O segredo é fechar a boca?

escrito por Maggníficas


Olá maggníficas! O blog conta agora com uma nova colaboradora, agora na área da nutrição. Conhecemos a Natália no Facebook e, em tempo de restrições alimentares severas e comida sendo tratada como lixo, nos identificamos muito com as ideais de uma alimentação saudável dela. Confiram! 

"Em uma aula de zumba, uma das mulheres comentou comigo como ela ainda não tinha conseguido perder peso desde que havia começado a frequentar as aulas, há três meses atrás. Então ela complementou: “É que só exercício não adianta né, o segredo é fechar a boca”.

Fechar a boca?
Bom, já diziam que “em boca fechada não entra mosca”, então acho que isso é bom motivo pra não manter a boca aberta por aí.

Ou quem sabe, “se não tem nada interessante pra falar, mantenha a boca fechada” também possa ser um motivo pra manter a boquinha fechada.


Brincadeiras à parte, será mesmo que “pra emagrecer, o segredo é fechar a boca?” Será mesmo que realizar jejuns ou restringir muito a alimentação (papel das famosas dietas) é chave para o emagrecimento? Será mesmo que embarcar em uma dieta com poucas calorias é o caminho certo?

Bom, nosso corpo, como vocês sabem, precisa de combustível para viver. Ele é como uma máquina, totalmente perfeita e organizada, que necessita de combustível, na forma de energia, para manter suas funções vitais. Nossas células sobrevivem desse combustível que damos a ela, e nossos órgãos mantêm suas atividades devido a esse combustível. Ainda, cada organismo é único e vai precisar de uma quantidade individualizada de energia e macronutrientes e micronutrientes.

Vamos dar uma analisada no que acontece quando você “fecha a boca” (restringe muito sua ingestão alimentar – as dietas, ou realiza a prática de jejuns):

1)      Quando fornecemos muito menos combustível do que o corpo precisa, ele entra num estado de alerta. A restrição levará a uma perda de peso, mas isso à custo de estresse metabólico - e psicológico. Além disso é provável que você esteja perdendo principalmente água e músculos, e provavelmente atingirá o “efeito platô”, no qual a perda de peso se torna muito difícil

Seu corpo vai ficar em alerta, preocupado, pois está recebendo muito menos energia e nutrientes do que estava acostumado. Começarão a ocorrer alterações metabólicas para manter suas células e órgãos funcionando, mesmo à custa de pouco combustível. Isso fará com que você perca peso, é claro, pois seu corpo está consumindo suas reservas e se auto-consumindo para lhe manter vivo.

Porém nosso corpo é uma máquina perfeitamente adaptável e ele vai sim se adaptar a essa situação. Ou seja, se antes você precisava de x calorias para se manter, seu corpo vai conseguir funcionar perfeitamente usando muito menos calorias. Isto é, ele vai se otimizar! Isso é muito bom para ele, pois como uma máquina de sobrevivência, ele garante que você continue vivo e funcionante. Porém, para você que está querendo emagrecer, isto é um problemão, pois você entrará naquele chamado “efeito platô”. Ou seja você está comendo muito pouco, e não está perdendo mais peso.



(Pois é! E sem as calorias seu corpo não sobrevive!)


2) O proibido passa a ser muito desejado, e seu psicológico passa a ficar abalado: culpa e obsessão invadirão seus pensamentos.

Além disso, ao entrar numa dessas dietas, você acabará restringindo muitos tipos de alimentos. Ou seja, alguns alimentos começam a ser colocados naquela listinha de proibidos, e são cortados bruscamente da alimentação. Seja aquele bombom de depois do almoço, ou aquele bolinho do café da tarde, a ingestão destes alimentos será acompanhada do sentimento de culpa. Você começa a se sentir culpada ao ingerir certos alimentos, pois estes poderiam estragar seu processo. Essa restrição gera um efeito interessante no nosso psicológico: quando não podemos ter algo, nós queremos. E queremos muito. Assim, muitas dietas são acompanhadas por um pensamento obsessivo em comida. Quanto mais você controla sua alimentação, mais você pensa em comida.
3)      “Boca fechada” pode levar a compulsões alimentares.

Muitas vezes a dieta pode levar ao desenvolvimento de compulsões alimentares, as quais se caracterizam por uma ingestão de muita comida em um intervalo muito pequeno de tempo. Por exemplo, você passa uns 7 dias sem comer o seu tão querido bombom, e no oitavo você não se aguenta, e resolve comer um. Mas aquele um bombom está tão mais delicioso agora, e você não consegue evitar e acaba comendo um saco inteiro. E muitas vezes, o comer um bombom não planejado pela dieta causa o pensamento de que você “estragou a dieta no dia” e assim você se libera para atacar todas aquelas outras coisas que você vem proibindo. Mas tudo bem né, porque no dia seguinte você recomeçará a dieta, talvez até comendo bem menos no dia seguinte pra compensar, e tudo voltará aos prumos. O problema é que isso é um ciclo infinito. Você restringe, mas você não aguenta, e acaba comendo aquele alimento excessivamente.

4)      A vida social pode ficar abalada.

A vida social também pode ser um pouco abalada, pois como continuar frequentando aquela noite da pizza com as amigas? Ou como participar daquele churrasco de domingo? Assim, é comum que você passe a evitar estes eventos, ou mesmo comece a levar a sua própria marmita “saudável”, o que também pode não ser muito bem aceito pelos outros participantes.

5)      Dietas e jejum têm um tempo limitado: o “efeito sanfona”.

Provavelmente será difícil manter a tal dieta e essa restrição toda, e você vai acabar desistinto e voltando sua alimentação de antes. O problema, gente, é que agora seu corpo está otimizado, ou seja, seu corpo é capaz de funcionar super bem com menos combustível do que antes. Ou seja você come o mesmo tanto, mas agora seu corpo precisa de menos! Isso é o que leva ao famoso “efeito sanfona”. Você retoma sua alimentação habitual, e não só recupera o peso, como acaba ganhando mais peso ainda. O outro problema é que a composição corporal acaba mudando também, pois você havia perdido principalmente água e músculo, mas agora o excesso da sua ingestão será acumulado como gordura.


Voltando, será que o “boca fechada” realmente vai trazer o emagrecimento? Ou só vai confundir o seu metabolismo e o seu psicológico?
É claro, pessoal, que isso é uma explicação genérica do que acontece quando você segue uma dieta restritiva ou “fecha a boca”. Mas temos que ter em mente que o organismo é uma máquina fantástica e complexa, composta por inúmeras reações e compostos químicos e metabólicos, que se desestabiliza quando submetido a um extresse, como o da “boca fechada”.

Sinceramente, eu não sei como essa crença de que “pra emagrecer tem que fechar a boca” caiu na boca da galera (olha o trocadilho!). Eu fico surpresa, porque esse dito não só não é verdadeiro, como também ofende nosso corpo em sentidos físicos e psicólogicos. Pra manter nosso corpo em função e peso equilibrado, temos que dar a ele combustível suficiente!

Por isso, gente, nada de “boca fechada”.
Vamos dar ao nosso corpo o combustível que ele precisa pra sobreviver, para funcionar perfeitamente, e para nos deixar cheios de vida!

A essa altura, talvez você esteja um pouco confuso: Tá, se “fechar a boca”, fazer dietas ou realizar jejuns não funciona, o que funciona, afinal?

Nos próximos posts, abordarei estratégias a respeito de como se alimentar adequadamente, seja buscando o emagrecimento ou a manutenção do peso, de um modo que respeite nosso metabolismo e nosso psicológico! Isso não involve milagre, fome, ou extrema força de vontade ou disciplina. Isso irá involver amor-próprio e confiança em si mesmo. Mas, para não deixar vocês na vontade, já vou deixando um exercício para vocês para introduzir o próximo post:

- Pratique amor-próprio (lembre-se que independente de você parecer com as mulheres divulgadas pela mídia, você é linda e ninguém pode te dizer o contrário!). Observe as coisas boas que você tem!

- Preste atenção no seu corpo, nos sentidos da fome e da saciedade, enquanto você come; e observe o prazer que os alimentos trazem.

Até os próximos posts!
Beijão!

Imagens retiradas do Google Images.


Nathália S. Petry
Graduanda em Nutrição, serei daquelas nutricionistas que não acredita em dietas restritivas e proibitivas, que não repeitam o indivíduo. Sou apaixonada pela alimentação sem culpa, prazerosa, intuitiva e consciente.
Também acredito na valorização e aceitação de todas as formas corporais e acredito que o amor próprio é o primeiro passo para grandes mudanças.
Tenho um carinho imenso pela área da prevenção e tratamento de transtornos alimentares, e conduzo a página www.facebook.com/sobretranstornosalimentares, na qual trago novidades na área e informações a respeito de alimentação sem culpa e satisfação corporal.

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2 comentários:

  1. Nossa! Amei o texto e você está certa Nathália, temos realmente que manter nosso corpo sem tantas restrições. Depois de várias tentativas frustradas, hoje me aceito e gradativamente estou perdendo peso sem muitos sacrifícios (comendo normalmente). O primeiro passo é aceitar-se, "fechar os ouvidos" para as baboseiras e críticas destrutivas contra nós e estar com o psicológico em dia! Graças a Deus e a vários blogs (em especial o Não Sou Exposição) estou em auto tratamento e isso está fazendo toda diferença! Obrigada pelo texto e agora você também faz parte da Liga dos Heróis Invisíveis da minha vida! (Nem tão invisível assim né?). Beijos!

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    1. Lu, que alegria! Fiquei feliz demais com teu comentário! É muito bom quando percebemos o que realmente importa na vida e damos valor ao bem estar, à saúde e ao amor próprio! Continue firme assim! <3

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Somos Marcella Rosa e Marina Sena, parceiras no blog, na luta e na vontade de mudar - nem que seja um pouquinho - o mundo. O Maggníficas é um pouco de nós, porque aqui tem moda democrática, empoderamento feminino e amor próprio. Nosso foco é a sororidade e a vivência plena de todos os corpos, porque acreditamos que somos todas maggníficas e que todo mundo pode tudo!

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