É que no fim...estamos sozinhos.

escrito por Rosa


De uma conversa, em um almoço descompromissado, ouvi a maior verdade da boca de uma grande amiga: no fim, estamos sozinhas.

Temos (eu e ela) uma família unida - meus pais estamos comigo para tudo -, no meu caso, posso dizer com certeza que tenho três ou quatro amigos que dariam tudo para me ajudar. Tenho um namorado que é meu companheiro diário, um suporte para tudo que eu preciso. Tenho um emprego estável e que eu amo. Tenho esse blog, que é incrível. Tenho a Marina nessa empreitada. Tenho, tenho, tenho.

Mas na hora de acordar as cinco da manhã, eu tô sozinha. Na hora de escrever a minha tese, um pouco desesperada, eu também estou sozinha. Quando bato meu dedinho na mesa da sala. Quando um homem me assusta na rua com a sua presença. Quando sinto saudade de alguém que amo e está longe. Quando não me amo e, por isso, às vezes, me chateio. Quando o café fica fraco. Quando me sinto fraca. Quando realmente fracasso. Nas dorezinhas do cotidiano, estamos completamente sozinhas.

Ao contrário do que parece, porém, isso não é ruim. Isso é absolutamente libertador. Por saber que estamos inevitavelmente sozinhas e sozinhos nesse mundo, a gente lembra que não há insegurança insuperável. Na realidade, todo medo da falta do outro vira uma grande bobeira.

A gente não quer - nem deve querer - estar sozinha ou sozinho (em sentido amplo, não só amoroso), mas é preciso entender que as pessoas são companhias. Companhias porque bater o dedinho dói e mesmo que aquela dor não passe para o outro, ela fica mais tolerável. Companhias porque acordar às cinco da manhã dói, mas ameniza se tem uma mensagem de bom dia ou um beijo antes de sair da cama. Porque café fraco é ruim, mas uma piada sobre ele e, enfim, a cafeína cumpre seu dever, de fazer o coração acelerar e nos lembrar que estamos vivos e, portanto, correndo (sozinhos) os riscos dessa aventura muito doida que é existir por aí.



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