Maggnifiquinhas: Assédio: até quando?

escrito por Maggníficas


Em casa, na rua, na escola, no trabalho. O tempo todo, no mundo todo, mulheres são vítimas de assédio, seja ele físico, verbal, oral, ou moral. Por ser uma experiência que praticamente todas nós já tivemos o desprazer de experimentar, escolhi para ser o tema do meu terceiro texto aqui.

E você? Já sofreu algum tipo de assédio? Imagino que sim. Infelizmente, isso passou a ser parte do cotidiano das mulheres. Já aconteceu comigo, com todas as minhas amigas, com a minha mãe, com as minhas tias e provavelmente com todas as moças que eu conheço. Com a ajuda de um formulário, e de muitas moças com boa vontade, eu reuni diversas informações sobre o assunto.

Sempre que pensamos em assédio, vem imediatamente a imagem de um desconhecido nas nossas cabeças. Mas nem sempre é assim. Ele pode estar frequentando a sua casa, ou dividindo o mesmo sobrenome que você. Acontece mais vezes do que imaginamos, infelizmente. Como conta Catarina* sobre seu primo se achou no direito de masturbar em sua frente assim que viu uma oportunidade, ao procurar um livro em sua casa. Ou, como me disse Carla*, que abriu o portão á noite para seu tio — que estava muito bêbado — entrar em casa, e acabou tendo o caminho de 20 metros entre o portão e porta o mais longo de sua vida, porque durante esse caminho, ele resolveu se esfregar nos seios dela, que na época, tinha a minha idade, 14 anos.

Como 76% das meninas, Catarina* não procurou ajuda, afinal, 45,5% que procuram, têm os motivos pelos quais aquele assédio aconteceu questionado. “Mas aquele shortinho, provocou o cara.”, “Com esse batom vermelho, tá pedindo mesmo!”. Desse jeito fica bem difícil, né? Maria* sabe muito bem disso. É assediada pelo tio desde os 12 anos, foge dele até hoje e jamais fica sozinha em casa. Mas mesmo assim, a culpa é toda dela, segundo sua mãe. Sem contar que sempre haverá seres indesejados comentando que algumas de nós precisamos dizer que graças a Deus, um homem te notou, como se um assédio fosse algum tipo de privilégio. “Afinal, somos tão feias, não é mesmo? 

Quem nos assediaria? A melhor coisa que poderia acontecer comigo, seria alguém tocando em meu corpo, sem a minha permissão, por que se não fosse por isso, ficaríamos todas velhas, solteiras, e cheias de gatos, e isso é tão horrível, não é mesmo?” Por isso também que as moças não pedem ajuda. Casos desse tipo, aconteceram muito na época do #MeuPrimeiroAssédio, e eu gostaria de aproveitar para dizer a vocês que “ficar pra titia” não tem nada de feio não. Feio mesmo, é dizer que alguém precisa agradecer por ser assediada só porque você acha tal pessoa “feia e peluda”,como já vi muito por aí.

Outra coisa que imaginamos também, é que os assédios mais banais, acontecem na escuridão das madrugadas. Mas não. 84% ocorrem em todos os horários do dia, como com Vanessa* que saiu à tarde para as compras e acabou com hematomas no braço, e só saiu “a salvo” porque pediu piedade ao seu assediador. 

Assustador, não é mesmo? É mais ainda quando soubemos que pra assédio, não tem idade. Eu recebi relatos de moças entre 13 e 41 anos (inclusive, preciso chamar a atenção pela falta de mulheres mais velhas no feminismo), mas uma delas me contou que, aos cinco anos, acompanhada de amigas mais velhas á caminho do mercado, um garoto levantou suas saias, o que a deixou assustada e sem reação.

Assédios também costumam vir de maneiras sutis, como aquele beijo pegajoso na bochecha que por um estranho motivo, foi parar no seu pescoço. Esses, a gente até pensa que foi coisa na nossa cabeça, pura invenção. Mas eu te digo que não foi. Se tiver alguma coisa te incomodando, pode ter certeza de que há alguma coisa errada.

A todas as manas que me enviaram os seus relatos, eu deixo um grande beijo. Vocês são muito corajosas. Eu não citei todos, mas li um por um, e desejo á todas vocês, muita força. Vocês fizeram isso aqui acontecer. Obrigada!


*Todos os nomes utilizados são pseudônimos


Texto por Mariana Fernandes, 14 anos


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