Afinal, como comer? - Um resumo sobre a alimentação intuitiva e consciente

escrito por Maggníficas


No último post, eu discuti sobre os vários malefícios associados à realização de dietas (ver post aqui), mas eu fiquei devendo uma informação muito importante pra vocês: Como, então, perder peso? 
 
Antes de iniciar esse tópico, precisamos ter em mente que o peso/forma corporal ideal pra você pode não ser igual os das revistas. Até porque, pasmem!, apenas uma pequena parcela da população tem aquele biotipo da tevê. O resto da população possui biotipos diferentes, que, sinceramente, acho lindos! 
 
Assim, reflita: eu preciso perder peso?
 
Eu realmente preciso perder peso por causa de problemas de saúde, ou eu quero me encaixar nos padrões de beleza atuais? 
Quero cuidar de mim, da minha saúde ou do meu bem estar, ou quero fazer o possível e o impossível para me adequar ao peso que os outros acham que devo ter? 
 
Na verdade, todos nós possuímos um peso de equilíbrio, que é uma faixa de peso (de até 5 a 10kg) na qual nosso corpo se mantém com facilidade e funciona adequadamente. Assim, quando comemos de forma flexível, livre e sem proibições, respeitando nossos sentidos físicos e emocionais (vou chegar nisso!), nosso corpo se manterá nesse peso de equilíbrio. É ainda interessante ressaltar que quando fazemos uma dieta restritiva e emagrecemos além do nosso peso de equilíbrio, nosso corpo entra num estado de alerta, por pensar que está passando fome ou sendo privado de alimento, e aciona aquele nosso instinto de sobrevivência que fará com que nosso organismo revide: metabolismo diminuído, maior armazenamento de gordura e desejos por comida, além de próprios fatores psicológicos, emocionais e sociais que fazem com que não aguentemos permanecer na dieta. Isso levará ao deslocamento do peso de equilíbrio, o chamado efeito sanfona: se você perdeu 2kg, agora ganhará o dobro. 

 
Mas, então, o que fazer?
Como vocês têm percebido, aquela velha história da balancinha (perda de peso = ingerir menos e gastar mais) não é necessariamente verdade. Por isso, venho trazer outras opções pra vocês:
 
“Abrace e ame seu corpo,
ele é a coisa mais maravilhosa
que você irá possuir”
Primeiro, temos que nos aceitar. Mesmo muito abaixo ou acima do peso, temos que nos amar, nos aceitar e nos valorizar, pois, só a partir disso, poderemos mudar. Criar um ódio ou uma briga contra nós mesmos só vai nos trazer culpa, tristeza e a sensação de fracasso. O primeiro passo é nos aceitarmos, vermos a beleza que há em nós e nos amar. Independente de peso. Independente de forma corporal. Isso não significa se conformar com a situação, como por exemplo, estar sem saúde. Isso significa se aceitar, se valorizar e se amar, e a partir disso, se permitir mudar.

Segundo, devemos focar no nosso bem-estar e na nossa saúde! Precisamos ter em mente que o peso nunca deve ser um foco! Na verdade, o peso equilibrado deve ser uma consequência de nossas ações em prol da nossa saúde, do nosso bem estar e do nosso corpo.
 
Terceiro, proponho pra vocês uma ideia que vem crescendo pouco a pouco, retomando os sentidos naturais da alimentação e propondo uma vida sem restrições. Uma ideia que traz uma alimentação flexível, livre de proibições, consciente e que respeita seus sentidos físicos e psicológicos. Esta ideia é a alimentação intuitiva (intuitive eating)/alimentação consciente (mindful eating) (elas têm algumas diferenças técnicas, mas em geral nos levam pra mesma linha!). Linhas de pensamento que trazem:
 
- As pazes com a comida. Dê adeus a sua guerra contra ela. Admita a função importante que a comida tem pra você; perceba que não há alimentos bons e ruins e permita que sua alimentação seja variada e flexível.

- Perceba todas as funções do alimento. A comida tem a função de nos nutrir, mas ela também tem funções sociais, culturais e emocionais em nossas vidas, e isso não deve ser evitado. Deixar de ir a um churrasco com os amigos porque você não quer comer é negar esses outros sentidos da alimentação.

O fim de qualquer restrição. É isso mesmo! A única regra é essa: tudo pode! Você deve estar pensando “Tá, desse jeito, eu vou comer até explodir!” Mas o que acontece é que nosso corpo reage de uma forma bem interessante. Quando abandonamos as restrições, pouco a pouco nosso corpo vai se acostumando a não se privar mais, e consequentemente vai deixando de ter desejos por comida, e nós vamos parando com obsessões e compulsões alimentares. Talvez nas primeiras semanas que você esteja praticando a alimentação intuitiva, você se sinta descontrolada e acabe comendo excessivamente. Mas depois de um certo período, o corpo se adapta e estas vontades e obsessões alimentares vão deixando de existir. Este é o segredo: quando se aceita tudo, seu corpo para de desejar tudo. E assim você leva uma alimentação flexível, livre de proibições e equilibrada (pois seu corpo vai pedir alimentos variados que nutram seu organismo, e também que nutram a alma!).

A confiança em seus sentidos físicos – a fome e a saciedade. Confiar no seu corpo quanto aos estímulos de fome e saciedade é a melhor estratégia que podemos utilizar. Preste atenção na sensação da fome, e coma. E enquanto estiver comendo, preste atenção nas sensações que a comida provoca no seu organismo e identifique a saciedade.

- A consciência e reflexão a respeito do momento de comer. Prestar atenção enquanto você come é um ponto essencial para identificar os sentidos físicos e psicológicos provocados pela comida no organismo! Aproveite cada mordida, cada mastigada! Coma com calma, e reflita sobre este momento. Curta este momento maravilhoso.

Entenda que o comer emocional pode estar presente. Muitas vezes comemos por causa de nossas emoções. Quando estamos tristes ou abalados, acabamos descontando na comida. Isso é muito comum. Não fique com raiva ou triste consigo mesma, mas reflita sobre esse momento, e perceba qual a causa disso. Não se reprima por estes momentos, apenas tente entender o que eles significam para você.
 
 
A seguir, quatro pontos que podem ajudar nesse processo:
 
Mente: Estou saboreando cada dentada e prestando atenção no meu alimento, ou estou pensando em outros problemas ou distraído com algo?
 
- Corpo: Como meu corpo reage antes e depois de comer? Quais sensações eu sinto?
 
- Sentimentos: O que é a comida pra mim? Como me sinto em relação à comida? Culpado? Com prazer?
 
- Pensamentos: Que pensamentos é que os alimentos me provocam? Memórias? Crenças? Mitos? Medos?

 
Por isso, pessoal, proponho para vocês que façam estes exercícios! Pratiquem, a cada dia, a auto-aceitação, a gratidão por você mesmo, e a alimentação intuitiva e consciente!

 
Que tal darem essa chance pro corpo e mente de vocês?
Que tal dizer não pra essa maré de dietas, restrições e pode-não-pode de hoje em dia?
Que tal dizerem sim para si mesmos?

Vem comigo!
 

Nathália S. Petry

Graduanda em Nutrição, serei daquelas nutricionistas que não acredita em dietas restritivas e proibitivas, que não respeitam o indivíduo. Sou apaixonada pela alimentação sem culpa, prazerosa, intuitiva e consciente.
Também acredito na valorização e aceitação de todas as formas corporais e acredito que o amor próprio é o primeiro passo para grandes mudanças.
Tenho um carinho imenso pela área da prevenção e tratamento de transtornos alimentares, e conduzo a página www.facebook.com/sobretranstornosalimentares, na qual trago novidades na área e informações a respeito de alimentação sem culpa e satisfação corporal.

 

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