O mundo plus tá encolhendo?

escrito por Maggníficas


Olá MaGGníficas!

Você já devem ter notado que, além de mim e da Alinne, várias outras blogueiras e modelos plus size estão emagrecendo ou fazendo projetos de RA (eu não vou citar uma por uma aqui pois não tive oportunidade de conversar com todas elas e só posso opinar dando o MEU ponto de vista.) 

Vocês também já devem saber, que estamos fazendo uma enquete (se não sabe ainda, corre e CLICA AQUI pra responder) e entre as várias perguntas que fizemos, uma delas é sobre o nosso emagrecimento. A enquete está bem longe de acabar, mas tivemos um número considerável de respostas, o que, somado aos comentários que recebemos de leitoras e abordagens mais diretas, me fizeram pensar no que estou prestes a responder.


Afinal, por quê o mundo plus resolveu emagrecer? E, como perguntou uma leitora, "se é tão maravilhoso ser gorda", pra quê tomar atitudes pra perder peso? E afinal, ser blogueira plus size e tentar ser menos gorda (ou mais magra) é uma alta traição?

O fato é que, se a gente tem um blog automaticamente dá margem pra expor a própria intimidade e eventualmente acaba tendo que "dar satisfação" da sua vida e das suas escolhas às pessoas que nos seguem, a maioria, folgo em dizer, pra dar carinho e motivação.  Então, eu vou tentar responder a essas perguntas (e claro, abrir o debate pra minhas colegas darem uma opinião diferente se quiserem). 

Ser gorda é maravilhoso

Pra começar, quem escreveu dizendo que fizemos afirmações assim certamente não leu o blog, nem nossas dezenas de depoimentos e histórias. Como eu já contei aqui, eu passei a vida toda me diminuindo por ser (ou por acharem que eu era) gorda. 

Meu primeiro DDM, em agosto de 2010, manequim 46. O segundo DDM, em dezembro de 2011, manequim 50 e muito mais segura, confiante e bonita!
Todo o processo da popularização do "plus size" ou "fat proud" não veio pra dizer que ser gordo é fantástico e ser magro é uma porcaria. Também não afirmamos que as pessoas diferentes da gente são feias ou doentes. A nossa bandeira é e sempre foi a a diversidade. Nós já fizemos posts sobre beleza de idosos, pessoas atléticas, pessoas com deficiência, pessoas magras, cheinhas, realmente gordas... Nós apenas não concordamos que deva existir uma única forma, um único padrão que não pode ser atingido por todo mundo. 

Nós quatro somos consideradas gordas pela maioria das pessoas. Todas nós já enfrentamos problemas para comprar roupas. Todas nós temos neuras e vergonhas em relação ao nosso corpo e nunca nos negamos a falar delas aqui. Se você acompanha o blog já leu que eu, Carol, estou sempre me vestindo pensando em disfarçar minha barriga, a Alinne sempre afirma não sair de casa de braço descoberto, a Dani gosta de modelagens que não mostre os culotes e a Marina prefere não chamar atenção pro pouco busto (e até neura com o dedo do pé ela já contou que tem!). 

A gente emagrece, engorda, emagrece e engorda de novo, mas continuamos GG!
Como bem apontou a nossa amiga e sábia Keka Demétrio, todas as pessoas tem alguma reclamação sobre o próprio corpo. O que não achamos justo é que nós, as gordas, tenhamos sempre que ser apontadas como as mulheres que não se cuidam, não se enfeitam, não se amam. Nós queremos que todas as pessoas possam ser, existir e se vestir à vontade sem que isso se torne uma tortura ou uma abertura pra ofensas e olhares humilhantes. 

O blog me ensinou a me aceitar, exatamente do jeito que sou. Hoje, eu me olho no espelho e vejo cada imperfeição minha do mesmo jeito que eu via há três anos. Com a diferença que agora, isso não me entristece, não me paralisa, não me impede de ser feliz. Nesse sentido, eu sou gorda e maravilhosa!

Nós engordamos

A Alinne já passou por isso antes: ela conta tudo AQUI

Quando eu comecei o blog, aos 30 anos, eu pesava 7 quilos a menos do que hoje. Considerando que eu já emagreci 13 quilos desde que comecei o projeto de emagrecimento e já havia emagrecido 6 quilos depois do parto, eu estava, após ter meu filho, quase 30 quilos mais gorda do que quando o MaGGníficas começou, há menos de 3 anos atrás. Outras blogueiras e modelos plus size relatam a mesma coisa: subiram dois ou três manequins depois de começarem no mundo plus. 

Será que relaxamos? Será que ao abandonar as dietas das quais fomos escravas a vida toda e adotar uma vida com mais auto estima acabamos nos liberando pra comer sem parar? 

A Dani emagreceu antes de ser moda (como sempre!): 2010, 2012 e 2013 


No meu caso específico, eu tinha saído de um emprego público e passei dois anos me dedicando a recomeçar minha carreira na inciativa privada. Eu deixei muita coisa de lado pela pós-graduação, as aulas, pelos serões nos escritórios e em nome do cansaço (não só a malhação, mas minha vida social, minha casa, meus bichos de estimação e até eu mesma). Quando eu finalmente resolvi me cuidar, veio a gravidez (eu estava matriculada há duas semanas na academia quando descobri). 

Eu passei a maior parte da vida usando manequim 44/46. Nessa época, meu ideal de beleza era usar 38. Sei que temos leitoras que usam dos mais variados manequins. Mas hoje, eu percebo que eu gostaria de achar um tamanho que me deixe contente e seja possível de manter. Eu ainda não sei qual será ele. Estou redescobrindo a atividade física. Redescobrindo meu papel no mundo como mãe e mulher.

Da direita pra esquerda: março de 2011 (eu não emagrecia de jeito nenhum, mas estava sempre com as pernas em dia por causa da musculação e do pilates)/ julho de 2013 (até os tornozelos ficaram mais gordinhos depois da gravidez)/ outubro de 2013 (as pernas afinaram, mas ainda não consigo pra usar minissaia)

E da mesma forma que eu não acho justo ter que usar 38 pra agradar o "mundo", também não está certo ter que usar 54 pra agradar as pessoas a quem eu sempre dediquei a minha batalha. Se meu peso faz diferença pras pessoas a quem eu me dirijo, nós estamos saindo de uma "ditadura" pra entrar em outra. Hoje eu uso manequim 50. Amanhã eu não sei. Pode ser mais ou menos e isso não vai mudar o que eu faço todo dia pra tentar deixar a vida de quem perde tempo pra ler um pouco melhor.


Não pra pra deixar a saúde de lado

A Marina é a mais magra de nós, tem mantido o peso desde que o blog começou mas já contou que teve que se mexer e fazer dieta pra melhorar a saúde (para lembrar CLIQUE AQUI)

Meu colesterol não é alto, nem minha pressão. Eu não tenho gordura no fígado nem problemas no joelho ou nas costas. Se você não considerar a obesidade em si um problema, minha saúde é atualmente perfeita, pois até meus problemas hormonais a gravidez corrigiu.

Mas ela foi um saco por causa do meu sedentarismo e excesso de peso. 

Logo nos primeiros meses eu inchava tanto que parei de usar sapatos. Meus tornozelos passaram meses com bolas imensas e no fim do dia eu não aguentava ficar em pé nem pra tomar banho de tão exausta. Eu tive dificuldade pra dormir desde o quarto mês e no sexto eu já não dava conta de ficar em pé nem sentada, só deitada. Minhas amigas magras passaram por tudo isso: no último mês apenas. Até uma amiga super ativa que ficou grávida de gêmeos teve uma gravidez mais tranquila e confortável que a minha. 

Não, não tá certo usar o discurso da saúde pra justificar a gordofobia. Mas não dá pra justificar o sedentarismo e os maus hábitos pelo orgulho de ser gordo. Gordo ou magro, se você não comer direito ou se exercitar vai eventualmente ter problemas. 

Eu tenho um filho pra criar, educar e amar. Tenho que brincar com ele e estar disposta e saudável mesmo quando estiver esperando meu segundo filho. Como eu vivo dizendo, magra eu não vou ser mas quero ser uma gordinha capaz de andar de bicicleta com meus herdeiros. 

E se alguém acha que temos que nos manter gordos e parados pra provar um ponto, esse alguém está tão preso a padrões e cerceamento da liberdade alheia quanto quem acha que a gente precisa ser esquelética pra ser feliz. 

Eu quero que todas as minhas leitoras se achem belas e dignas, quem entrem numa loja e escolham a roupa que gostou e não a que coube. Que se sintam seguras pra amar e serem amadas. E acima de tudo, se sintam felizes o suficiente pra achar beleza no que é igual e no que é diferente também. Que se sintam dispostas a mudar ou ficar como estão. Mas que façam isso apenas por si mesmas.

Beijos de todos os tamanhos pra vocês!

Carol

PS: Eu também queria uma calça boca de sino que me servisse... rs





4 comentários:

  1. É mais que emagrecer, é uma questão de saúde, bem estar mesmo, é se sentir leve,eu estava com 85 kilos e fui p 92 em 15 dias , mexe com o emocional a gente não achar roupa e isso é saude, é a cabeça, a gente fica depressiva, eu pesei 104 kilos, e me aceitei assim, me sentia linda, hoje vejo o tanto que estava inchada, mas tive q me aceitar p mudar, tinha dificuldade p amarrar o sapatos, fazer a unha do pé, e olha com 92 kilos estou tendo dificuldades também, não é so o fato de se olhar no espelho e se gostar, ou fazer exames de sangue como vc mesmo citou, mas o sedentarismo em si, o corpo não e projetado p tanto peso, como não é projetado p tanta magreza, eu já quis o extremo da magreza, pouco peso debilita o organismo, quebras as unhas, cai cabelo, deixa a pele opaca, nos da carência de vitaminas, deixas os ossos fracos, e os dois excessos nos levam a morte!Estamos vivendo em uma época de revolução em que saúde e equilibrio é prioridade!Sempre Li o mundo Plus e acho fantásticos ver vcs emagrecendo, mesmo que não fiquem magrelas,mas se exercitam e mostram que gordinhas podem sim e merecem ter um estilo saudável e pq não um corpo melhor!
    beijos! Ótimos texto!Escrevi muito!

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  2. Kkkkkkk, você falar da calça boca de sino me fez lembrar a moda da calça saruel... era meu SONHO usar uma, mas que ficasse larga no quadril, coisa que nuuuuuunca aconteceu... Eu pessoalmente, adora seu blog, como o da Aline, o Sapatinho de cristal , o da Dé... Sempre fui gordinha, sempre lutei contra isso... sou feliz e me amo como sou, tenho um marido que me elogia todo dia e dois filhos lindos que dizem pra mim: Mamãe, você não pode emagrecer, senão vai deixar de ser fofinha !!!!!! Mas mesmo me amando assim, eu quero emagrecer, sempre quis e sempre vou tentar, kkkkk. Tenho a impressão de que se não estiver em dieta eu não serei eu, dá pra entender?????? Mas achei seu texto ótimo, super real e mais que válido... se a gente quer emagrecer ninguém tem nada haver com isso... Bjs pra todas vcs... Juliana

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  3. Olha ... o seu post representou EXATAMENTE o que eu penso... na verdade o que eu vejo é que no mundo de hoje as pessoas querem rotular as coisas .. Ou vc é Magra ...Muito magra , ou você tem que ser Gorda muito gorda para poder defender um "ideal" , e eu acho isso tão limitante . Acredito que o importante é vc estar feliz pra ser VC. Ninguém se sente Feliz o tempo todo ou esta contente com o corpo inteiro. Faz parte do processo mudar . Ai é que esta ... Vc tem o DIREITO de emagrecer , mas não pode ser OBRIGADA a isso , simplesmente pq a sociedade cobra esse padrão. Quanto a moda , no fim das contas eu acho que ela tem é que ser mais democrática , existe beleza em todos os tamanhos ... em todas as etapas e em todas as caminhada também.

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  4. Muito pertinente o seu texto... as pessoas têm que ser livres para estarem do jeito que quiserem, gordas ou magras, o primordial é você estar bem consigo mesma... estou acima do peso, mas sempre buscando melhorar a saúde... consegui perder 8kg abrindo mão do que não me faz bem e nem falta: refrigerantes, salgadinhos, embutidos, doces... claro que se tenho vontade, não me privo disso, mas é uma escolha que sei que não me trará benefícios. Estava triste, cansada, não tinha ânimo para nada... e perder alguns quilos me fizeram um bem danado. O ser humano é mutável por natureza, o fato de estar acima ou abaixo do peso hoje, não quer dizer que terei que ser assim para sempre... e que bom que podemos mudar, melhorar, evoluir.

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Somos Marcella Rosa e Marina Sena, parceiras no blog, na luta e na vontade de mudar - nem que seja um pouquinho - o mundo. O Maggníficas é um pouco de nós, porque aqui tem moda democrática, empoderamento feminino e amor próprio. Nosso foco é a sororidade e a vivência plena de todos os corpos, porque acreditamos que somos todas maggníficas e que todo mundo pode tudo!

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