claro, - eu, inclusive - e eu tive que ouvir uma moça branca reclamar que não conseguia enxergá-lo porque "os cabelos atrapalhavam". Os blacks, não quaisquer cabelos. O que essa moça não sabia é que é pra eles que o Emicida tá cantando, não pra ela.

"Mas sério que você é toda militante e se preocupa tanto com moda?"

Essa pergunta é menos burra do que parece, é uma estratégia. Uma falácia: eu vou aqui fingir que a moda é só fruição, futilidade, um mundo paralelo que não atinge a vida real das pessoas para deslegitimar sua luta, contestar teu feminismo, tentar - mais uma vez - te escravizar simbolicamente via representatividade estética. Se na passarela só tem você, significa que eu não existo...

Moda, senhores, é linguagem E LINGUAGEM É UM ATO POLÍTICO. O que a Laboratório Fantasma fez foi um ato político pioneiro, que não pode nem morrer, nem retroceder.

É isso: os negros e os gordos estão ocupando as passarelas e vocês terão que aceitar - e aplaudir!

            


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