"Você viu o Fulaninho depois que a gente largou?"

escrito por Rosa


Fui a uma hamburgueria jantar com meu namorado nessa sexta-feira e, por lá, as mesas eram umas bem juntinhas das outras. Eu não gostaria de confessar, mas vou: tenho o grave defeito de ouvir a conversa alheia. Tento sempre conversar com a minha companhia ou colocar música alta para isso não acontecer, mas ele e eu estávamos morrendo de fome, meio que no "stand by" economizando energia e em silêncio. E eu não estava com os meus fones de ouvido (aliás, coisa que tenho síncopes pela ausência quando estou na academia). Enfim, eu devo dizer que não é uma questão moral que faz meu me sentir mal sobre ouvir a conversa alheia. Na parte das vezes, é porque as pessoas falam bosta mesmo e a PIOR coisa é ficar ouvindo sem dever e não poder opinar.


Bom, vamos ao ponto. Todo o relato da mesa ao lado se baseava em contar como estava, atualmente, o ex da moça que contava a história. E tudo bem, tem mais é que falar mal de ex, se for o caso. Mas o que me despertou atenção foi começar a perceber - como eu nunca antes havia feito - que o clássico da crítica temporal é: "viu como ele tá enorme?". Pois é, isso não é exclusivo da moça, não. Eu mesma já falei isso e sempre tombo quem fale. A gente considera que a pessoa que engordou como estar cada vez mais infeliz. Mas olha que absurdo? Eu mesma engordei uns 6 quilos no último ano e olha que eu nunca estive mais feliz na minha vida. Sou apaixonadíssima pelo meu namorado, tenho a família mais legal do mundo e amo meu emprego. E engordei porque amo comer, porque tenho comido bastante em restaurantes que gosto, porque meu metabolismo é diferente. Sei lá. Mas tristeza não é.

Eu sei que o fim de relacionamento pode deixar a gente propenso a fazer críticas bizarras. "Viu só que agora ele gosta de suco de framboesa com açúcar? No meu tempo não era assim..." Mas acho que a gente deveria desnaturalizar essa relação entre infelicidade e gordura. Sei que é maior que a gente, porque a estrutura toda diz isso "separou, ta feliz, emagreceu"; "separou, ta infeliz, engordou", mesmo porque cada ser humano é um todo tão complexo, um universo em si, que não da para saber os motivos (e nem deveríamos querer) das mudanças no corpo de alguém.

Dica: se quer saber como alguém está, olhe o seu sorriso!

ps: escolhi as fotos da parte 'Comer' do "Comer, Rezar e Amar" porque eu acho que ela cai na gastronomia não por tristeza, mas para autoconhecimento dos próprios prazeres! Engordar é mais que tristeza, mundo :)



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