Reflexão - Amanda do BBB

escrito por Marina Sena


Oi, gente!

Eu não sou muito de assistir TV, e apesar de não ter assistido um diazinho desse Big Brother Brasil tenho acompanhado as discussões sobre a Amanda em alguns Blogs e grupos no Facebook. Li um texto que minha amiga Natália me mandou e que despertou muita reflexão. Gaslighting é um assunto que tem me interessado bastante e acho super válido dividir o texto com vocês, na íntegra, porque além de hoje ser a final, também quero opiniões! 


Carta para receber Amanda

Amanda, já faz mais de um mês que te escrevi. Daquele tempo pra cá muitas coisas aconteceram e o BBB acaba daqui algumas horas. Fernando acabou de sair do programa e você e César são finalistas. Hoje estou aqui te reescrevendo e muita gente que me conhece deve pensar: Mas por que a Jéssica insiste em escrever sobre BBB? O que será que feminismo tem a ver com isso? Bom, eu vou tentar falar pra você e pra todo mundo.

Como eu disse na minha primeira carta, eu só comecei a assistir e acompanhar o programa por causa da sua história, por causa de você. Eu aprendi a te defender, sofrer junto e sentir por você como se fosse uma amiga. A televisão faz isso com a gente quando a gente deixa se envolver . Você não é personagem de novela, é mulher real e estava quase todo dia na minha sala e na minha frente sofrendo gaslighting. Gaslighting é uma palavra difícil e a situação de seu significado também. Para quem quiser entender antes de seguir a leitura aqui tem uma explicação e aqui outra. Mas vamos lá Amanda, porque essa carta é para você, mas não é só sobre você. 

Não sei se você vai gostar de ler muita coisa do que vou dizer aqui. Não sei qual será sua reação ao descobrir que o homem que você ama é na verdade seu algoz e que o relacionamento que você viveu aí foi completamente abusivo. E por isso é importante falarmos sobre seu exemplo. Logo você sairá do confinamento e vai ver todas as imagens e notícias sobre Fernando te ofendendo, rindo de você, te enganando e mesmo assim se relacionando com você sabendo o quanto você gosta dele. Na última madrugada ele chorou sozinho e disse que amava Aline, a mulher que ele traiu a confiança e expôs ao se relacionar com você. Enfim, sua mãe e todas as pessoas que gostam de você vão te dizer quem realmente é esse homem. Vai doer. 

Eu sei que você já sofreu muito pela rejeição e deslealdade de alguns homens. Você sempre diz isso, chora por isso e daqui do outro lado nota-se claramente que sua insegurança pessoal e dependência emocional estão ligadas ao que você já passou. Mais uma vez (e eu sinto muito por isso) não será fácil. Agora, além de tudo terá a exposição na mídia, as imagens gravadas, e os julgamentos de milhões de pessoas que vão esperar atitudes e palavras suas. Eu estou aqui te escrevendo para engrossar o coro de que você não está sozinha. Nunca esteve.

Muitas mulheres sofrem e vivem relacionamentos abusivos. Eu tenho certeza que muitas mulheres sentiram raiva ao ver Fernando criticando suas estrias, dizendo para você comer menos, fugindo da sua pergunta sobre ter um relacionamento sério e até chorando para te manipular emocionalmente. Muitas mulheres se enxergaram na TV ao te verem chorar de insegurança e acreditar nesse amor. Gaslighting é diferente de apenas “sofrer por amor”. E é aí é que está a armadilha. É difícil identificar e mais ainda romper esse problema. A mulher vítima do abuso psicológico não enxerga sua condição, e não consegue reagir porque acha que aquilo é o amor que ela merece. 

Eu não sou psicóloga e nem tenho como explicar porque tudo isso acontece e como isso funciona em nossas cabeças. Mas venha cá, você que está lendo esse texto, eu tenho certeza que você já conheceu ou conhece ao menos um caso em que o homem clara ou sutilmente manipula a situação e conduz o relacionamento de forma que a mulher (já insegura) se torna dependente e cega diante da corrente que a prende. Dói escrever tudo isso pra você Amanda. Dói reconhecer-se um pouco ou muito em você, enxergar amigas ou conhecidas. Mulheres tão fantásticas quanto você. Bonitas, inteligentes, verdadeiras, cheias de vida pela frente e de sorrisos que deveriam ocupar o lugar do choro. 

Minutos antes de eu começar a escrever ouvi Fernando dizer em rede nacional que “se expôs muito mais do que expôs Aline”. Além dele nem ter citado como ele te expôs, ele ainda disse e deve acreditar que é a parte mais “exposta” da história. É exatamente assim que homens que praticam gaslighting se sentem: a parte mais importante de qualquer história doa a quem doer. Amanda, isso não é amor. 

Sei que é mais fácil acreditar que ele e todos os outros foram guiados pelo erro, a insegurança e a confusão de sentimentos... Afinal, quem nunca confundiu seus sentimentos por alguém? Quem nunca achou que gostava de duas pessoas ao mesmo tempo? Eu acho até que isso seja possível. Mas nunca, de forma alguma, podemos deixar alguém nos reduzir, nos expôr e nos humilhar em nome dessa "confusão". Você ama Fernando, nós vimos isso e não era novela. Fernando também viu e mesmo assim escolheu te ferir e ferir outra mulher a quem ele disse que amava olhando nos olhos. 

Aqui do outro lado da tela nós identificamos Amandas e Fernandos. É por isso que essa história não é só sua. Não foi só sua. A sua história fomentou discussões sobre muitas coisas que envolvem a vida de uma mulher que encontra um Fernando pelo caminho: insegurança, manipulação, abuso e amor. E tudo isso tem a ver com feminismo sim. Sempre ouvimos por aí “fulana não sai dessa situação porque não quer, só depende dela”. Mas a verdade não é essa. A verdade é que depende de todas nós ajudarmos a fulana a enxergar e sair dessa. A gente te assistiu sem poder te ajudar, mas ver tudo isso em HD e em tempo real talvez tenha nos feito perceber que aqui do lado de fora não podemos mais só assistir passivamente, é preciso ajudar nossas amigas, conhecidas, familiares e aquela moça que chora no banheiro da balada. 

Amanda(s), eu espero que você fique bem e enxergue realmente a mulher incrível e maravilhosa que você é. Continue sendo essa pessoa intensa e apaixonada. Essa é você. Essa às vezes sou eu e somos várias. Acredite, é possível viver assim e ser feliz. Seria pretensão demais tentar dizer o que é o amor, mas um relacionamento que envolve qualquer tipo de violência (e aqui falamos da psicológica) não é sobre amor. Nós acreditamos no amor e acima de tudo acreditamos que amor algum pode nos custar perder o principal: o amor próprio. Descubra esse amor e apaixone-se!


Via Desvio Livre - Reproduzido com autorização da autora :)


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