Amor (próprio) de mãe

escrito por Carol Caran




Ele faz eu me amar mais. 

Se sou a mãe, a fonte provedora, a cuidadora, eu preciso ser forte, íntegra e sã. Todos os meus maus hábitos são combatidos com muito mais vigor nos últimos três anos e pouco do que nos trinta e dois inteiros antes deles. Se eu não posso adoecer nem morrer, eu preciso não correr na estrada, não me arriscar num tombo, não ir dormir tarde, não ser sedentária. 

Carregar filho no colo por longos períodos, manter as contas em dia, a geladeira cheia de alimentos frescos, a casa organizada, brincar depois de horas de trabalho intenso, tudo exige disposição, disciplina e equilíbrio, aquelas as quais busquei sem sucesso por tanto tempo antes dele chegar. 

E se eu me cuido melhor, também me trato melhor. Eu vejo nele algumas das minhas qualidades e elas agora me parecem muito mais especiais. Eu vejo neles alguns dos meus defeitos e eles não são tão ruins assim. E afinal, se conseguir criar e desenvolver algo tão fantástico, deve ter algo legal em mim também. 

Eu me enxergo mais bonita. Aos seus pequenos olhos eu (ainda) sou o que existe de mais belo. Do primeiro olhar apaixonado de recém-nascido mamando ao sorriso rasgado e o abraço quando vou buscá-lo na escola, eu sinto que sou linda, essencial, insubstituível. "Mamãe, você é meu amor" ou "você é minha princesa" e nada derruba minha autoestima. As marcas e imperfeições no meu corpo só confirmam: saiu de mim. 

Ser mãe me fez melhor. Ser mãe me colocou numa nova dimensão de amor. Por ele, tão imenso, que reflete pra mim. 

Ilustração: quadro de Katie M. Berggren


Um comentário:


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