Papai, também quero ser Jedi - contém spoilers

escrito por Rosa


Aviso: esse texto tem micro-spoilers e, antes que você me odeie, aviso: tem spoiler.
Ouviu?
Spoiler de Star Wars
Spoiler sobre o Despertar da Força!

S-P-O-I-L-E-R

Entendeu?
Vamos lá.

Vi Star Wars ontem. Mas isso não é uma resenha sobre o filme, nem sobre o que gostei ou desgostei (tem ótimos textos sobre isso circulando na internet). É sobre representatividade.

Dia desses, uma mulher que admiro e que me ajudou/ensinou muito na vida me disse: pare de me endeusar, somos iguais. Ou algo assim, parafraseei. Eu disse a ela: eu preciso de você e dos meus referenciais.

Eu a entendo. Também sofro quando vejo um excesso de admiração das minhas alunas por mim. Não me sinto sempre (quase nunca) merecedora e acho a situação altamente favorável: há uma relação de poder, um espelhamento pela minha juventude, uma empatia pelos gostos afins. Mas quando essa admiração repercute de maneira mais incisiva, ou melhor, sendo bem explícita: quando vejo minhas alunas lutando pela nossa luta, eu sinto um dever cumprido: fui um bom exemplo.



De maus exemplos o mundo tá cheio. E sim, eu acho que todo mundo, no mundo todo, deveria pensar em dar bons exemplos. Professores deveriam ser obrigados. Mas que isso não seja uma encenação, apenas no tablado, que a gente leve isso pra vida.

Sai do cinema pensando o quanto a personagem "Rey" - que ao que tudo indica será jedi - seria importante na minha infância. Ainda que a força imaginativa dos meus pais - amáveis, singulares, especiais que são - tenha me permitido acreditar (ATÉ HOJE) que eu poderia ser o Batman, acho que minha infância seria maravilhosa se Mad Max (e Furiosa) e O Despertar da Força (e Rey) estivessem nas minhas brincadeiras miméticas de criança.



Mas não estavam. Agora podem estar. Claro que há mil críticas possíveis aos filmes. Mas vamos criar referenciais? Em todo mundo? Vamos ser exemplos de luta? Que tal? Vamos ser exemplo de fragilidade, de humanidade? Ninguém vive sem referenciais. Concordo que é triste o povo que precisa de heróis, Brecht, mas é triste o povo que não reconhece seus (bons) exemplos.

(Que a força esteja especialmente com a gente, meninas)

Beijos de (sabre) de luz!


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