ESTRIAS, CELULITES E OUTRAS PARANOIAS – parte 1

escrito por Maggníficas



Monólogos de Karina Gianini: a mulher que adora a autodepreciação e distribuir farpas de humor ácido a todos. Texto humorístico. Leia com moderação.

 

AQUI, ACABOU DE ACORDAR

Nossa, é paranoia minha ou esses quadris estão maiores? Sempre quando me olho no espelho, eu tenho essa impressão.

Acho que eles estão crescendo sem eu perceber, só pode. Esse expansionismo tá demais. Acho que preciso ignora-lo. Não faz parte de mim. Quer dizer, faz mas não deveria.

Preciso sair da frente desse espelho se não vou ter um ataque de nervos. Preciso pensar em algo agradável. Sei lá, qualquer coisa.

Ah, sim! A Luana Piovani já foi chamada de gorda. Até ela! É o fim dos tempos mesmo. Nem ela tem sossego. Então é isso: Luana é gorda igual a mim, pronto!

Não. Nada a ver. Assim também não né? Acho que as fanáticas do tamanho 36 já estão indo longe demais. Daqui a pouco vão dizer que o padrão Bündchen também é over!

Preciso pensar em alguma coisa mais convincente. A minha situação tá muito dramática com esses quadris exagerados, esses culotes obscenos...

Será que um cupcake resolve? Acho que vou comer um. Mas, pera aí, e se esses cupcakes aparentemente inofensivos sejam os responsáveis por inflar a minha região glútea? Será?

Vou dá um passeio, tentar espairecer. Acho que vou escolher um decotão ultrassexy pra ninguém olhar pra baixo. Arrematar o look com um maxicolar bem étnico, olhos esfumados e um batom pink... Não, melhor nude mesmo.

OK, na frente está resolvido. Mas e quando eu passar? Vão olhar pra trás! My god, é o fim! Vão dizer que o meu bumbum grande é um atentado ao pudor. Vou me esconder dentro de uma burca!

Então é melhor não sair de casa. Vou pegar alguma coisa pra ler. Mas vou evitar revistas hoje. Não quero ver a Izabel Goulart, linda e magra, na capa.

Certo, confesso: queria ser a Izabel por um dia. Aí sim, usaria um maiô de snake print chiquérrimo. Até as mina pira, imagina a ala masculina! Não. Eles, não.

Essa é a grande dessemelhança entre os sexos: elas olham o biquíni e os marmanjos, a marquinha.

Não adianta. Acho que nunca vou ficar em paz com a minha gordice. Sei que hoje a gordice vem travestida em gostosura. Se eu fosse a Fluvia Lacerda até poderia funcionar.

Acho que seria mais fácil se o meu corpo viesse com um manual do tipo “quilinhos extra: como usar”.

Vou pegar um cupcake e voltar pra cama. É o que tem pra hoje.

Por Ricardo Allexxandhry


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