Robyn Lawley e o dilema do meio termo

escrito por Maggníficas



Robyn Lawley é uma lindíssima modelo australiana que atua no universo plus size. Ela tem 23 anos, veste 42-44 e tem medidas entre 99-78-104. Ela já estrelou diversas capas de revistas, entre elas, a ELLE França e VOGUE Itália e Austrália. Cada vez mais famosa, recentemente assinou contrato com a grife Ralph Lauren, tornando-se, assim, a primeira plus size da marca. Todos os holofotes estão sobre ela. Na Look Magazine, disparou: “Estou no tamanho normal, então porque sou chamada de plus size?” Ela tá certa, não tem nada de gordinha mesmo. Na verdade, Robyn Lawley é um MULHERÃO! Afinal, qual o significado desse termo.

Na minha opinião, a beleza vive atualmente uma era de extremismo. Tudo passou a ser rotulado como magra ou gorda, mulher-diet ou supercalórica. Mas será que tudo se localiza mesmo nesses dois extremos? Não estamos sendo radicais? Pensando dessa maneira, estamos ignorando um terceiro tipo de mulher que, por sinal, é essencialmente curvilínea: o mulherão. Mulherão é o tipo ampulheta por excelência, a típica mulher brasileira, a voluptuosa, a bombshell. Robyn Lawley é um mulherão, o meio termo. Ela está localizada entre a modelo magra e a plus size, entre uma Adriana Lima e uma Fluvia Lacerda. Ela está no meio dessa tríade. Kim Kardashian também é constantemente vítima dessa confusão de termos. Pois, ela é, sem dúvida, a realeza das celebridades curvilíneas. A síntese do mulherão! O mulherão não é uma nova espécie, um novo conceito – só estava soterrado pelo pensamento monolítico da beleza atual.

A versão do mulherão que circula na grande mídia vem traduzida numa figura vulgar que satisfaz o assédio sexual do público masculino. O que vemos é um desfile erótico de periguetes, gostosonas e mulheres-frutas capaz de turbinar a audiência mas que não traz valor algum para as mulheres que se encaixam nesse perfil. O mulherão precisa voltar a ser celebrizado da maneira correta: um tipo encarado como o meio termo entre magras e gordinhas. Mas ainda não posso encerrar esse texto sem antes comentar a outra expressão que tanto comento por aí – a BELEZA EXUBERANTE. Não quero causar confusão com esses termos, só quero que as coisas sejam devidamente classificadas. A beleza exuberante engloba os mulherões e as gordinhas. Elas representam as duas categorias que esbanjam medidas nada modestas. Convém lembrar que existem magras curvilíneas, mas que não podemos considera-las exuberantes porque são desprovidas de quadris largos e bumbum avantajado. As mulheres exuberantes são as verdadeiras representantes da feminilidade elevada à enésima potência. A partir de agora, espero que as leitoras divulguem esses termos para que não incorram nos mesmos equívocos das fashionistas atuais. Mulherão não é gordinha. São, sim, dois tipos exuberantes, mas distintos. Portanto, quando avistarem Robyn Lawley por aí, digam: Wow! Que mulherão!
Por Ricardo Alexandre


5 comentários:

  1. Sobre esse assunto, passei por uma situação que achei ser bem ilustrativa. Falando uma vez sobre os blogs de plus size que leio e acompanho, um amigo me olhou com cara de espanto e disse: "mas vc não é plus size de jeeeeeeeeeeito nenhum". (Eu visto 44, e muitas vezes chego ao 46.) Eu tive a sensação que ele falava comigo como aquelas pessoas que olham para um homossexual que não tem trejeitos femininos e falam: "nossa, mas você não parece gay!", como se fosse um elogio. Eu vejo o movimento plus size como uma revolução contra o preconceito de ter que se adaptar a um padrão imposto como condição de ser feliz. Contra as lojas que só vendem roupas até 44, e revistas e editoriais que só colocam mulheres magrelamente doentes nas fotos. E essa revolução é linda! Por isso, acredito que sou sim, plus size e a menina que veste 54 é também um mulherão. Não excluo nem a mim e nem a ela, pois tanto ela quanto eu já sofremos ao entrarmos e uma loja, ou ao ouvir na rua "oh, sua gorda". Não rotulemos novamente.

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  3. Acho que as coisas não podem ficar desse jeito. Considerar os três tipos é uma forma de diversificar mais a beleza. É muito radicalismo achar que quem não é magra só pode ser gorda. E o meio termo? Não existe?

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  4. Só um meio termo? Também acho que hoje se reduz tudo a magra ou gorda, mas dizer que existe UM meio termo, e que ele ainda é uma mulher padronizada (quadrilzão, barriga chapada, peito, coxa: quem não quer ser assim?) não adianta para incluir boa parte das mulheres. Ainda mais falando que essa é a mulher "tipicamente brasileira". Porque não existem mulheres sem bunda, né? Ou sem peito? Ou sem cintura? Com barriga? Será que essas mulheres se sentem aliviadas ao saber que ser gostosa é ok, também? E quem não é gostosa, não é a "tipicamente brasileira": se mata com a faquinha de rocombole ou (prefiro essa) pede cidadania num país SEMPRE obcecado por colocar as mulheres em caixinhas? Já que ela provavelmente não é brasileira por não ser gostosa.

    P.S: chamar mulheres magras de doentes não só não ajuda como é a mesma coisa de quem chama gordas de doente. exatamente a mesma coisa. ;)

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  5. Carolina, as mulheres "sem bunda, sem peito, sem cintura..." existem, são as magras. Esse meu texto é sobre o tipo mulherão, OK? Thanks!

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