A gente sempre tem dois caminhos

escrito por Rosa


Maria cresceu muito antes das amigas da turma. Menstruou muito antes que as colegas e aos doze anos já sabia abotoar o soutien nas costas. Não gostava de matemática, mas tirava a nota mais alta porque tinha escolhido ser a melhor aluna. Diferente das outras que ainda não tinham peito, escolheu que não gostava de se sentir presa. E assim, quando todo mundo já tinha soutien, Maria decidiu que não ia mais usar. A gente sempre tem dois caminhos e para alguns é muito mais fácil escolher o mais difícil. Maria, míope, não conseguiu ver que tinha dois caminhos e além de ser mais fácil foi inevitável escolher o mais difícil. No caminho mais difícil as regras eram fáceis: nunca esconder o que sente e sempre dizer a verdade. O caminho difícil, em sua facilidade, era o cruzamento mais forte da dor e do prazer. Para Maria, então, dor e prazer necessariamente andariam juntos. E quando, por acaso do destino, se separassem, a dor perceberia que havia se perdido do prazer e viria logo em seguida procurá-lo, avisando pra Maria e para o resto do mundo que um não fica sem o outro. No caminho difícil outrora escolhido a gente não pode mais voltar atrás e reencontrar o caminho fácil. Primeiro porque a dificuldade do caminho difícil é justamente não ter atalho. Segundo porque há qualquer coisa de viciante em optar pelo caminho difícil. Maria ainda não sabe se é o prazer ou é a dor. Talvez sejam os dois. Hoje ela entende: a gente sempre tem dois caminhos, mas só uma escolha.


texto antigo, revisitado pela minha saudade.

só li verdades


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