Não confunda felicidade com violência ou do porque é preciso ser Maggnífica.

escrito por Rosa


Essa semana fui ao médico, para algo de rotina ginecológica: o papa nicolau anual. A médica perguntou minha altura: "1,74cm"; meu peso: "acho que uns 94 kg nesse momento".

Foi generosa, fez o exame com cuidado. Fez apreciações válidas. Contou coisas curiosas da vida dela. Elogiou minhas tatuagens. E eu pedi: "a senhora poderia me indicar um clínico também?". Pedi porque preciso passar por um clínico para poder procurar um dermatologista (no sistema de atendimento médico da unicamp é assim; e eu tenho tido muitas alergias cutâneas). Ela disse: "claro. Não quer que eu te encaminhe a um nutricionista também?"


Eu, sempre que vou ao médico, sei que isso vai acontecer. Independente de eu saber os dados sobre meu corpo e ter consciência de que não tenho absolutamente nada de errado. Eu disse, gentilmente: "olha, eu acompanho sempre: tenho tudo bem ok, além disso não sou nada sedentária, o que colabora e tal".


Ela me olhou de novo e disse: "E você nem tem gordura abdominal, que é realmente perigosa. Mas, estou dizendo isso como alguém que gostou de você: quando ficar mais velha, vai ser difícil emagrecer. E você (a frase fatídica) tem um rosto tão lindo".

É isso. E foi isso quando fui à nutricionista tratar minha intolerância a lactose e ouvi: "professoras tem que ser magras, senão são menos respeitadas"


E foi isso quando ouvi de um ex namorado: "você é linda, mas se perdesse uns 6 kg seria perfeita".


E foi quando ouvi, de um policial, sofrendo tentativa de estupro: "você que é MAIORZINHA, evita usar short tão curto que chama a atenção dos homens".


Gordofobia parece um termo engraçado. Quando eu digo, as pessoas riem. A associação gordo+sofrimento não está cristalizada se você não fizer questão de fazê-lo sofrer.


Veja essa imagem, achada na internet sem querer:


Não sei o que o autor da imagem queria dizer, aliás, nem sei quem é o autor (e estou aberta a essas informações), o que sei é como ela foi usada: por uma 'amiga' de facebook, para dizer que sempre houve dentro dela uma mulher magra e linda a se libertar.

Ainda que a maioria das mulheres que emagrecem não diz exatamente isso, o que vemos é uma associação constante de que as pessoas se tornaram felizes de verdade no momento em que emagreceram. E, mesmo que você ache que isso só diz respeito a você, quando você dá a entender que a sua felicidade provém exclusivamente da sua magreza, você está influenciando pessoas. Em geral, a maioria das mulheres que faz isso tem pouco poder de mídia, então, isolam-se e prejudicam só a si mesmas.
Porém, fico preocupada com alguns ganham fama, especialmente entre minhas alunas mais novas. Quando as vejo reproduzindo esse discurso e reproduzindo sofrimento, eu me lembro da principal razão que me fez ter querido me tornar uma Maggnífica: não deixar passar impune essa violência, porque #todomundopodetudo

Ah é. Agora sou oficialmente uma Maggnífica! Obrigada a todos que desejaram isso, às meninas mais maravilhosas do mundo que cuidam desse blog e a todos que ainda vão me ler.

Beijos vermelhos,
Rosa.




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