Pinto os lábios para escrever: a tua boca é minha

escrito por Maggníficas


Pinto os lábios para escrever: a tua boca é minha.


Esse verso do Nando Reis é excelente, mas eu gosto mesmo é de cantá-lo pela metade. Algo como ‘pinto os lábios para escrever’, em que ‘escrever’ não venha complementado do ‘porquê’. Porque pintar a boca e escrever sempre foram duas coisas absolutamente naturais para mim, desde pequena. Eu não sou afoita a maquiagem. Não tenho base e passo sombra uma vez ao ano, só. Apesar disso, pinto os lábios todos os dias. Há muito tempo, mesmo. É parte de mim. Quase sempre, em tons de vermelho, a ponto de ter o tom da boca já alterado em relação ao original: sem batom, a boca manchada continua vermelha. 

Por muitas vezes, eu usei batom vermelho em contextos que as pessoas consideravam inadequados. Nunca entendi o que incomodava tanto. Boca vermelha é, mesmo com a moda latente dos batons, simbólica de um monte de coisas. E os símbolos são tão poderosos numa sociedade que funciona mais figurativamente do que tudo. Não importa o que acontecia nessas situações, de uma maneira ou de outra, as pessoas faziam questão de me informar que eu estava inapropriada com aquele batom. Desde enterros ‘é desrespeito vir de batom vermelho aqui’, até ir no mar ‘quem passa batom vermelho pra ir no mar, num calor desses?’.  Acho que eu nunca entenderei o que é que se passa na cabeça dessas pessoas, e acho, sinceramente, que, como todo preconceito banal, não é passível de compreensão.

Mesmo bombando em todo o mundo e em todos os estilos, ainda existe ressalva quanto a batom vermelho. Nos casos mais ingênuos, escuto as pessoas me dizerem ‘em você fica bom, em mim eu não gosto’. Não, gente, a regra para o batom vermelho ficar bom é uma só: passá-lo com vontade e sem dó de pintar a boca de ninguém.

Aqui, para quem não quer começar com o vermelho-vermelhaço-vermelhusco-vermelhão, quatro opções mais gentis:

Um vermelho fechado-vinho-marsala-bordeaux-essacorsómudadenome (diva-mac)



Um vermelho cereja, puxando pro rosa (mac red – mac)



Um roxinho escuro (açaí –mac)



Um roxinho mais aberto (heroine)



Fotos: Acervo Pessoal
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Marcella Rosa é formada em Letras, mestre em Crítica Literária e, porque não tem juízo, cursa atualmente graduação em filosofia e doutorado em História da Literatura. Gosta de gente, de qualquer forma, por isso, é apaixonada pela sala de aula e por escrever sobre pessoas. Não gosta de biografias em terceira pessoa, mas faz. Gosta de livros, mas não faz. Prefere sempre a troca: de figurinha, de fluidos ou de experiência.


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