Meça suas palavras - e não o corpo do outro

escrito por Rosa


Nós, adultos, somos cheios de frustração. Quando eu digo cheio, eu quero dizer cheio mesmo: até a tampa, transbordando sofrimento. Não tá legal o rolê para a maioria de nós. A gente também acha defeito nos dentes, na barriga, nas estrias, nas rugas. Quando a gente se empodera, acaba conseguindo manter o 'foda-se' ativado a maior parte do tempo - maior parte, ora ou outra o sofrimento sempre consegue atingir uma frestinha que deixamos aberta.

Isso já é ruim pra gente que, na maior parte das vezes, temos o corpo estável, decidimos sobre a nossa própria alimentação e rotina de exercícios. É uma merda para nós que já temos uma vida sexual relativamente experiente e alguns causos amorosos para o currículo.


Se tá ruim pra você, imagina para um adolescente. Cara, vocês realmente esquecem o que é ser adolescente. Mas eu convivo com eles, eu não esqueci não. Deixa eu lembrar vocês - mães, pais, primas, tios, tias - como é: dolorido, confuso, difícil, solitário.

Ser adolescente é muito foda. O seu corpo muda muito, o tempo todo, você nem tem tempo de se acostumar e ele já vem com uma novidade. Os hormônios estão a mil (pense numa tpm eterna, basicamente), além disso, por estar em um processo intermediário de vivência (entre a infância e a vida adulta), adolescentes se sentem perdidos e tem autoestima constantemente diminuída por isso.

"MAS EU TENHO CONTA PRA PAGAR, ISSO É PREOCUPAÇÃO REAL": justamente, um adolescente certamente preferiria ter uma conta para pagar do que ter que lidar com a cobrança social que sofre sobre o próprio corpo. Adolescentes tem mais tempo para pensar e por isso mesmo pensam demais em coisas que levam a sofrimento. E quer saber? Eles precisam desse tempo para ruminar a própria existência, que é absolutamente dolorida.



Adolescentes estão descobrindo a sexualidade, e isso não é fácil. Sexo envolve um autoconhecimento que a gente, não raro, deixa para lá e não ensina. Sexo envolve tabu, nudez, envolve o corpo do outro. E a gente desmerece. E a gente não mede palavras sobre o 'cabelo oleoso', a 'cara cheia de espinha', 'o quanto ele engordou'.

Meça suas palavras para todo mundo, porque ninguém é obrigado a ouvir sua opinião, quase sempre repleta de ódio, preconceito e amargura. Mas meça um milhão de vezes antes de dar pitaco na estética de um adolescente: existe um turbilhão de informações agindo naquela cabecinha e  você não tem o direito de enfiar mais uma.


Pelo contrário, elogio, ajude, ampare. além disso, repare bem, apesar de quase sempre desengonçados e descobrindo o próprio estilo, eles são lindos - como só quem está um pouco perdido na vida pode ser.

Ilustrei o post com Confissões de Adolescentes, Anos Incríveis e Curtindo a Vida Adoidado por motivos de: AMO!


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