Amar a si mesma não é crime

escrito por Maggníficas


Post da série Maggnifiquinhas
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Amor próprio é um tema bem complicado. Hoje em dia parece que é crime se amar: temos que ser "humildes", certo? Caso contrário, somos muitos exibidas e cheias de si. Bom, pelo menos é assim que eu vejo que muitas pessoas pensam.

Talvez seja por esse motivo que eu tenha tantos problemas comigo mesma atualmente, não sei. Talvez, pelo fato de sempre ter recusado elogios por "educação" eu realmente tenha deixado de acreditar neles. Não consigo achar um motivo específico para eu ser do jeito que sou hoje. Tecnicamente, eu "deveria" me amar: nunca sofri nem fui discriminada por conta do meu corpo, sempre fui meio magra (ah, essas desgraças de padrões) e fui e sou muito amada. Então porque eu estou constantemente decepcionada com minha forma física? Porque eu não consigo simplesmente me aceitar?
       
Por muito tempo eu guardei essas inseguranças para mim: como eu teria o direito de me sentir mal por uma coisa tão banal enquanto outras pessoas estavam sofrendo com situações bem piores? Foi uma das piores decisões que eu já fiz. Meu ódio por mim mesma apenas aumentou. "Porque eu não posso ser bonita?" era a pergunta que não saia da minha cabeça.
       
Demorei muito pra perceber que precisava de ajuda, e urgente. Cheguei a um ponto que eu me achava gorda e queria desesperadamente emagrecer. Considerei seriamente deixar de comer e até me vi sentada no chão em frente à privada, pronta para vomitar tudo o que tinha comido. Ainda bem que não tive coragem o suficiente para isso: é um caminho que dificilmente tem volta.
       
Então, finalmente, não aguentei mais e me abri. Conversei com qualquer pessoa que estivesse disposta a ouvir sobre isso, e o bem que me fez é inexplicável. Afinal, eu tenho direito SIM de me amar. Não é errado, não é feio, não é se achar. Eu estava cheia de me olhar no espelho e encontrar milhões de defeitos todas as vezes. É muito cansativo, e eu não só posso como mereço amar o que eu tenho e terei de conviver até meu último dia.
       
Não vou mentir: melhorei muito em relação a mim mesma, mas ainda não estou onde quero. Ainda tenho aqueles dias em que sinto que sou a pessoa mais feia do mundo e aquela pergunta do porque não posso ser bonita não deixa meus pensamentos. Mas eu sei que estou no caminho certo agora, e tendo o apoio incrível que eu recebo, sei que conseguirei chegar ao ponto em que aparência física será a última de minhas preocupações.


Luísa Takeuchi, 14 anos. Mestiça de japonês nascida e criada em SP, cidade que mais ama. Tocar violão, ler, escrever e dançar são suas válvulas de escape nessa vidinha. Seu maior sonho é conseguir estudar e um dia morar fora do Brasil. Atualmente, aprendendo cada vez mais a se amar!


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