Meu coração não é tabuleiro.

escrito por Rosa


Vejo com frequência listas de como seduzir; métodos de como se fazer importante; 5 dicas para ele correr atrás de você; o gelo fundamental para o amor etc.
Por vezes - e não poucas - acreditei nisso. Por vezes, inclusive, pratiquei: silenciei me desejo, calei minha saudade e mandei meu amor ficar quieto.


Hoje, não faço mais isso. Toda vez, inclusive, que eu deixo de dizer à pessoa que amo o quanto eu amo acho que morre um pouco de mim. Eu também não me recrimino se, dez minutos depois da despedida, meu peito apertar de saudade e eu quiser dizer isso. Se, por ventura, mostrar-me nitidamente a fim de um ou apaixonada por outro parecer motivo de desvalorizar meu sentimento, aí sim eu revejo o que eu sinto. Qual a lógica de eu precisar não amar para ser amada? Por que valorizar tanto quem cria uma crosta insuperável de indiferença?

Acho, aliás, que não dizer o que sente - ainda mais para parecer mais interessante - deve dar câncer. E o pior: essa técnica, tão recorrente em dias de whatsapp, visualizações, marcas azuis e declarações não comentadas de facebook, remota a Platão: o primeiro da filosofia clássica a dizer que amamos só o que nos falta.



Reinventar a falta é a arte dos relacionamentos duradouros, não nego; mas transformar silenciamento em técnica de sedução é violência. A você, ao ser amado, à sociedade toda que já está calcada em ódio demais para se retroalimentar de dor.






Na contramão do silêncio imposto pelas dicas de sedução, eu grito ao mundo que amo - seja quem for que eu ame. E se eu só saí com aquela pessoa uma vez, mas meu coração me pediu para desejar bom dia - eu desejarei! E se eu conheci minha nova amiga ontem, mas quero falar para ela que ela é foda? Falarei. E, ao contrário de Platão, eu amarei quanto mais for amada e verei meu amor crescer com o amor do outro: regado a palavras, beijinhos, carinhos e declarações lindas e públicas de afeto. Que se dane o silêncio. Quando a morte chegar, ele preponderá por tempo demais. Esse meu coração não é tabuleiro, nem ringue: é uma pista de dança enfurecida.





3 comentários:

  1. a melhor coisa que poderia ter acontecido no blog: a entrada da Marcella Rosa. ela arrasa demais!

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    1. Também acho. Esse texto é lindo demais!!!

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  2. Obrigada, pessoal. Fico muito lisonjeada e feliz! beijo enorme!!!!!

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