Tatuagem empoderadora ou de como libertei meus braços.

escrito por Rosa


Todo mundo tem partes do corpo que gosta, outras que não. Não vejo mal nisso. Sempre gostei da minha boca e dos meus dentes (aliás, que custaram uma fortuna ao meu pai) e, por isso, abuso desde sempre dos batons coloridos e marcantes. Outras partes que não gostava eu escondia. 

Não gostar de algumas partes do corpo é absolutamente natural. O problema é quando elas nos travam. Esses dias a nossa Fan Page compartilhou uma reportagem sobre mulheres que recebem tatuagens gratuitas para tampar cicatrizes diversas: de violência doméstica àquelas causadas por câncer.

Bom, eu amo minhas cicatrizes - mesmo uma grande que tenho na parte inferior da barriga, em função de uma hérnia aos 6 meses. Amo também minhas tatuagens, que contabilizam dez atualmente (eu acho).




As minhas tatuagens me empoderaram muito, mas nem sempre foi assim. A primeira que fiz foi nas costas, descendo a coluna. Sempre amei minhas costas e achei uma boa ideia valorizar. 

Idem para segunda, na canela. Mas eu sempre odiei meus braços.
Sempre achei meus ombros largos, meus braços grossos. Quando pensava que daria aula, já me lembrava do desespero dos tríceps balançando.




E eu amava corujas.

Um belo dia fiz uma pequena coruja no ombro. Pequenina, porque eu não queria chamar a atenção. Mas pequena demais para o meu carinho por corujas. Um amigo tatuador (Flavio Silveira**) sugeriu uma cobertura, com uma coruja maior. Eu fiz e amei.


Fiz versos do meu poeta favorito, Murilo Mendes:


Desde então não parei de tatuar meus braços. Agora tenho 5 nos 2. Por amor às tatuagens, passei a amá-los. Exibi-los sem medo. Eles são grossos, grandes, balançam em aula, sim. Mas eu gosto deles.




Além das tatuagens, eles me permitem abraçar meus pais, agarrar meu namorado, consolar minhas amigas, dar aulas e envolver meus alunos quando precisam de colo. Não só: me ajudam a carregar tudo que eu preciso - livros, sonhos e algumas garrafas de cerveja.

**Conheço o Flávio desde a infância, quando ele ainda só desenhava e me zuava no photoshop. Não é pela amizade, é pela confiança em seu trabalho. Todas as tatuagens dos braços foram feitas por ele, com esse traço maravilhoso. É em Batatais, mas o que é uma Anhanguera para ter uma tatuagem dele?
Para acompanhar o trabalho:

Flávio Silveira
instagram - /frahsilveira


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