Violência doméstica — Problematizaremos sim!

escrito por Maggníficas


Post da série Maggnifiquinhas
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Eu volto da escola todos os dias no final da tarde. No caminho de carro até em casa, eu e o meu pai ouvimos uma determinada rádio. Nesse horário, e nessa rádio, passa um programa em que as pessoas ligam para resolver problemas sentimentais e ouvir os conselhos do pessoal que apresenta. Certa vez, como sempre voltando para casa de carro, e ouvindo o mesmo programa de rádio, um cara liga para lá pedindo ajuda para voltar com a esposa depois de uma briga. Ao ser questionado pelos motivos da discussão, ele diz, com toda calma do mundo, pro Brasil inteiro ouvir no rádio, que brigou com a mulher e deu um “murro” nela. A apresentadora surtou, xingou o cara e disse que não ia ajudar, porque nada, nada justifica dar um “murro” em ninguém.
 
Ao ouvir isso, comecei a refletir: como um cara resolve se expor assim, num programa de rádio transmitido pro Brasil inteiro? Ele só faz isso porque tem a certeza de que isso vai passar impune. Ele só faz isso, porque em situações dessas, já estamos todas cansadas de saber que a culpa sempre cai sobre a vítima, e esse tipo de violência ás vezes é muito difícil de provar. Esse cara não é o primeiro e nem o ultimo agressor. A gente sabe que esse tipo de violência existe e muita gente não denuncia porque tem medo. Eu fiz um pequeno formulário outro dia sobre o assunto, e a maioria das moças que me responderam lá conheciam alguém que sofreu de violência doméstica, mas poucas denunciaram. Se você conhece alguém, denuncie! O número é o 180. Hoje em dia, existem delegacias especializadas, então acaba que fica um pouquinho mais fácil.
 
E se você conhece alguém que sofre esse tipo de violência, mas tem medo disso, lembre-se sempre de que essas pessoas só estão precisando de um pouco de apoio. E é nesses momentos em que precisamos ser amigas umas das outras, afinal, somos muitas e estamos juntas!
 
“Cadê meu celular eu vou ligar pro 180/Vou entregar seu nome/E explicar meu endereço/[...]/Cê vai se arrepender de levantar a mão pra mim” trecho de Maria da Vila Matilde, de Elza Soares

 
Mariana Fernandes, 14. Nascida no verão, na região metropolitana de BH. Amo ler e escrever. Ainda não sei o que quero ser quando crescer, só quero ser muito feliz e realizar o meu trabalho da melhor maneira possível. Cacheada assumida com muito amor!
 
 
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Esse é um espaço para dar voz a meninas jovens. Não necessariamente é a opinião das blogueiras. O empoderamento também passa pela possibilidade de diálogo.


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