Viajando: Wwoof em São Miguel Arcanjo

escrito por Marina Sena


Oi, gente!
Essa viagem já aconteceu há um tempinho (final de julho/começo de agosto desse ano), mas não posso deixar de contar como foi! Afinal, foi uma experiência muito diferente e especial, e aposto que vai chamar a atenção de vocês também!!

 
Vi um dia na internet sobre o programa Wwoof (World Wide Opportunities on Organic Farms, e em português Rede Mundial de Oportunidades em Fazendas Orgânicas), que tem no mundo inteiro e que funciona basicamente na base de troca: você vai pra uma fazenda orgânica como voluntário, ajudando no trabalho necessário e o proprietário fornece hospedagem e alimentação. Fiquei tão animada com essa proposta! E na verdade um pouco receosa no começo, nunca tinha visto nada sobre isso... Então comecei a pesquisar sobre as fazendas e o namorado entrou nessa ideia comigo!
 
Para ser um wwoofer, você precisa fazer um pagamento de $38 dólares, que vale por um ano. Esse pagamento te dá acesso ao contato dos proprietários das fazendas da região que você escolheu (o Brasil é uma região, Europa é outra região e assim por diante). Eu paguei essa taxa e o namorado também, pois isso gera um número de cadastro que vai num formulário enviado pra fazenda demonstrando seu interesse em se hospedar naquele lugar.

 
Já tínhamos viagem marcada para o meio das férias, então tínhamos uma semana antes e uns dias depois, quando voltássemos. Foi um pouco difícil encontrar uma fazenda que nos recebesse por apenas uma semana e que a alimentação não fosse totalmente vegetariana, e esses fatores foram grandes filtros para nós, já que a maioria aceita voluntários somente a partir de duas semanas e fornece uma alimentação sem o consumo de carne.
 
Optamos por uma fazenda que fosse perto de onde moramos, por ser nossa primeira experiência e primeiro contato com o programa, assim, se não gostássemos ou tivéssemos algum problema seria mais fácil de voltar pra casa... hahaha. E como já tínhamos viagem marcada para o dia seguinte do nosso retorno da fazenda, preferimos um lugar mais perto para ficarmos também por mais tempo.

 
Entramos em contato com diversas fazendas e no final encontramos uma que somente pelas fotos sentimos uma energia muito boa! Decidimos que seria aquela e eles concordaram em nos receber pelo curto período que tínhamos disponível.
 
Os voluntários vêm e vão. É um fluxo grande: na semana em que estivemos lá, tivemos contato com três americanas, dois americanos, uma dinamarquesa e um francês. O trabalho era dividido no dia, na hora, e cada um fazia um pouco do que precisava ser feito. Ninguém é obrigado a nada, mas o ideal é que cada um faça um trabalho novo a cada dia, mas na verdade nós acabamos indo atrás daquilo que tem a ver com a gente, né? Eu gostei muito de cuidar da horta, ajudar a dar comida para a porquinha, também ajudei com a limpeza da casa e colheita de frutos. 

Soubemos que a rotina do sítio não estava como sempre foi, as atividades rotineiras estavam sendo adiadas ou não estavam sendo realizadas. Mesmo assim tivemos grandes momentos, grandes companhias e um imenso prazer em conhecer os meninos que moram lá, que cuidaram muito bem de nós e são ótimas pessoas, essenciais para esse lugar!
 


A maioria das refeições eram feitas juntas e sempre com todos à mesa. É uma união bem bonita que surge nesses momentos!

O começo dessa semana foi um pouco difícil pra mim, quem me conhece sabe que sou tímida e tenho um pouco de dificuldade em me relacionar rápido, apesar de gostar de conversar e conhecer sobre pessoas e suas histórias... Eu demoro um pouco pra me sentir à vontade e me adaptar. Nesse momento tive um questionamento interno enorme sobre minha vida, meus sentimentos, relacionamentos e dificuldades pessoais. E foi bem interessante. E melhor ainda é ter esses questionamentos perto da natureza!


 
Esse contato com a natureza, com as plantas e com a terra é incrível... Todo mundo deveria experimentar, de verdade, é uma conexão muito necessária que sinto falta no dia-a-dia.

O sítio tem foco na agricultura biodinâmica e nos envolvemos bastante com as questões sustentáveis. Aprendemos bastante e uma curiosidade que conto pra todo mundo é que nos foi sugerido que fizéssemos nossas "necessidades" fora da casa, pelo menos durante o dia, por questões de desperdício de água, etc. Tinha um lugar específico para o nº 2 e o nº 1 poderia ser feito em qualquer matinho do sítio. Confesso que na primeira vez que fui fazer xixi fiquei com medo de ser vista, e pedi pro namorado me fazer companhia... Mas depois quebrei o "tabu", fui sozinha nas outras vezes e curti bastante essa atitude e a sensação!

Olhem bem no centro: esse era o lugar do nº 2

A proposta do projeto é trabalharmos meio período e ficarmos "livres" na outra metade do dia. Na cidade em que estávamos, São Miguel Arcanjo, não tinha muita coisa pra fazer ou pra conhecer, é uma cidade simples do interior de São Paulo. Fomos para o centro alguns dias, pois tivemos que usar a internet e lá no sítio não havia nenhum tipo de sinal, mas na maioria dos dias que ficamos hospedados, não saímos para nenhum lugar, tudo que precisávamos estava ali.


O Som(bra) foi o primeiro gato da minha vida

Minha dica pra quem quiser ir e fazer parte disso é: vai com o coração aberto, sabe. Tem que estar preparado pra fazer de tudo, e é uma vivência incrível. Cada lugar tem suas especificidades e rotina, que proporcionam aprendizados diferentes. Nesse sítio em específico não fizemos trabalhos pesados como limpeza dos animais e dos lugares onde ficam, nem trabalhos com plantio. Isso devido ao pouco tempo que ficamos hospedados, à rotina diferenciada do lugar e também do tempo frio que fazia nessa época.
Algumas pessoas me falaram que isso é escravidão/exploração, mas na verdade eu acredito que é uma forma diferente de se conhecer e de conhecer outras pessoas, outros lugares, outras ideias e estilos de vida. Pra mim foi uma troca bem bacana e pretendo repetir!

O namorado e eu, suados e bagunçados (mas felizes!) depois de uma trilha, de fazer carinho nos cavalos e pegar lenha

Todas as fotos foram tiradas no sítio UOAEI (Unidade Onto-Agrícola Eco-Integral), em São Miguel Arcanjo, São Paulo/SP.

Pra quem quer saber mais, seguem alguns links de textos e informações que li sobre o assunto:
- Site Wwoof: http://www.wwoof.net/
- Wwoof Brasil: http://www.wwoofbrazil.com/
- Link Catraca Livre: http://catracalivre.com.br/geral/negocio-urbanidade/indicacao/seja-voluntario-em-fazendas-organicas-ao-redor-do-mundo-e-ganhe-hospedagem-e-alimentacao/
- Link Hypeness: http://www.hypeness.com.br/2013/09/site-oferece-hospedagem-em-fazendas-organicas-ao-redor-do-mundo/
 
O que acharam dessa viagem? Me contem aqui, no Facebook ou no Instagram (@maggnificas)!
Beijo beijo!



Somos Marcella Rosa e Marina Sena, parceiras no blog, na luta e na vontade de mudar - nem que seja um pouquinho - o mundo. O Maggníficas é um pouco de nós, porque aqui tem moda democrática, empoderamento feminino e amor próprio. Nosso foco é a sororidade e a vivência plena de todos os corpos, porque acreditamos que somos todas maggníficas e que todo mundo pode tudo!

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