o privilégio dentro do movimento e a hora de se calar.

escrito por Rosa


A gente não para de aprender. Aliás, o novo vídeo da Jout Jout feito em companhia da Nátaly Neri me trouxe para uma reflexão que antes não tinha: uma vez protagonistas do movimento, que difícil fica continuar reconhecendo os privilégios. Mas isso numa camada mais profunda: não só o feminismo negro dentro do movimento feminista, mas, como bem disse a Nátaly, de como, dentro do feminismo negro, existe a negra mais clara e os seu privilégios: aliás, que remonta muito bem à discussão sobre a escolha da atriz que interpretará Nina Simone no cinema.



Como sou mulher, branca, cis, nada posso falar das camadas de privilégios dentro desses movimento. Posso falar do meu privilégio dentro das mulheres gordas. Há um tempo houve uma foto minha com a hashtag #agordaeamagra que gerou polêmica porque as mulheres se perguntavam, afinal, quem era a gorda?

Aquilo doeu, muito. E eu não estava suficientemente pronta para entender o que hoje eu entendo: a despeito dos meus mais de 90 quilos, a despeito dos 130 cm de quadril, a despeito de estar classificada como sobrepeso, o meu corpo é  o corpo sexualizado: a gorda gostosa, gordelícia, e outros termos machistas que vemos por aí.

Daí é realmente errado que eu peça empatia da minha mana gorda que tem dificuldades práticas na sua vida, e não só um problema de aceitação estético. Eu não posso roubar a voz delas quando elas quiserem falar de gordofobia.

Eu sofri gordofobia? Sim, diariamente. Mas eu não chego nem perto do que essas mulheres passaram.
Então, não julgar nenhuma decisão e nenhuma dor, é sempre o caminho. Entender que eu não posso limitar a experiência do outro pela minha é sempre o caminho. É mesmo no campo marginalizado, a dor pode tomar limites cada vez maiores e a quem está na casca nunca pode saber o que se passa lá dentro.




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