Do meu tamanho!

escrito por Colaboradores Maggnificas


Passei muitos anos vivendo apertada. Mas depois de emagrecer e engordar tantas vezes, pus como meta de vida nunca mais viver com nada que fosse menor do que meu tamanho. Esse fim de semana inclusive, fiquei assustada ao perceber o quanto eu me apertava. Peguei em Piracicaba, cidade onde meus pais moram e onde, normalmente, ficam algumas roupas que eu não uso com tanta frequência, um biquíni de anos trás. Experimentei e o levei na viagem que fiz pra Ribeirão Preto, já que havia esquecido meus outros biquínis em São Paulo, cidade onde moro atualmente. Comprei o tal do biquíni em 2012, na época devia estar pesando uns 96, 98 kg. Coloquei ele esse fim de semana pra tomar um sol na piscina e ele estava muito apertado! Muito mesmo, meus seios mal cabiam e a parte de baixo ficou bem pequena. Minha surpresa foi que eu usava esse biquíni constantemente em 2012, quando ele devia estar mais apertado ainda, pois atualmente estou com medidas bem menores do que naquela época.

Eu, com meu biquíni favorito e que serve em mim. A parte debaixo é da Líquido e a de cima da KenBalli.
 
Antes, minhas roupas do dia a dia estavam apertadas. Como disse no primeiro post aqui do blog, doei muitas roupas 48/50 minhas porque ficaram largas demais. Mas, demoraram muito pra que ficassem largas. Por volta de 15 quilos desde que comecei o acompanhamento com a nutricionista. 15 QUILOS! Ou seja, elas estavam apertadas quando estava com 109,6 kg. Quando me dei conta disso, percebi que mesmo inconscientemente continuava me apertando. Algo que fiz muito quando era adolescente! Lembro-me de dos 11 aos 21 anos comprar a primeira calça jeans da loja que servia. Inclusive isso sempre foi um inferno na minha vida: comprar calça jeans! Impus a meta de que não poderia passar do manequim 42! 42, minha gente! Pequeno pra caramba. Óbvio que com a bunda e a coxa grossa que eu tenho, isso era uma missão meio impossível, e quantas não foram as vezes que saí frustrada de lojas ou com uma calça nenhum pouco confortável.
 
Ano passado passei por uma experiência bem esquisita. Fui até a Hering, loja de roupas que normalmente tem G e GG que servem na gente. Estava bem no começo do meu emagrecimento, e fui, empolgada, experimentar um vestido que eu havia gostado. Só tinha G. Não era meu tamanho, porque usava GG. A vendedora insistiu e eu experimentei: não serviu porque não era do meu número. Continuei a saga e resolvi experimentar um macacão GG. A roupa não passou da minha perna! A vendedora perguntou se eu não queria levar o vestido porque tinha faltado pouco pra fechar. Pouco? Um palmo! E estava mega feio na barriga. Ela completou perguntando SE EU NÃO PRETENDIA EMAGRECER!!! Gente, que tipo de mentalidade é essa? Nos colocam isso o tempo todo, que nós devemos estar a serviço da roupa e não a roupa que deve estar a serviço de nós. Quantas marcas como a TNG, MOfficer, Khelf e tantas outras fabricam roupas até o G! E nós é que temos que emagrecer?

Amo essa saia! Tenho desde os 16 anos. É de uma loja chamada Invenção. Acho que nem existe mais. Vira um vestido também e nunca deixou de me servir.
 
Por muito tempo achei normal ter que emagrecer pra caber nas roupas. Quando percebi o quanto estava errada ao pensar nisso, passei a entrar nas lojas de roupas plus size (as "lojas de gorda" pelas quais carreguei muito preconceito) e não experimentar algo que eu sabia que não ia servir em mim. Algumas amigas ficavam meio com dó e não percebiam que tinha passado a encarar aquilo com naturalidade, que é o que faço hoje em dia, porque eu sei que algumas lojas simplesmente não querem que alguém gordo ou o "acima do peso" vista a sua marca. Inclusive brinquei com alguma delas esses dias que queria uma "bota de paquita". Aquelas que estão na moda, acima do joelho. Falei que nunca serviria em mim. Elas disseram que serviria, pois tem elástico. Gente, minha batata da perna é mais grossa que a de muitos meninos. Lojas normais não estão preparadas pra isso! Consegui ter 2 botas de cano alto na minha vida toda. E ficavam apertadas! Hoje eu aderi a moda do cano curto e acho lindo.
 
Agora estou conseguindo achar roupas em lojas de departamento. Fui à Marisa esses dias comprar sutiã, pois os meus estavam completamente largos. A lingerie deu certo, o top deu certo, a saia deu certo. Sabe o que eu não consegui comprar? PIJAMAS! GG!!! Faz sentido fazer um pijama justo? Não. Experimentei uns 5 e nenhum serviu! Muito curto, muito justo... Totalmente fora de uma pessoa G ou GG.
 
Enfim, aprendi a procurar lojas especializadas como a Program, por exemplo. Post passado eu estava com uma calça jeans de lá. É maravilhoso! Simplesmente você pega as calças do seu tamanho, no meu caso 44, e todas servem! Perfeitamente. Compro muito também nas feirinhas que existem aqui em Sampa, como a "Como assim?", que reúne diversos expositores de diversas marcas alternativas. A maioria das marcas têm roupas que servem pra todo mundo e, na maioria das vezes, quando não tem roupa do seu tamanho o expositor se oferece pra fazer um modelo exclusivo pra você. Uma loja que gosto muito também é a "Adelaine e Dagmar", de Paraty. Com meus mais de 100 quilos a querida Lucila Proença fez um vestido BRANCO que ficou perfeito em mim. Caimento é tudo!

Com Vanessa, Carina e Thiago: meu únido e querido vestido branco que servia perfeitamente!
 
Eu com as queridas Elis, Carol e Nati. Vestido da feirinha "Como assim?". Serve até hoje e não aperta (mais!).
 
De novo com as divas Nati e Carol. Blusinha da "Como Assim?" e shorts da Program.
 
Saia linda da marca Adelaide e Dagmar.
 
Minha tendência agora é viver larguinha! Não tem porque se apertar, até porque quando a roupa serve em você o corpo fica bem mais bonito e até magro, caso essa seja a intenção. Quanto temos que caminhar ainda pra que todas as lojas vendam roupas pra todos e ninguém se sinta mal? Que o tamanho nunca seja uma meta, mas seja a medida do nosso conforto e felicidade.

Justa, mas sem aperto. Saia e blusa da loja Calla, aqui na Domingos de Moraes. Bota Arezzo e meia calça Marisa.
 
 
Mayra Bertazzoni é professora de Língua Portuguesa, dramaturga, escritora e atriz. Sempre foi apaixonada pela palavra e a partir dela que fez suas escolhas até hoje. Sente que ser mulher é um desafio que deve ser encarado sempre com um bom batom vermelho!


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