Repensando a ciência

escrito por Maggníficas






Penso que as pessoas deveriam começar do começo: desconstruindo preconceitos e, então, fazendo ciência. Veja bem, muito tem se falado sobre os malefícios do excesso de gordura no corpo: colesterol alto, diabetes, problema de coração, hipertensão e blá, blá, blá. Você, com certeza, já leu sobre isso em algum lugar, certo? E há certa demonização do gordo. As pessoas não gostam do gordo e jogam tudo o de pior em cima dele: seus joelhos doem porque você é gordo! Suas artérias entupiram porque você é gordo! Seu carro quebrou porque você é gordo! Sua vida amorosa não funciona porque você é gordo! O aquecimento global existe porque você é gordo e, finalmente, a novela das 8 não decolou porque, claro, você é gordo!


Há, no mundo, um ódio tão exagerado e do tamanho do gordo com o gordo que não paramos pra pensar nas consequências nefastas que o desprezo pode causar nos fofos. A medicina não dá valor (nunca) as doenças psicossomáticas que acometem os fofinhos. Será que os gordos adoecem tão somente pelo peso? Pela alimentação? Por estarem acima do peso, dito, ideal? Será que não podemos considerar a possibilidade de gordos serem saudáveis com seus pesos da mesma forma que existem magros doentes? Qual a parcela de responsabilidade que tem uma sociedade que odeia gordos na saúde dos mesmos? Recentemente uma pesquisa canadense mostrou que não há gordinhos saudáveis, porém, nesta pesquisa, ninguém aventa qualquer possibilidade do gordinho sofrer preconceito, chacota e piadinha e poder adoecer por isso. Poder adoecer porque é odiado e, consequentemente, se odeia. Fácil, é sempre mais fácil dizer: gordinho, você faz tudo errado! Mas faz? Todos fazem? Todos são iguais? A nossa sociedade preconceituosa e cruel não tem nenhuma parcela de responsabilidade? Será mesmo?

Foto: Divulgação






Aline é uma apaixonada pela risada e pelas letras. Com filhos, com sonhos, ainda acredita que, mesmo em tempos de Facebook, dizer a verdade ainda é muito mais legal.





4 comentários:

  1. Já cheguei a escutar umas pérolas do gênero: "você não dorme porque você é gorda"... "você é bonita, mas que cara que vai querer uma gorda desse jeito?"... "se eu fosse gorda assim, eu não teria nem coragem de sair de casa"...

    Bem, digamos que alguém me quis, mesmo com 15kg a mais do que estou hoje... e ele é 10 anos mais novo que eu e nosso relacionamento é o melhor que tive até hoje... :)

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    1. Então, ser gordinho ou gordinha, assim como ser magrinho ou magrinha é só mais uma forma de existir e não a forma DETERMINANTE de existir. Ah, o mundo é tão pequeno, ainda...... aproveite: ame e seja amada. O mundo funciona muito melhor assim!

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  2. Nossa, adorei seu texto! E infelizmente é a mais pura verdade, as pessoas relacionam tudo o que é ruim aos gordinhos.... Eu tinha bastante neura com isso, achava que nunca conseguiria ninguém por estar acima do peso, mas hoje em dia me conscientizei e sei que há pessoas que não avaliam somente o exterior. Obrigada por compartilhar conosco! =)

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    1. O mundo sempre precisará de bodes expiatórios. E os gordinhos e gordinhas vem bem a calhar: saiu a terceira guerra mundial: a culpa é dos fofos! a professora da sua escola foi demitida? também a gordinha não emagreceu! Olhar, julgar e culpar o outro é sempre muito mais fácil. Eu me excluo, visto a capa de santa e jogo a culpa no mais frágil. Desde que o mundo é mundo, funciona assim. Cabe a nós gordinhas questionarmos TODOS os paradigmas e nomear bem nomeadinho aquilo que realmente é nosso e aquilo que é lixo do mundo. E, ao lixo do mundo, o lixo. Reciclável, de preferência. Beijos!

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Somos Marcella Rosa e Marina Sena, parceiras no blog, na luta e na vontade de mudar - nem que seja um pouquinho - o mundo. O Maggníficas é um pouco de nós, porque aqui tem moda democrática, empoderamento feminino e amor próprio. Nosso foco é a sororidade e a vivência plena de todos os corpos, porque acreditamos que somos todas maggníficas e que todo mundo pode tudo!

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