A reinvenção da brasileira

escrito por Maggníficas




Já perceberam que a beleza da típica mulher brasileira não está mais sendo celebrizada pelos meios de comunicação? Essa beleza encontra-se ofuscada por top models magras e de características europeias. O padrão atual vem de longe. A típica brasileira, estou, claro, me referindo às mais curvilíneas e voluptuosas, não tem um só ícone atual para representa-la. Quando pensamos na mulher brasileira, logo imaginamos um corpão escultural, de fio-dental, deitado de bruços na areia quente de uma praia ensolarada. Essa figura já faz parte do imaginário do brasileiro. Aliás, do mundo todo. A típica mulher brasileira tem quadris largos, bumbum grande e pernas grossas. Tudo isso embalado por uma morenice e sensualidade irresistível. Então como podemos notar, o Brasil é um reduto natural do tipo mulherão.

O bumbum grande é o principal suporte do mulherão no Brasil. Mas não está livre do estigma de pertencer exclusivamente ao interesse sexual dos homens. O bumbum grande é adorado por eles enquanto é execrado pelas entusiastas da beleza importada da Europa. Sim, as magérimas ainda têm poder na terra do micro-biquíni. O derrière avantajado é visto como herético pela seita do tamanho 36. Mas o bumbum precisavoltar a ser o símbolo máximo da mulher brasileira. Desta vez, glamourizado.

Com o termo mulherão ainda no limbo, fica difícil valorizar a típica mulher brasileira. Já notei que algumas mulheres chamam “gostosa” para indicar alguma do tipo atraente. Mas vamos combinar que é estranho uma mulher chamar a outra assim, né? Que falta faz um termo adequado! Ainda não existe um mulherão empenhado em representar tudo isso, só nos resta exemplos insignificantes. A Mulher Melancia é uma explosão de vulgaridade e as subcelebridades siliconadas e ultramalhadas não passam de tipos artificiais e masculinizados. O horror. E não adianta citar Juliana Paes – que, claro, arrasou como a Ritinha, de LAÇOS DE FAMÍLIA. Em contrapartida, enxugou as curvas de sua GABRIELA. Juliana é uma atriz comprometida com a arte e não com a reedição de valores da beleza exuberante. O que precisamos, afinal, é de uma brasileira arquetípica engajada nessa causa, alguém que venha da linha evolutiva da Miss Brasil Martha Rocha, da vedete Angelita Martinez e da Musa de Ipanema Rose Di Primo. Uma nova diva capaz de trazer de volta o ideal de beleza perdido no passado e que hoje encontra-se relegado. O segmento plus size ascendeu, agora falta o mulherão.

Por Ricardo Allexxandhry


6 comentários:

  1. Eu gostei do texto Ricardo, acredito que entendi o quis dizer sobre as representantes "gostosas" serem mais reais , mais mulherão. O que concordo em número genero e grau!
    Beeeijos
    http://blogdamaryh.wordpress.com/

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  2. Pois é, as representantes atuais (mulheres frutas e subcelebridades "gostosonas") só vulgarizam o mulherão. É preciso uma reinvenção mesmo!

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  3. Bom, vou tentar me explicar. Concordo com o blog quando se fala q o padrão de "beleza" ditado pelo mundo é o q todos conhecem (mulheres "palitos"), mas não devemos esquecer q o Brasil é um país miscigenado por essência. Ou seja, uma japonesa magrinha magrinha nascida no Paraná é tão estereótipo nacional quanto a loira peituda gaúcha ou a morena de quadril abençoado por Deus q nasceu no Rio, entendem? E outro ponto, acho q a cor da pele não tem muito a ver com a indagação, pq se não não haveria tanta procura pela diversificação (tomem como exemplo a modelo Britânica - Européia - Naomi Campbell).

    Beijinhos! :)

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  4. Cleide, sei que não parece, mas Cléo Fernandes é plus size e não mulherão.

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