Sobre maternidade e seus "quartos"

escrito por Marina Sena


Comecei a escrever sobre esse filme no Marinices de ontem, mas ficou tão enorme que tive que dividir os posts. Há algumas semanas assisti O Quarto de Jack, com a Natália; é um filme que conta a história de Joy e seu filho Jack, que vivem em um quarto, isolados num cativeiro. Jack tem 5 anos e Joy já vive presa há 7, e o único contato com o mundo é através de Nick, que os mantém lá. Ela tenta levar uma vida tolerável, principalmente por causa de Jack, como se o mundo fosse aquele quarto. Mas assim que Jack completa 5 anos, Joy coloca em prática um plano para tentar tirá-los de lá, e assim voltar à realidade.
 
(há spoilers)
Nós choramos horrores, quase do começo ao fim, e não muito diferente das outras pessoas que também estavam na sala. Nós gostamos de drama e estávamos ansiosas por esse filme, e realmente a história é bem tocante, emocionante e nos faz pensar: "e se fosse com a gente?".
 
De cara a gente se emociona com a vida que Joy proporciona ao Jack, mesmo em um quarto sujo, minúsculo e sem janelas, onde ela faz o melhor que pode pelos dois, e pela felicidade do filho. Tanto que depois ele diz sentir falta do quarto, porque aquela era a vida que ele conhecia, e de certa forma ele era feliz ali, sentia-se seguro em seu mundo... Um pequeno grande mundo.
 
Eu não sou mãe e ainda não pretendo ser, mas a maternidade é um assunto que me interessa. Não sei se esse post é sobre maternidade ou uma simples resenha, mas essa questão no filme mexeu comigo; é algo muito presente, principalmente sobre o quanto a criança é dependente da mãe, do quanto isso é solitário e do quanto o amor que vem da mãe é tão esperado por todos, até por ela, mesmo sendo fruto de um abuso.
Fiquei muito impressionada com o fato de Joy ter sido sequestrada com 17 anos e ser tão forte oferecendo um mundo tão rico para Jack, mesmo nas condições em que viviam, mesmo sofrendo abusos constantes, mesmo cansada, mesmo apavorada, mesmo vivendo uma vida tão enlouquecedora.
 
Ela cria um mundo para protegê-lo e me fez pensar que esse quarto - em proporções diferentes, óbvio - é algo comum às nossas vidas. Mesmo não estando presos, nós fomos confinados (e confinamos) em nome do que acreditamos ser o correto, em nome de uma proteção; além de crianças "presas" em famílias consideradas desestruturadas, existem mães presas em conceitos considerados ideais mas que talvez não correspondam ao que sentem verdadeiramente, e também mulheres presas em situações das quais não enxergam saída.
 
Entendem o que estou dizendo?
 

Se adaptar à realidade fora do quarto é difícil, há medo, e Joy sofre demais, e de novo, a questão da maternidade, onde a questionam se permanecer com Jack dentro do quarto foi mesmo o melhor para ele, ao invés de lutar pela liberdade (apenas) do filho. São questões onde as pessoas precisariam ser mais empáticas e não tão cruéis e com tantos julgamentos, ainda mais porque ela acabara de sair de um cativeiro onde permaneceu por 7 anos! A história sobre o sequestro é realmente angustiante e dá um nó na garganta de acompanhar esse processo, bem como as aparições de Nick.

É interessantíssimo acompanhar o filme através da visão de Jack, que enxerga tudo de forma tão pura e ingênua, além de também complexa, nos relembrando sobre a beleza da fantasia, da luz do sol e do céu, das árvores, dos olhares, da grandiosidade do mundo, da força e da luta, e também do amor. Jacob Tremblay é Jack e Brie Larson é Joy, e eles são absolutamente comoventes!
Li em algum lugar que é uma história de beleza forjada no horror e faz muito sentido... E esse filme é um dos mais lindos que já vi!

Continuem comigo essa discussão? Vocês assistiram o filme? Tiveram a mesma impressão que eu? O que mais notaram? Me contem! Pode ser aqui ou lá no nosso Facebook <3
Aproveita e dá uma olhadinha no nosso Instagram (@maggnificas). Beijo beijo!


Nenhum comentário:

Postar um comentário


Somos Marcella Rosa e Marina Sena, parceiras no blog, na luta e na vontade de mudar - nem que seja um pouquinho - o mundo. O Maggníficas é um pouco de nós, porque aqui tem moda democrática, empoderamento feminino e amor próprio. Nosso foco é a sororidade e a vivência plena de todos os corpos, porque acreditamos que somos todas maggníficas e que todo mundo pode tudo!

maggnificas@gmail.com